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Ibovespa cai mais de 3% com reação a ataques de Bolsonaro; dólar dispara

PUBLICADO EM: 8.9.21 | 9H17
ATUALIZAÇÃO: 8.9.21 | 16H24
Tensão aumenta após atos de 7 de setembro; Fux diz que "ninguém" irá fechar o STF

Resumo do investidor

Às 16h25: - Ibovespa cai 3,69%, aos 113.523 pontos; - Dólar comercial sobe 2,68%, negociado a 5,31reais; - EUA: Dow Jones cai 0,14%, S&P 500, 0,11% e Nasdaq, 0,88%.

Protesto 7 de setembro; Bolsonaro; protesto liberdade

Manifestações: crise institucional pode afetar reformas econômicas | Foto: Eduardo Frazão/Exame

Foto de Beatriz Quesada da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Foto de Guilherme Guilherme da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Beatriz Quesada | Guilherme Guilherme

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O Ibovespa volta do feriado em firme queda em dia de ajustes no mercado internacional e aumento das tensões políticas locais. O principal índice da B3 acelerou as perdas no início da tarde e, às 16h25, recua 3,69%, aos 113.523 pontos. 

As atenções dos investidores nesta quarta-feira, 8, estão voltadas aos desdobramentos dos atos convocados pelo presidente Jair Bolsonaro em 7 de setembro. Na véspera, Bolsonaro renovou seus ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) e afirmou que não iria cumprir decisões do ministro Alexandre de Moraes, responsável pelo inquérito das fake news. Nesta tarde, o presidente do STF, ministro Luiz Fux foi contundente ao declarar que "ninguém" irá fechar a Corte e que o desprezo por decisões judiciais representa crime de responsabilidade. 

Na Câmara, a pressão pela abertura de um impeachment aumenta, mas o presidente da Casa, Arthur Lira, colocou panos quentes sobre a questão em pronunciamento na tarde de hoje. Lira fez críticas indiretas à Bolsonaro e afirmou que é preciso dar um “ basta nessa escalada [de tensão] em um infinito looping negativo”. Ainda assim, o presidente da Câmara não citou impeachment e pediu serenidade e respeito às leis até as eleições de 2022.

Na véspera, o vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos (PL-AM), afirmou em suas redes sociais que a abertura do processo de impeachment de Bolsonaro seria "inevitável".

Para o mercado, a crise institucional, que já vinha fazendo preço na bolsa, aumenta as incertezas e pode inviabilizar a aprovação de reformas econômicas até a próxima eleição. “O resultado [das manifestações] será mais incerteza e volatilidade e, provavelmente, menos crescimento e mais inflação", avalia a corretora Genial, em nota.

A instabilidade também estressa o mercado de câmbio, levando o dólar comercial a uma alta de 2,68%. A moeda americana é negociada a 5,314 reais.

"A sensação de piora da crise institucional deve continuar aumentando a volatilidade quanto a aversão ao risco no Brasil, o que pode continuar provocando pressão na nossa moeda", afirma Cristiane Quartaroli economista do Banco Ourinvest.

No exterior, os índices futuros americanos recuam após bancos de investimento se mostrarem preocupados com a capacidade de crescimento das bolsas dos Estados Unidos. Os motivos de preocupação são a possível redução dos estímulos monetários do Federal Reserve (Fed, banco central americano) e um cenário de inflação em alta.

Os investidores seguem temerosos com o avanço da variante delta no mundo. O foco das preocupações é a Ásia: as Filipinas voltaram atrás na redução das restrições na região da capital, o Japão anunciou que pode estender as ordens de estado de emergência e Taiwan identificou um surto de variante delta na cidade de Nova Taipei.  

Na Europa, o Stoxx 600 fechou em queda de 1,06%, em véspera da decisão monetária do Banco Central Europeu (BCE), prevista para esta quinta-feira, 9. No radar, estão discussões sobre o início da retirada de estímulos, o chamado tapering, por parte do BCE. A expectativa é de que a Europa anuncie o tapering até o fim do ano, assim como os Estados Unidos.

Destaques da bolsa

Em um dia negativo para a bolsa, apenas seis ações operam no campo positivo. Os papéis de Localiza (RENT3) e Unidas (LCAM3) são o principal destaque, disparando mais de 7%. As ações reagem a um parecer da Superintendência-geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que recomendou a aprovação da fusão das empresas.

O saldo foi positivo na visão de analistas, que foram surpreendidos pelo parecer favorável. “Esta recomendação é um sinal positivo, pois muitos investidores esperavam a reprovação do negócio nesta primeira revisão do processo, devido ao recente fluxo de notícias desfavoráveis (o mercado migrou para nosso pior cenário recentemente)”, destacam analistas da Necton Research em relatório. 

Na ponta negativa, as ações das Méliuz (CASH3) são o principal destaque negativo do dia, com queda de 7,56%. Já a Americanas (AMER3) recua 7,14%

As ações com maior peso no índice – Vale (VALE3), Petrobras (PETR3/PETR4) e bancos – recuam e puxam o Ibovespa para baixo. A mineradora recua 1,69%, seguindo a queda do minério de ferro no mercado internacional, enquanto a petroleira registra perdas superiores a 3% mesmo com a alta do petróleo. Entre os bancos, Bradesco (BBDC4) apresenta a maior perda, recuando 4,15%. Itaú (ITUB4), Santander (SANB11) e Banco do Brasil (BBAS3) recuam mais de 3%.

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