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Ibovespa aprofunda perdas e recua 3%; Inter desaba 11%

PUBLICADO EM: 28.9.21 | 10H24
ATUALIZAÇÃO: 28.9.21 | 16H14
Temores de inflação nos Estados Unidos e a possível extensão do auxílio emergencial no Brasil derrubam índice

Resumo do investidor

Às 16h10: - Ibovespa cai 2,87%, aos 110.326 pontos; - Dólar comercial sobe 0,96%, a 5,430 reais; - EUA: Dow Jones cai 1,01%, S&P 500 recua 1,37% e Nasdaq tem queda de 2,10%.

Estrangeiro põe dinheiro e pessoa física tira da bolsa

Painel de cotações da B3 | Foto: Germano Lüders/Exame

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Foto de Beatriz Quesada da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Guilherme Guilherme | Beatriz Quesada

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O Ibovespa opera em queda nesta terça-feira, 28, acompanhando o cenário externo negativo, com investidores cautelosos sobre os níveis de inflação nos Estados Unidos. Por aqui, uma possível extensão do auxílio emergencial fez o índice aprofundar as perdas. 

Às 16h10, o principal índice da B3 caía 2,87%, aos 110.326 pontos. Na mínima do dia, o Ibovespa recuou mais de 3% e chegou a perder a marca dos 110 mil pontos.

Nesta manhã, o presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, tratou sobre a alta de preços com congressistas americanos. Em seu discurso, Powell, que antes via a inflação como meramente passageira, já a trata como mais duradoura que o esperado. Para o mercado, a sinalização é de que o Fed poderá subir os juros antes do esperado. Na última reunião de política monetária, cresceu o apoio interno para um ajuste já em 2022. Até lá, o banco central americano deverá reduzir gradualmente a injeção de 120 bilhões de dólares mensais via recompra de títulos.

As preocupações têm implicações na curva de juros americana. Por lá, os rendimentos dos títulos de 5 anos bateram superaram 1% pela primeira vez desde o início da pandemia, enquanto os de 10 anos atingiram o pico de três meses, a 1,525%. 

Com a maior atratividade dos títulos, tidos como os mais seguros do mundo, o dólar sobe no mundo inteiro. Contra o real, a moeda americana avança 0,96%, a 5,43 reais. O índice Dxy, que mede a variação do dólar contra uma cesta de divisas fortes (como euro e libra), sobe 0,41%.

Com os juros mais altos, ações de empresas de capital intensivo e perspectiva de crescimento mais longa, como costumam ser as de tecnologia, são as que mais sofrem. No mercado americano, o índice Nasdaq, com maior peso do setor, volta a ter o pior desempenho em relação ao S&P 500 e ao Dow Jones, mais ligados à economia tradicional, e recua 2,1%.

Por aqui, investidores voltam a ficar preocupados com o cenário fiscal. Em discurso nesta terça-feira, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que o Brasil é um país rico e pode atender "os mais necessitados por mais tempo", em uma indicação de que o governo federal pode estender, mais uma vez, o auxílio emergencial pago desde o surgimento da pandemia de covid-19.

Segundo a Bloomberg, já há um estudo no governo que avalia estender o auxílio emergencial até abril de 2022. 

Para analistas, a possibilidade aumenta as incertezas uma vez que não há espaço no orçamento para novos gastos sem contrapartidas. Além disso, a sinalização indica que o governo está encontrando dificuldades para custear o Auxílio Brasil, novo programa de transferência de renda que substituiria o Bolsa Família.

Destaques da bolsa

No Brasil, uma das principais representantes do setor de tecnologia lidera as perdas do Ibovespa: os papéis do Banco Inter (BIDI11/BIDI4) recuam em torno de 11%. A queda é seguida pelas ações de outra fintech, a Méliuz (CASH3), que cai 8,35%, enquanto o Banco Pan (BPAN4), 4,73%. Ainda no setor, Locaweb (LWSA3) e Totvs (TOTS3) têm respectivas perdas de 5,65% e 3,99%. 

Ações de empresas de e-commerce também figuram na ponta negativa, com Americanas (AMER3) e Magazine Luiza (MGLU3), caindo 6,44% e 5,53%, respectivamente. A Petz (PETZ3), com grandes expectativas de crescimento embutidas no preço, tomba 5,35%.

Entre as maiores quedas ainda estão as ações da Hapvida (HAPV3) e NotreDame Intermádica (GNDI3), que recuam 6,16% e 5,9%, respectivamente, após o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) emitir nota classificando como ‘complexa’ a possível fusão entre as companhias. O órgão antitruste teme que o negócio gere concentração regional no mercado de saúde e solicitou informações complementares para aprofundar a análise do acordo.

Apenas oito ações do Ibovespa operam no campo positivo. Os maiores destaques ficam com os papéis de frigoríficos, com a Minerva (BEEF3) subindo 2,04% e liderando as altas do setor.

Na última sexta-feira, o Cade autorizou a aquisição de ações da BRF (BRFS3) pela Marfrig (MRFG3), o que deu fôlego ao setor. Os papéis da BRF sobem 1,52%, enquanto Marfrig sobe 0,29%. Já a JBS (JBSS3) opera em queda de 0,01%.

Vale lembrar que, na última passada, o Morgan Stanley recomendou a compra de Minerva e JBS e, hoje, o Santander recomendou compra dos ativos, bem como manutenção de BRF e Marfrig.

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Guilherme Guilherme | Beatriz Quesada

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