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Herdeiro da Nintendo monta family office inspirado em mundo dos games

PUBLICADO EM: 25.5.21 | 8H10
ATUALIZAÇÃO: 29.5.21 | 11H28
Fundada há menos de um ano pelo neto de ex-presidente da Nintendo, Yamauchi No. 10 Family Office já administra quase 1 bilhão de dólares

Mario Bros: maior ícone dos jogos da Nintendo | Foto: Drew Angerer/Getty Images (Getty Images)

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Existem family offices de todas as formas e tamanhos que, normalmente, não gostam de divulgar seus planos.

Mas o family office que administra o patrimônio da família por trás da Nintendo é diferente.

Uma música alta e animada toca enquanto alguém visita o site da empresa de investimentos, com um tema de um jogo de arcade da década de 1980. Gráficos retro em blocos piscam em cores diferentes conforme a tela desliza na diagonal. Há uma diversidade de personagens e objetos com grandes pixels. O texto se move como créditos de um jogo ou filme, declarando o que o family office representa. Usuários do Twitter dizem que o site é “cool”, incrível, o melhor de todos os tempos.

Queria criar algo “surpreendente”, disse Banjo Yamauchi, representante da família do “Yamauchi No. 10 Family Office” e descendente do fundador da Nintendo, Fusajiro Yamauchi, na primeira entrevista à mídia da firma de investimentos. “Representa a nossa natureza de fazer algo que nunca foi feito antes.”

Family offices, entidades pouco regulamentadas que administram dinheiro para os ricos, proliferaram nos últimos anos. Há pelo menos 10 mil supervisionando globalmente uma única fortuna, e a maioria deles iniciou atividades neste século, de acordo com a EY. Mas, embora o Japão tenha muitos bilionários, a maior parte do crescimento dos family offices na Ásia ocorreu em outros lugares, como em Hong Kong e Singapura.

Banjo Yamauchi iniciou a firma de investimentos no ano passado para administrar ativos que antes pertenciam ao ex-presidente da Nintendo Hiroshi Yamauchi, que morreu em 2013. O falecido Hiroshi adotou seu neto como filho e deixou para ele, entre outros, uma “enorme herança” que recebeu aos 21 anos, disse Banjo.

“Por mais estranho que possa parecer, no papel sou irmão do meu pai biológico”, disse Banjo. “Desde aquela época, tenho tentado entender por que me encontrei nessas circunstâncias.”

Hiroshi Yamauchi, o terceiro presidente da Nintendo, assumiu o negócio de cartas de baralho que seu bisavô Fusajiro fundou em 1889 e o transformou em uma gigante global dos videogames. Hiroshi liderou a Nintendo por mais de cinco décadas, até que deixou o cargo em 2002. A fabricante do console Switch e criadora de franquias como Mario e Pokémon agora tem valor de mercado de mais de US$ 78 bilhões.

Compra de brinquedos

Banjo diz que se lembra de Hiroshi como rigoroso, mas também gentil. Seu avô o levava à Toys “R” Us todo ano novo para comprar presentes para ele. Banjo nunca teve coragem de pedir ao avô para comprar jogos da Sony ou da Sega, lembra.

Banjo, agora com 28 anos, cresceu em Kyoto, onde está a sede da Nintendo, antes de ir para a universidade em Tóquio e trabalhar na empresa de publicidade Hakuhodo. Ele disse que a ideia de abrir um family office surgiu enquanto pensava no que fazer com sua herança e refletia sobre a maneira como seu avô fazia as coisas de maneira diferente das outras pessoas.

“Eu precisava herdar não apenas sua fortuna, mas também sua filosofia”, disse Banjo.

Banjo abriu o family office em junho para administrar os bens que ele e alguns outros membros da família herdaram. Hiroshi Yamauchi detinha cerca de 10% das ações da Nintendo antes de seu falecimento, de acordo com dados compilados pela Bloomberg. Banjo e seu pai herdaram, cada um, cerca de 3% da empresa, enquanto duas tias receberam cerca de 2% cada, segundo registro de 2013.

O Yamauchi No. 10 Family Office administra mais de 100 bilhões de ienes (US$ 918 milhões), segundo dados divulgados pela Bloomberg em janeiro, citando pessoas com conhecimento do assunto. Banjo não quis comentar.

‘Criar alguma coisa’

O family office não está focado em dobrar ou triplicar seus ativos, de acordo com Banjo. O objetivo é se envolver em projetos que contribuam para a sociedade, proponham novas opções que ajudem a fazer mudanças no Japão e permitam que as pessoas assumam desafios, disse, sem dar detalhes de investimentos específicos. Também pretende se envolver com filantropia.

“Sentimos que falta ao Japão o espírito de assumir o desafio ou arriscar para criar alguma coisa”, disse Banjo. “Esse é o ponto que gostaríamos de mudar.”

Mas Banjo prefere não revelar alguns detalhes. Perguntado sobre o número “10” do family office, ele não quis explicar.

“É um segredo”, disse. “Gostaríamos que você imaginasse o que isso significa."

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