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Onde investir? Multimercados ganham preferência e captam R$ 100 bi

PUBLICADO EM: 8.1.21 | 6H00
ATUALIZAÇÃO: 4.3.21 | 14H27
Brasileiros ampliam aportes em fundos com exposição a ativos no exterior, como na categoria de ações, enquanto juro baixo reforça fuga da renda fixa
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(Getty Images)

Foto de Guilherme Guilherme da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Guilherme Guilherme

Repórter de mercado | guilherme.guilherme@exame.com



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Em um ano marcado pela forte queda dos juros básicos, que levou investidores a assumir mais risco em busca de maiores retornos, os fundos multimercados fecharam 2020 com captação líquida (aportes menos resgates) recorde, de 97,575 bilhões de reais, segundo dados da Anbima, a associação que reúne as entidades do mercado de capitais. 

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Desde o início da série histórica, em 2002, nenhuma classe de fundo havia conseguido levantar mais de 90 bilhões de reais em um único ano, nem mesmo a de renda fixa, que possui o maior patrimônio líquido da indústria, com 2,195 trilhões de reais. Os fundos multimercados chegaram a seu quinto ano consecutivo de captação líquida positiva -- período que coincide, não por acaso, com o início do ciclo de cortes da taxa de juros Selic.

Juliana Machado, analista de fundos da EXAME Research, explica que, além da queda de juros, o fato de a classe abarcar uma maior variedade de produtos também contribuiu para que os multimercados alcançassem o recorde de captação em 2020. 

“Os multimercados são uma grande classificação para fundos que podem operar em mais de um mercado, mas não significa que todos sejam iguais. Isso porque dentro dos multimercados pode haver produtos que operam mais juros e moedas, e outros que operam muito bolsa”, explica.

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Entre os fundos multimercados, os de classificação livre correspondiam, até novembro, à maior fração do valor captado, somando 66,448 bilhões de reais, enquanto aqueles que operam investimentos no exterior captaram 38,103 bilhões de reais. Já os fundos multimercados de abordagem macro tiveram resgates acumulados de 42,057 bilhões de reais, segundo a Anbima.

A busca por maior risco também impactou positivamente a captação dos fundos de ações, mesmo em um ano de forte volatilidade nas bolsas de valores devido à pandemia do novo coronavírus. Em 2020, a captação líquida da categoria foi de 69,380 bilhões de reais, o que representou o quarto ano consecutivo de captação positiva. A quantia levantada por fundos de ações só foi menor que a do ano passado, quando o saldo foi de 88,504 bilhões de reais.

Assim como nos multimercados, os fundos de ações voltados para investimentos no exterior tiveram a segunda maior captação entre as subclasses, com 10,564 bilhões de reais; somente em dezembro, eles levantaram 1,084 bilhão de reais, superando a captação de 918,5 milhões de reais dos fundos de classificação livre.

Rentabilidade explica

Parte do crescimento de fundos que investem no exterior, que ganharam notoriedade no ano passado, deriva da procura por diversificação, cada vez mais difundida entre investidores. O forte desempenho desse investimento em 2020 também explica a demanda elevada, ainda que parte dos ganhos tenha sido impulsionada pela desvalorização do real.

Segundo dados da consultoria Economatica, no ano passado inteiro, os fundos de investimentos no exterior tiveram a melhor performance entre aqueles dedicados a ações e a renda fixa, com a mediana da rentabilidade em 20,49% e 9,35%, respectivamente. Na classe de multimercados, a mediana da rentabilidade dos fundos de investimentos no exterior foi de 5,39%, somente atrás dos multimercados trading, que alcançaram 6,64%.

Entre os fundos de classificação livre, os de ações tiveram o melhor desempenho, com a mediana da rentabilidade em 4,38%, enquanto os multimercados ficaram na segunda colocação com 4,23%. Fundos de renda fixa de duração e crédito livre tiveram a mediana da rentabilidade em 3,24%.

Saldo total

A indústria de fundos fechou o ano de 2020 com captação líquida total de 156,369 bilhões de reais. Entre todas as categorias, somente os fundos de direitos creditórios e os de renda fixa fecharam com captação negativa, de 17,134 bilhões de reais e 41,220 bilhões de reais, respectivamente. O resgate líquido dos fundos de renda fixa, no entanto, foi menor do que os 56,920 bilhões de reais registrados em 2019.

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Guilherme Guilherme

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