Exame Invest
Mercados

Hering dispara 25% após rejeitar proposta da Arezzo, que avança 8%

PUBLICADO EM: 15.4.21 | 10H31
ATUALIZAÇÃO: 15.4.21 | 14H03
A euforia leva os papéis da varejista de moda básica para o maior patamar na Bolsa em mais de um ano, registrando na sessão, até o momento, um volume financeiro quase sete vezes acima da média diária
Franquia Hering Store

Foto de Paula Barra da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Paula Barra

Repórter de mercados da Exame. Formada em jornalismo pelo Mackenzie e pós-graduada em Produtos Financeiros e Gestão de Risco pela FIA. Especializada na cobertura do mercado financeiro, com passagens pelo InfoMoney, Empiricus e TradersClub | paula.barra@exame.com



Compartilhe nas redes sociais
GUIA
Em alta

INVISTA 3MIN

As ações da Hering (HGTX3), que operaram entre leilões durante a manhã, disparam 25,81%, em 21,62 reais, nesta quinta-feira, 15, segundo cotação das 13h43, e lideram os ganhos do Ibovespa. O movimento ocorre após a companhia ter informado, ontem à noite, que rejeitou uma proposta da Arezzo (ARZZ3) para combinação de negócios.

Quer saber qual o setor mais quente da bolsa no meio deste vaivém? Assine a EXAME Invest Pro

Com a alta hoje, os papéis da empresa reconhecida por sua moda básica atingem o maior patamar intradiário desde 5 de março de 2020. Até o momento, registravam um volume financeiro de 472,3 milhões de reais, quase sete vezes acima da média diária dos últimos 21 pregões em 66,9 milhões de reais.

Fora do índice, as ações da Arezzo subiam 8,54%, cotadas em 81,08 reais, renovando sua máxima histórica intradiária. O volume financeiro movimentado com os papéis alcançava no momento 126,8 milhões de reias, também bem acima da média diária (em 41,9 milhões de reais).

Em relatório desta manhã, os analistas do Credit Suisse ressaltaram que o fato da Hering ter passado a ser vista como um alvo de potencial fusão, considerando ainda que a ação que estava descontada em Bolsa, deveria puxar uma importante reação positiva nos preços hoje.

Além disso, eles apontaram que há possibilidade da Arezzo elevar sua proposta pela companhia, o que deveria dar ainda mais suporte às ações da Hering.

“A Hering pode ter recusado essa primeira oferta, mas não quer dizer que não possa aceitar uma segunda ou uma terceira”, afirmou Bruno Lima, head de renda variável da EXAME Invest PRO, em live de abertura de mercado nesta quinta.

Outro ponto que ele mencionou é que a disparada poderia ser ainda intensificada por um movimento de "short squeeze" com as ações HGTX3. "São 142,8 milhões de reais em ações alugadas da companhia, tem cara de short squeeze. Quem está short [vendido] em Hering vai se movimentar porque não vai querer ficar na frente dessa discussão de combinação com a Arezzo que está apenas começando”, comentou.

O short squeeze acontece quando investidores que estão vendidos (short) na ação, ou seja, apostando na queda da sua cotação, se veem obrigado a entrar no mercado comprando, para zerar a posição, porque os preços vão na direção oposta.  Isso porque quanto mais demorarem, maior o prejuízo que poderão sofrer.

Em comunicado divulgado na véspera, a Hering não revelou o valor da proposta, mas, segundo fontes consultadas pela EXAME In, o montante gira em torno de 3,2 bilhões de reais, em uma operação que envolveria ações e dinheiro.

Na visão dos analistas da Ativa Investimentos, a movimentação poderia ser positiva para ambos os lados.

Isso porque, para a Arezzo, a aquisição da Hering complementaria seu plano de construir um ecossistema de marcas, com escala em roupas básicas, enquanto, para a Hering, poderia ajudar a companhia a dar uma volta por cima que já vem ensaiando há um tempo.

Apesar de ter sido bem-recebida pelo mercado, o presidente da Hering, Fábio Hering, foi enfático ao afirmar que um acordo era "improvável". "Estamos iniciando um ciclo de crescimento orgânico muito forte, alinhados com acionistas de referência", disse em entrevista à EXAME In.

A oferta vem em um momento em que a Hering se prepara para mudanças no conselho, com uma assembleia de acionistas marcada para o próximo dia 29. A expectativa é a de que Thiago Hering, filho de Fábio e que hoje é COO da empresa, seja escolhido como novo presidente da companhia. Thiago é um dos principais responsáveis pelos investimentos digitais da Hering e por uma reformulação da rede nos últimos anos.

Efeito cascata

A euforia em torno das duas companhias hoje puxa também ações de outras varejistas da Bolsa, como os papéis da Restoque (LLIS3), que disparam 19,85% na esteira da notícia. No mesmo setor, apresentam altas expressivas ainda Guararapes (GUAR3) e Lojas Marisa (AMAR3), com ganhos de 4,57% e 4,32%, respectivamente.

Segundo Lima, a movimentação tem um impacto positivo em outras ações de vestuário hoje, uma vez que a proposta mostra um viés de consolidação do setor.

Foto de Paula Barra da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Paula Barra

Repórter de mercados da Exame. Formada em jornalismo pelo Mackenzie e pós-graduada em Produtos Financeiros e Gestão de Risco pela FIA. Especializada na cobertura do mercado financeiro, com passagens pelo InfoMoney, Empiricus e TradersClub | paula.barra@exame.com


Compartilhe nas redes sociais
Mosaico do rodapé com as cores da Exame