Exame Invest
Mercados

Ibovespa desaba 3,5% com temor de gasto fora do teto; dólar supera R$ 5,59

PUBLICADO EM: 19.10.21 | 10H27
ATUALIZAÇÃO: 19.10.21 | 16H06
Investidores temem que extensão de custos com programas sociais do governo fique fora de teto de gastos

Resumo do investidor

Às 16h: - Ibovespa cai 3,58%, aos 110.336 pontos; - Dólar comercial avança 1,35%, a 5,595 reais; - EUA: S&P 500 sobe 0,64%, Dow Jones 0,42% e Nasdaq, 0,65%.

B3; Bolsa; Bovespa; Painel; Investimento; Ações

Painel de cotações da B3 | Foto: Germano Lüders/Exame

Foto de Guilherme Guilherme da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Foto de Beatriz Quesada da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Guilherme Guilherme | Beatriz Quesada

Repórteres da Exame



Compartilhe nas redes sociais
GUIA
Em alta

INVISTA 4MIN

O Ibovespa recua nesta terça-feira, 19, em meio a preocupações sobre os impactos de uma possível extensão de gastos com programas sociais do governo federal. O movimento de queda ocorre na contramão do tom positivo no exterior, onde investidores seguem otimistas com os resultados corporativos do terceiro trimestre. Às 15h25, o principal índice da B3 recuava 3,58%, aos 110.336 pontos.

Além dos preços das ações, os temores fiscais afetam a apreciação do dólar no país, que já é negociado a 5,595 reais, em alta de 1,35%. A performance do real é a pior entre as principais divisas emergentes do mundo, que ganham valor perante o dólar, se recuperando das perdas da véspera.

"Notícias sobre a intenção do governo de estender o auxílio elevam a tensão nos mercados", diz em nota Ricardo Gomes da Silva, economista da Correparti. Segundo ele, o cenário é "propício ao aprofundamento dos riscos fiscais, com impactos diretos sobre o dólar e, consequentemente, sobre a inflação".

Durante a manhã, o Banco Central surpreendeu o mercado ao anunciar leilão de 500 milhões de dólares no mercado à vista, mas o efeito sobre a moeda foi apenas temporário.

Segundo o jornal Estado de S. Paulo, o governo de Jair Bolsonaro irá anunciar às 17h o Auxílio Brasil, programa de transferência de renda que irá substituir o Bolsa Família. Ainda de acordo com o Estadão, o pagamento médio do auxílio será de 400 reais, sendo que cerca um quarto deste valor deve ficar de fora do teto de gastos. Como pano de fundo ainda estão as últimas declarações do presidente da Câmara, Arthur Lira, que se mostrou favorável aos gastos sociais em detrimento da disciplina fiscal.

As preocupações sobre o teto de gastos, os juros futuros são negociados em alta na B3. Nesta terça, o DI com vencimento em janeiro de 2022 sobe 1,5% para 7,5%, enquanto o com vencimento em 2025 avança 2,6%, a 10,54%. 

"A curva de juros é o termômetro de risco. Toda vez que o Brasil vai no caminho de perder a credibilidade fiscal, o mercado vai pedir mais juros para emprestar dinheiro ao país. Então ativos de risco, como ações, vão sofrer", disse Jerson Zanlorenzi, head da mesa de renda variável do BTG Pactual digital, no morning call de hoje.

Segundo a Bloomberg, o diretor do Banco Central, Fabio Kanczuk, disse que o BC poderia apertar a política monetária em caso de deterioração do cenário fiscal. 

Destaques da bolsa

Do lado das ações, a Petrobras (PETR3/PETR4) com o segundo maior peso do índice, cai mais de 3%, na contramão da alta do petróleo no exterior. No radar, estão preocupações sobre uma guinada populista do governo. A PetroRio (PRIO3), sem risco de intervenção típico de estatais, sobe 0,81% e fica entre as maiores altas do dia.

"Num ambiente de ruídos como o atual até boatos ganham força e muitos especulam que uma eventual greve dos caminhoneiros pode forçar o presidente a intervir mais uma vez no preço dos derivados de petróleo. Este conjunto de pequenos problemas jogam areia na leitura geral da economia", afirma em nota André Perfeito, economista-chefe da Necton.

Com a alta dos juros futuros, o mercado também penaliza com múltiplos mais elevados, como costumam ser as do setor de tecnologia, e ligadas à economia local. Entre as maiores perdas do Ibovespa estão Azul (AZUL4), Méliuz (CASH3) e Cielo (CIEL3), que recuam mais de 7%.

Investidores também aproveitam para se desfazer de papéis que estiveram entre as maiores altas dos últimos dias, como os das Lojas Americanas (LAME4), que recuam mais de 2%, após terem disparado mais de 20% no último pregão A forte valorização ocorreu depois que empresa anunciou que está estudando uma fusão com as Americanas (AMER3) antes de listar suas ações na Nasdaq.

Entre os papéis com maior participação no Ibovespa, as ações da Vale (VALE3) recuam 0,84%, sem acompanhar a alta do minério de ferro na China, após o BHP apresentar queda de produção. Nesta noite, será a vez da mineradora brasileira apresentar seu relatório de produção do terceiro trimestre.

Outra empresa com participação relevante no índice, a B3 (B3SA3), cai 1,94%, após anunciar a compra da Neoway por 1,8 bilhão de reais, focada em análise de grandes bases de dados.

Na ponta positiva do índice, os papéis da Getnet (GETT11) lideram os ganhos avançando 17,23%, após terem estreado em alta de mais de 60% na véspera. Fora do Ibovespa, as ações ordinárias (GETT3) e preferenciais (GETT4) sobem em torno de 30%.

 

Foto de Guilherme Guilherme da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Foto de Beatriz Quesada da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Guilherme Guilherme | Beatriz Quesada

Repórteres da Exame


Compartilhe nas redes sociais
Mosaico do rodapé com as cores da Exame