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Golpe na África é nova ameaça para mercado de commodities

PUBLICADO EM: 6.9.21 | 10H52
ATUALIZAÇÃO: 8.9.21 | 9H10
Preço do alumínio dispara à maior cotação em uma década após militares tomarem o poder na Guiné
Tubos de alumínio na linha de produção de uma fábrica da Alcoa em Goose Creek, Carolina do Sul

Guiné é um grande fornecedor de bauxita, matéria-prima necessária para a fabricação do alumínio: | Foto: Stephen Morton/ Bloomberg

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Um golpe militar na Guiné levou o alumínio à maior cotação em mais de uma década em meio à produção global limitada e demanda alta pela commodity.

Os preços do alumínio subiram em Londres e Xangai, movimento que foi seguido pelas ações de produtoras: os papéis da líder do setor, a Aluminum Corp. of China, ou Chalco, avançaram até 10%, enquanto a United Co. Rusal registrou ganho de 15%. A Guiné é um grande fornecedor de bauxita, matéria-prima necessária para a fabricação do alumínio, e responde por mais da metade das importações da China.

Uma unidade militar assumiu o poder da Guiné no domingo e suspendeu a Constituição. O chefe das Forças Especiais, o coronel Mamady Doumbouya, pediu o apoio do Exército. Embora a turbulência aumente a possibilidade de cortes da oferta, até agora não há sinais de que carregamentos ou minas tenham sido afetados. A Chalco, que tem um projeto de bauxita na Guiné, disse que todas as suas operações estão normais e que possui amplos estoques de bauxita nas usinas da China.

Impulsionado pela recuperação da demanda e da atividade econômica, o alumínio já acumulava alta de cerca de 38% este ano em Londres antes do golpe. Ao mesmo tempo, fundições na China buscam manter o nível de produção durante a crise sazonal de energia e medidas do governo de Pequim para controlar as emissões de carbono do país.

O fundador da Rusal, Oleg Deripaska, alertou que o mercado “pode ser seriamente abalado” pela situação, mas operadores ainda esperam mais pistas sobre possíveis cortes de oferta.

O mercado de bauxita registra superávit há anos, e qualquer interrupção precisaria ser grave para alterar essa dinâmica, segundo Michael Widmer, chefe de pesquisa de metais do Bank of America Merrill Lynch.

Em entrevista por telefone de Londres, Widmer disse que aposta em alta do alumínio, “mas por razões diferentes”. “Dito isso, se você tiver problemas em um país que fornece 20% da bauxita para o mercado global, então claramente será um problema.”

Na Bolsa de Metais de Londres, os preços chegaram a subir 1,8%, para US$ 2.775,50 a tonelada, o maior nível desde maio de 2011, e eram negociados a US$ 2.756,50 às 10:34 no horário local. Na China, os futuros chegaram a mostrar ganho de 3,4% para a maior cotação desde 2006, mas reduziram a alta para 2,2%.

Investidores também estão atentos aos cortes da produção na província chinesa de Guangxi, o que aperta ainda mais o mercado, disse Xiong Hui, analista-chefe de alumínio da Beijing Antaike Information Development.

A indústria de alumínio, que consome muita energia, está sob crescente escrutínio como parte da campanha do governo chinês para reduzir a poluição. A China produz cerca de 60% do total mundial. A possibilidade de redução da produção levou algumas das maiores fundições chinesas a prometerem que a oferta será garantida, e reservas estatais devem liberar o metal para diminuir o impacto.

A China depende cada vez mais das importações, algo atípico que tem encolhido os estoques globais de alumínio.

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