MERCADOS

Ibovespa cai com crise na Turquia e preocupação com pandemia; dólar sobe

PUBLICADO EM: 22.3.21 | 9H22
ATUALIZAÇÃO: 22.3.21 | 17H23
Na contramão, bolsas dos EUA avançam com recuo do rendimento dos títulos americanos com vencimento em 10 anos
B3; Bolsa; Bovespa; Painel; Investimento; Ações

Foto de Beatriz Quesada da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Foto de Paula Barra da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Beatriz Quesada | Paula Barra

Repórteres da Exame



Compartilhe nas redes sociais
GUIA
Em alta

INVISTA 4MIN

Quadro geral do dia:

  • Ibovespa cai 1,07%, em 114.978 pontos
  • Dólar comercial sobe 0,59% e fecha em 5,51 reais
  • EUA: Dow Jones avança 0,32%, S&P 500 tem alta de 0,70% e o índice de tecnologia Nasdaq sobe 1,23%
  • Rendimento dos títulos americanos de 10 anos cai 0,04 ponto percentual, para 1,68%

Descolado das bolsas americanas, o Ibovespa caiu nesta segunda-feira, 22, em meio ao aumento da aversão ao risco a mercados emergentes provocado pela crise na Turquia, após demissão do presidente do banco central do país, e preocupações em relação ao avanço da pandemia no Brasil. O dólar comercial, por sua vez, subiu 0,6%, indo para 5,51 reais.

Quer mudar de carreira e não sabe por onde começar? Conheça as Jornadas de Finanças e Negócios

Na Turquia, a troca no comando da instituição foi exigida pelo presidente do país, Recep Tayyip Erdogan. A destituição foi anunciada após o banco central turco aumentar a principal taxa de juros de 17% para 19% ao ano, na tentativa de conter a inflação por lá, que avançou para quase 16% no mês passado, bem acima da meta de 5%. Com a notícia, a lira turca chegou a cair mais de 15% frente ao dólar nesta segunda-feira.

Segundo Jerson Zanlorenzi, responsável pela mesa de ações e derivativos do BTG Pactual digital, esses dois fatores – Turquia e situação da covid – pressionam o mercado brasileiro hoje.

"Temos uma situação da covid ainda complicada no país. Os hospitais ainda estão com capacidade de UTIs baixa e ocupação alta, enquanto temos sinalizações de melhora no ritmo de vacinação só nos próximos meses. Isso deixa o cenário doméstico muito frágil em relação à pandemia", comentou.  

O Brasil já ultrapassou 15 mil mortes semanais, superando o pico de mortalidade registrado por semana pelos Estados Unidos, que foi de 66 por milhão, conforme dados coletados e organizados pelo Instituto Estáter.

"A preocupação com o coronavírus é muito grande, a maioria das ações cai com base no nosso cenário doméstico", afirma Gustavo Bertotti, economista-chefe da Messem Investimentos.

Aliado a isso, Zanlorenzi aponta que a Turquia, embora não tenha uma correlação de um para um com o Brasil, traz turbulência também por se tratar de uma economia emergente. "Estamos falando de uma economia par com a nossa. Eventualmente, o mercado sente isso, como podemos ver na variação da bolsa hoje", disse.

O movimento do Ibovespa foi na contramão dos índices acionários americanos, que tiveram dia de recuperação após as fortes quedas na última semana. Nos EUA, os mercados reagiram positivamente ao recuo do rendimento dos títulos americanos de 10 anos — taxa usada como medida de expectativa para a inflação no país. Após ultrapassar a marca de 1,75% na última semana, o rendimento dos treasuries recuou para 1,68% nesta sessão.

Destaques de ações

No Ibovespa, as maiores altas do dia ficaram por conta de Pão de Açúcar (PCAR3), Minerva (BEEF3) e Marfrig (MRFG3), com ganhos de 5,05%, 3,26% e 2,44%, respectivamente.

Os papéis do Pão de Açúcar deram continuidade à disparada de sexta-feira, quando subiram 13%, após notícia de que o Casino, controlador do GPA, considera reduzir sua participação na Cnova, braço de e-commerce do grupo, do qual o GPA tem 34% de participação.

No caso dos frigoríficos, analistas da Ativa Investimentos comentaram que os papéis da Minerva e Marfrig repercutiram dados de importação chinesa de carnes em janeiro e fevereiro, divulgados pela Administração Geral de Alfândega da China (Gacc, na sigla em inglês), que apresentaram alta de 27,6% ante o primeiro bimestre do ano passado.

Do lado negativo, os papéis da Embraer (EMBR3), Azul (AZUL4) e Gol (GOLL4) lideraram as perdas, com quedas de 7,44%, 6,10% e 3,63%, nesta ordem.

Os analistas da Ativa apontaram que as ações da Azul e Gol sofrem por conta da piora do cenário da pandemia no Brasil, que deve prejudicar o fluxo de pessoas em viagens no curto prazo e, consequentemente, impactar as receitas das empresas.

Destaque negativo também nesta sessão para Vale, que caiu 1,66%, e siderúrgicas, pressionadas pela queda do minério de ferro. A commodity negociada no porto chinês de Qingdao recuou 2,71% neste pregão, indo para 157,01 dólares a tonelada. No setor de siderurgia, Gerdau (GGBR4), Metalúrgica Gerdau (GOAU4), CSN (CSNA3) e Usiminas (USIM5) registram perdas entre 1,7% e 3,1%.

Focus responde à nova Selic

O Banco Central divulgou nesta manhã o primeiro relatório Focus após a elevação da taxa Selic de 2% para 2,75% ao ano. As projeções do mercado financeiro para a Selic seguiram o comunicado mais duro do BC, e as expectativas da Selic em 2021 subiram de 4,5% para 5% e, para 2022, passaram de 5,5% para 6%.

As projeções para o IPCA também foram elevadas de 4,60% para um aumento de 4,71% neste ano. Para 2022, as estimativas oscilaram de 3,50% para 3,51% em 2022. 

Já no PIB, as expectativas oscilaram para baixo: a projeção de crescimento para 2021 passou de 3,23% para 3,22%. Para 2022 foram mantidas as expectativas de um crescimento de 2,39% no PIB.

B3 abre no feriado

A B3 anunciou na última sexta-feira, 10, que irá manter as operações de mercado financeiro normalmente mesmo após a prefeitura de São Paulo ter decidido antecipar cinco feriados municipais para o período entre 26 e março e 1 de abril. A medida da prefeitura paulista tenta reduzir a circulação de pessoas no momento mais crítico da pandemia de Covid-19 no Brasil e, com isso, frear a disseminação do coronavírus.

Vale lembrar que este é o último ano em que a bolsa segue o calendário de feriados municipais de São Paulo. A partir de 2022, a B3 seguirá apenas o calendário nacional, passando a desconsiderar os feriados municipais e estaduais.3

Foto de Beatriz Quesada da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Foto de Paula Barra da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Beatriz Quesada | Paula Barra

Repórteres da Exame


Compartilhe nas redes sociais
Mosaico do rodapé com as cores da Exame