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Ibovespa cai 6,6% em setembro, pior resultado mensal desde março de 2020

PUBLICADO EM: 30.9.21 | 17H34
ATUALIZAÇÃO: 1.10.21 | 7H09
Apesar da alta das ações ligadas às commodities, índice cedeu à pressão negativa do exterior

Resumo do investidor

- Ibovespa recua 0,11% e fecha pregão aos 110.979 pontos; - Dólar comercial avança 0,29 e encerra sessão negociado a 5,44 reais; - EUA: Dow Jones cai 1,59%, S&P 500 tem queda de 1,19% e Nasdaq recua 0,44%.

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Painel com cotações na bolsa brasileira, a B3 | Foto: Germano Lüders/Exame

Foto de Beatriz Quesada da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Beatriz Quesada

Repórter de mercados, passou pelas redações da revista Capital Aberto e rádio BandNews FM | beatriz.quesada@exame.com



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Após passar grande parte do dia em alta, o Ibovespa virou para queda nos últimos minutos do pregão desta quinta-feira, 30. O principal índice da B3 acompanhou o cenário negativo no exterior, onde os principais índices dos Estados Unidos encerraram o dia com quedas superiores a 1%.

Por aqui, o Ibovespa caiu 0,11%, fechando o mês de setembro aos 110.979 pontos. No acumulado mensal, o índice amargou fortes perdas de 6,57% – este é o terceiro mês consecutivo que o Ibovespa fica no vermelho. No ano, o índice cai 6,75%.

O viés negativo começou logo nas primeiras sessões de setembro, com o índice caindo 3,78% após os protestos antidemocráticos convocados pelo presidente Jair Bolsonaro para o dia 7 de setembro. Os maiores fatores de queda, no entanto, foram externos.

O Federal Reserve (Fed, banco central americano) indicou que deve começar já em novembro o processo conhecido como tapering, que consiste na redução gradual do volume de compra de ativos. A inflação em alta nos Estados Unidos também alimenta a perspectiva de elevação na taxa de juros antes do esperado, estressando as bolsas.

“O mercado já sabia que essa redução de estímulos ocorreria, mas não gostou do prazo. Afinal, são 120 bilhões de dólares mensais injetados na economia”, avalia Rafael Bombini, especialista em renda variável da EWZ Capital.

Outro ponto de incertezas veio da China. “Por lá, tivemos este mês possibilidade de quebra da Evergrande, crise energética que afetou a indústria e indicativos de desaceleração econômica. Isso causa reflexos no mundo inteiro”, afirma Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos.

Além das questões que pesaram negativamente ao longo do mês, hoje as bolsas americanas sofreram com indefinições no campo político. Apenas no final da tarde  republicanos e democratas chegaram a um acordo para o orçamento do país, evitando um ‘shutdown’ no governo – condição que paralisaria órgãos federais do país.

Somados os fatores negativos, os três principais índices de Wall Street registraram seu pior fechamento de mês no ano. O S&P 500 caiu 1,19% – seu pior mês desde março de 2020 –, enquanto o Dow Jones recuou 1,69% e o Nasdaq caiu 0,44%. 

Já o dólar, que ganhou força no mundo com o cenário incerto para os mercados, subiu 0,29% no Brasil, encerrando a sessão negociado a 5,44 reais. 

Vale lembrar que o desempenho volátil da moeda hoje também foi influenciado pela formação da Ptax, taxa de câmbio calculada pelo Banco Central e usada como referência para contratos envolvendo negócios em dólar. A Ptax é calculada diariamente, mas os investidores ficam muito atentos à Ptax do último pregão do mês porque ela será utilizada para contratos cambiais do mês seguinte.

Destaques da bolsa

As ações da Vale (VALE3) chegaram a subir mais de 1% ao longo do pregão, sustentando o Ibovespa no campo positivo. Os papéis fecharam o dia em alta de 0,58%, acompanhando a alta de 4,47% do minério de ferro na China.

A forte valorização ocorreu com as siderúrgicas chinesas aumentando seus estoques da commodity antes do feriado prolongado da Semana Dourada, que tem início nesta sexta-feira, 1, no Dia Nacional. A data marca o aniversário de fundação da República Popular da China – as comemorações paralisam o país por uma semana. 

A valorização do minério impulsionou ações de siderúrgicas, com Gerdau (GGBR4), Metalúrgica Gerdau (GOAU4) e CSN (CSNA3), que ficaram entre as maiores altas do dia e subiram mais de 3%.

Maiores altas

Maiores quedas

PetroRioPRIO3

9,50%

Banco InterBIDI11

-7,26%

LocawebLWSA3

4,86%

Banco InterBIDI4

-5,83%

GerdauGGBR4

3,95%

CieloCIEL3

-4,58%

Ainda no setor de commodities, as ações da PetroRio (PRIO3) disparam 9,5% mesmo com o cenário misto para o petróleo no exterior. Somente nesta semana, as ações da companhia acumulam valorização superior a 13%. Fora do índice, as ações da 3R Petroleum (RRRP3) subiram 6,42%.

Segundo analistas da Ativa Investimentos, as altas de hoje ocorreram porque investidores estão na expectativa para ver quem levará os campos de Albacora e Albacora Leste, que fazem parte do programa de desinvestimentos da Petrobras.

Vale lembrar que o aumento de posições no setor ocorre em meio à crescente expectativa de que o petróleo se mantenha em patamares mais elevados, podendo chegar a 90 dólares por barril, segundo o Goldman Sachs.

Já os papéis da própria Petrobras (PETR3/PETR4) fecharam o dia em queda de 0,07% e 0,58%, respectivamente. Isso porque ainda restam dúvidas se a estatal – que é pressionada a não subir o preço do combustível – irá se beneficiar da alta do petróleo.

Na lanterna do índice, ficaram novamente os papéis do Inter (BIDI11/BIDI4), que caíram 7,26% e 5,83%, respectivamente. O Inter sofre com as perspectivas de juros mais altos. Além disso, o papel passa por um movimento de correção após fortes altas nos primeiros meses do ano.

Foto de Beatriz Quesada da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Beatriz Quesada

Repórter de mercados, passou pelas redações da revista Capital Aberto e rádio BandNews FM | beatriz.quesada@exame.com


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