Exame Invest
Mercados

Ibovespa cai na contramão do exterior com riscos políticos e fiscais

PUBLICADO EM: 23.8.21 | 9H27
ATUALIZAÇÃO: 23.8.21 | 16H04
Riscos domésticos ficam no radar enquanto bolsas globais monitoram andamento da política monetária nos Estados Unidos

Resumo do investidor

Às 16h: - Ibovespa recua 0,34%, aos 117.654 pontos - Dólar comercial cai 0,15%, negociado a 5,377 reais; - EUA: Dow Jones sobe 0,74%, S&P 500 avança 0,98%, Nasdaq tem alta de 1,55%.

(NurPhoto via Getty Images)

Foto de Beatriz Quesada da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Foto de Guilherme Guilherme da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Beatriz Quesada | Guilherme Guilherme

Repórteres da Exame



Compartilhe nas redes sociais
GUIA
Em alta

INVISTA 4MIN

O Ibovespa opera em queda nesta segunda-feira, 23, apagando o alívio conquistado no último pregão. Às 16h, o principal índice da B3 recua 0,34%, aos 117.654 pontos, com os riscos políticos e fiscais se sobrepondo ao otimismo externo. Também com o cenário interno no radar, o dólar comercial opera próximo da estabilidade, sem acompanhar a sólida valorização de moedas emergentes no exterior. 

No Brasil, investidores seguem avaliando as desavenças políticas de Brasília, em especial a tensão entre o governo de Jair Bolsonaro e o Supremo Tribunal Federal. O presidente apresentou ao Senado o pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes na última sexta-feira, 20, e anunciou que deve repetir o processo para o ministro Luís Roberto Barroso nos próximos dias. 

Bolsonaro também vetou o aumento de 5,7 bilhões de reais do Fundo Eleitoral da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), o que pode causar novo embate com o Congresso. 

Os atritos têm aumentado a cautela dos investidores, pressionando o câmbio e a bolsa. “Os mercados internacionais acumulam alta de 12% a 14% no ano enquanto o Ibovespa recua 0,81% porque os ruídos políticos pesam negativamente” destacou Jerson Zanlorenzi, responsável pela mesa de renda variável e derivativos do BTG Pactual digital.

Zanlorenzi acredita, no entanto, que há espaço para recuperação se houver algum avanço nas reformas tributária e administrativa essa semana. “Ainda assim, o mercado deve ficar de olho na questão internacional com o Simpósio de Jackson Hole”, concluiu Zanlorenzi durante a Abertura de Mercado desta segunda-feira.

Exterior em alta

O mercado deve passar os próximos pregões em compasso de espera até o final da semana, quando ocorre o Simpósio de Jackson Hole, um dos principais eventos mundiais de política monetária. As atenções estão voltadas para o discurso do presidente do banco central americano, Jerome Powell, que deve dar mais detalhes sobre o “tapering”, processo de redução de estímulos monetários.

Embora a ata do Federal Reserve (Fed, BC americano) tenha sinalizado que os estímulos devem ser retirados em breve, o avanço da variante delta pode alterar as previsões. Isso porque, caso ocorra uma desaceleração da retomada econômica nos EUA causada pela variante, o Fed pode manter os estímulos por mais algum tempo. 

“Se o tapering for adiado, o incentivo monetário continua e isso é bom para as economias e bolsas mundo afora. Isso explica porque o Ibovespa se recuperou um pouco na sexta-feira e porque os mercados iniciam a semana nessa toada positiva”, afirmou Luis Mollo, analista do BTG Pactual digital.

A perspectiva de manutenção dos estímulos impulsiona os índices americanos, com o Nasdaq apresentando a maior alta, avançando 1,28%.

Na Europa, as bolsas operam em alta após a divulgação do índice de gerente de compras (PMI, na sigla em inglês) Composto da Zona do Euro. O índice marcou o menor patamar em dois meses, de 59,5 pontos, frente a 60,2 pontos na comparação mensal.

Embora mais fracos do que o esperado, parte do mercado vê os números com um bom sinal de recuperação. “Ainda assim, os dados sobre a atividade corrente continuam excepcionalmente fortes e o emprego está crescendo, já que a reabertura da economia significa demanda por trabalhadores”, avaliam analistas do ING em relatório. 

Nos Estados Unidos, os PMIs industrial, composto e de serviços serão divulgados ainda nesta manhã, com expectativas de saírem a 62,8, 58,3 e 59,4 pontos, respectivamente. Por lá, também sairão dados de vendas de casas usadas, um dos principais indicadores do mercado imobiliário do país. 

Destaques da bolsa

Entre os destaques de alta do Ibovespa está as ações ligadas ao petróleo. A PetroRio (PRIO3) avança 3,99% e lidera os ganhos do índice, seguida pela Petrobras (PETR3/PETR4) que registra ganhos de 2,8% e 1,99%, respectivamente. 

As ações acompanham a recuperação do preço do petróleo no mercado internacional, com a commodity avançando após sete sessões de perdas. O petróleo Brent é negociado em alta de 4,4%, enquanto o WTI, referência para o mercado dos EUA, sobe 4,54%.

Investidores ainda reforçam as apostas no setor de turismo, na expectativa de melhores indicadores no segundo semestre. CVC (CVCB3), Azul (AUZL4) e GOL (GOLL4) sobem 2,8%, 2,57% e 1,21%, respectivamente.

Na ponta negativa estão as ações ligadas à economia doméstica, que mais têm sofrido com a piora das percepções locais. Na lanterna do índice, a holding das Lojas Americanas segue nem queda livre, recuando mais 5,55%. No ano, os papéis que passaram por um aumento de desconfiança desde sua criticada reestruturação com a antiga B2W, têm queda de 51%.

Do mesmo setor, as ações da Magazine Luiza (MGLU3) caem 3,6%, Via (VIIA3), 3,02% e Lojas Renner (LREN3) 2,8%. No setor de construção, também atingido pela piora do cenário interno, MRV (MRVE3) e JHSF (JHSF3) caem 3,5% e 2,6%, respectivamente.

Já as ações da Sabesp (SBSP3), que lideraram as altas do último pregão, subindo 10,86%, cai 2,46% nesta segunda, com investidores realizando lucros. A forte valorização ocorreu após Rodrigo Maia, ex-presidente da Câmara dos Deputados e novo secretário de Projetos e Ações Estratégicas do estado de São Paulo, afirmar que pretende deixar encaminhada uma possível concessão ou privatização da companhia. No domingo, o governador de SP, João Doria, disse que a Sabesp será preparada para privatização nos próximos anos e que governo não fará nada de forma precipitada.

Foto de Beatriz Quesada da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Foto de Guilherme Guilherme da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Beatriz Quesada | Guilherme Guilherme

Repórteres da Exame


Compartilhe nas redes sociais
Mosaico do rodapé com as cores da Exame