MERCADOS

Ibovespa sobe 1,5% com fala de Campos Neto e setor elétrico em alta

PUBLICADO EM: 25.3.21 | 9H22
ATUALIZAÇÃO: 25.3.21 | 18H21
Bolsa brasileira sobe depois de três pregões de queda; presidente do BC sinalizou que aumento da taxa de juros deve ser menos intensa que a precificada pelo mercado

Foto de Beatriz Quesada da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Beatriz Quesada

Repórter de mercados, passou pelas redações da revista Capital Aberto e rádio BandNews FM | beatriz.quesada@exame.com



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Quadro geral do dia às 16h58:

  • Ibovespa sobe 1,50%, aos 113.749 pontos
  • Dólar comercial avança 0,55% e encerra cotado em 5,67 reais
  • EUA: Dow Jones sobe 0,62%, S&P 500 tem alta de 0,52% e Nasdaq registra valorização de 0,12%
  • Europa: STOXX600 fechou em leve baixa de 0,07%

O Ibovespa fechou em alta de 1,5% nesta quinta-feira, 25, deixando para trás três pregões seguidos de queda, impulsado pelo cenário corporativo positivo e por declarações do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. No mesmo sentido, o dólar comercial também fechou em terreno positivo, perto da máxima do dia. A moeda avançou 0,55%, negociada a 5,67 reais na venda. 

O presidente do BC reforçou que a volta à taxa neutra de juros não deve ocorrer agora. A sinalização indica que o aumento na taxa Selic deve ser menos intenso do que aquele que vinha sendo precificado pelo mercado durante a manhã.

"O ajuste mais célere nos faz crer que fazer mais, e fazer mais rápido, faz com que a intensidade total [da elevação da Selic] deva ser menor", disse o presidente em entrevista à imprensa para comentar o Relatório Trimestral de Inflação (RTI) de março.

Segundo Jerson Zanlorenzi, responsável pela mesa de ações e derivativos do BTG Pactual digital, dois pontos contribuíram para a alta do mercado doméstico hoje. "A Bolsa estava um pouco descolada do mercado internacional nos últimos dias, o que abriu espaço para valorização. Além disso, as declarações de Roberto Campos Neto, jogando um pouco de balde d'água fria em relação ao juros muito altos, também favoreceu um pouco a Bolsa", comentou.

"A percepção de que, apesar de uma alta de juros, não deveremos ter, no médio prazo, juros tão elevados, naturalmente, favoreceu a curva de juros pela manhã e, consequentemente, a Bolsa. Com isso, vimos setores que estavam mais descontados no mercado, subirem bem hoje, como o bancário e p elétrico", disse.

No campo corporativo, os papéis do setor elétrico foram destaques. A Equatorial Energia (EQTL3) liderou os ganhos do Ibovespa e subiu perto de 7%, seguida por Energisa (ENGI11) Eletrobras (ELET3; ELET6), que avançaram em torno de 5%.

O avanço da Eletrobras repercutiu a escolha de Rodrigo Limp Nascimento para ocupar o cargo de presidente da companhia, decisão que agradou o mercado. Limp é secretário de energia elétrica do Ministério de Minas e Energia e foi diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) entre maio de 2018 e março de 2020. O nome com experiência no setor público e formação acadêmica no setor elétrico foi bem recebido, e as ações ordinárias da companhia avançaram 4,96%.

Já as ações da Equatorial (EQTL3) subiram 6,95% após os resultados de 2020 surpreenderem o mercado. A Equatorial encerrou 2020 com lucro líquido ajustado de 2,257 bilhões de reais, crescimento de 52% em relação ao desempenho de 2019. No último trimestre do ano, a empresa teve lucro líquido de 1,4 bilhão de reais, com avanço de 6,8% na comparação anual, impulsionada por empresas adquiridas em privatizações.

"A receita operacional do 4º tri superou as expectativas e a Equatorial também disse que está com o caixa fortalecido e avalia novas oportunidades de M&A. Então mercado olha com bons olhos para a Equatorial", afirma Stefany Oliveira, analista da Toro Investimentos. A Energisa sobe embalada pelas altas do setor.

No exterior, os três principais índices americanos - Dow Jones, S&P500 e Nasdaq - fecharam em alta após ficar boa parte da manhã em terreno negativo após declarações do presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano) sobre a política de estímulos do país.

Em entrevista nesta manhã, Jerome Powell deu a entender que -- eventualmente -- os estímulos à economia americana seriam retirados conforme o país mostrasse recuperação. Foi o suficiente para colocar os principais índices futuros americanos em queda, revertendo a recuperação de mais cedo.

À medida que o país progride, o Fed irá “reverter gradualmente” as compras mensais de títulos de 120 bilhões de dólares que faz atualmente. Os aumentos de juros só serão avaliados "quando a economia estiver praticamente totalmente recuperada", disse Powell em entrevista à National Public Radio (NPR).

Foto de Beatriz Quesada da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Beatriz Quesada

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