Ibovespa cai com temores sobre renovação de auxílio emergencial | Exame Invest
Exame Invest
MERCADOS

Ibovespa cai com temores sobre renovação de auxílio emergencial

PUBLICADO EM: 9.2.21 | 9H34
ATUALIZAÇÃO: 9.2.21 | 18H25
Extensão do benefício pode ser feita fora do teto de gastos e sem a contrapartida de redução de despesas

Foto de Guilherme Guilherme da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Foto de Beatriz Quesada da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Guilherme Guilherme | Beatriz Quesada

Repórteres da Exame



Compartilhe nas redes sociais
GUIA
Em alta

INVISTA 3MIN

O Ibovespa encerrou o dia em queda após passar a maior parte do pregão perto da estabilidade nesta terça-feira, 9. No ânimo dos investidores, os temores sobre a situação fiscal do país ficaram sobrepostos ao avanço de pautas econômicas no Congresso. O índice recuou 0,19% para 119.471 pontos.

Conheça o maior banco de investimentos da América Latina e invista com os melhores assessores

A maior preocupação é a possível renovação do auxílio emergencial sem contrapartidas de corte de gastos. O cenário externo também não contribui, com as principais bolsas internacionais passando por realizações de lucros após sequências de altas. Nos Estados Unidos, os três principais índices (Nasdaq, Dow Jones e S&P 500) encerraram o último pregão em níveis recordes e hoje também operam próximos à estabilidade.

O Dow Jones encerrou o dia em leve variação negativa de 0,03% aos 31.375 pontos enquanto o S&P500 encerrou o dia em queda de 0,11%, aos 3.911 pontos. O índice de tecnologia Nasdaq subiu 0,14%, para 14.007 pontos.

Internamente todas as atenções estão voltadas para Brasília. Segundo reportagem do Estado de S. Paulo, o Congresso estuda viabilizar a renovação do benefício sem a contrapartida de cortes de despesas e fora do teto de gastos. O presidente Jair Bolsonaro já sinalizou que deve haver a extensão do auxílio.


Recomendado para você

Real recua em dia de dólar fraco

Além de impor maior cautela às negociações na bolsa, o temor fiscal tem pressionado principalmente o mercado de câmbio. O real teve a maior desvalorização frente ao dólar entre as principais moedas do mundo, o que levou o Banco Central a intervir com venda de 1 bilhão de dólares no mercado de derivativos.

Nesta terça-feira, a moeda americana subiu 0,192% contra o real, e encerrou o dia negociada a 5,389 reias.

“Se não tivesse essa história do auxílio, era para ser um dia de forte queda [do dólar], com o Congresso destravando a agenda econômica”, diz Jefferson Ruik, diretor de câmbio da Correparti.

O real não apenas liderou as perdas nos mercados de câmbio como foi apenas uma das três moedas dentre 33 pares do dólar a recuar. Peso colombiano (-0,15%) e peso argentino (-0,11%) também caíam no dia em que o índice do dólar recuava 0,55% globalmente.

O próprio presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, falou a respeito do tema em evento virtual realizado nesta terça. Segundo ele, há forte impacto da questão fiscal sobre a volatilidade do câmbio, o que é preocupante. Campos Neto também afirmou que a recuperação econômica do Brasil “perdeu o momento”.

Durante sua fala, o Ibovespa tocou a mínima do dia, com queda superior a 1%. “Mais uma vez o Campos Neto mostra que a situação financeira do país é conturbada e estende a bandeira da necessidade da austeridade fiscal”, diz Henrique Esteter, analista da Guide.

Apesar do cenário negativo, os temores são aliviados com as expectativas de que Câmara aprove a autonomia do Banco Central e o fato de que o texto da reforma administrativa foi enviado nesta tarde à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara.

IPCA

Nesta manhã, o IBGE divulgou o IPCA de janeiro, que ficou em 0,25%, abaixo das projeções de 0,31%. No acumulado de 12 meses, o IPCA ficou em 4,56% ante estimativas de 4,61%. Esta foi a primeira vez desde junho que a inflação sai abaixo das expectativas de mercado. Com isso, os juros futuros com vencimento em janeiro de 2022 apresentam leve queda nesta manhã.

“O indicador veio bem abaixo de nossas projeções. Ainda assim, existem pressões importantes no meio do caminho, como alimentação e transportes, que podem se incrementar nos próximos meses. Ou seja, o IPCA passou por um alívio temporário de curto prazo, o que não significa que será assim nos próximos meses”, comenta Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset.


Leia também

Foto de Guilherme Guilherme da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Foto de Beatriz Quesada da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Guilherme Guilherme | Beatriz Quesada

Repórteres da Exame


Compartilhe nas redes sociais
Mosaico do rodapé com as cores da Exame