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Ibovespa perde força e cai com pressão negativa do exterior e da Petrobras

PUBLICADO EM: 14.9.21 | 17H23
ATUALIZAÇÃO: 14.9.21 | 17H28
Índice subia com fala do presidente do Banco Central, mas virou para queda com piora no cenário global

Resumo do investidor

- Ibovespa cai 0,19% e encerra pregão aos 116.180 pontos; - Dólar comercial avança 0,65% e fecha sessão negociado a 5,257 reais; - EUA: Dow Jones recua 0,84%, S&P 500 cai 0,57% e Nasdaq tem queda de 0,45%.

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Painel de cotações da B3 | Foto: Germano Lüders/Exame

Foto de Beatriz Quesada da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Beatriz Quesada

Repórter de mercados, passou pelas redações da revista Capital Aberto e rádio BandNews FM | beatriz.quesada@exame.com



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Apesar do ambiente interno mais favorável, o Ibovespa virou para queda na última hora do pregão nesta desta terça-feira, 14, acompanhando a piora nas bolsas americanas. O principal índice da B3 fechou o pregão em queda de 0,19%, aos 116.180 pontos. 

O Ibovespa subiu durante a maior parte do dia, repercutindo declarações do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que participou do evento MacroDay, do BTG Pactual, nesta manhã. A uma semana da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), Campos Neto disse que irá subir a taxa Selic para converter a inflação para a meta de longo prazo, mas afirmou que irá manter o "plano de voo" no ritmo da elevação de juros, sem, necessariamente, deixar-se influenciar por "dados de alta frequência".

A interpretação do mercado foi de que o BC não deve apresentar uma alta tão forte dos juros em sua decisão monetária na próxima semana. Após a declaração de Campos Neto, aumentaram as expectativas para uma alta da taxa Selic de apenas 1 ponto percentual na próxima semana – o que favorece a bolsa. No mercado, já se esperava um aumento de 1,25 p.p. a 1,50 p.p.

À primeira vista, as surpresas também foram positivas no exterior. Divulgado nesta manhã, o índice de preço ao consumidor americano (CPI, na sigla em inglês) de agosto ficou em 0,3% ante o consenso de 0,4%. No acumulado de 12 meses, a inflação ao consumidor caiu de 5,4% para 5,3%. Esta foi a primeira queda da inflação anual desde a divulgação de outubro do ano passado, quando ainda estava em 1,2%. Já o núcleo do CPI de agosto, para o qual a projeção era de 0,3%, ficou em 0,1%. Com a inflação americana mais branda, cresceu a perspectiva de que a retirada de estímulos por parte do Federal Reserve irá ocorrer de forma mais lenta.

Após o CPI abaixo do esperado, o mercado americano chegou a estender seu movimento de alta, mas passou a recuar com investidores temendo que a menor inflação seja um indicativo de desaceleração da retomada econômica. Em agosto, o principal indicador do mercado de trabalho americano, o payroll, mostrou que a criação de empregos urbanos ficou menos da metade do que o esperado. 

Nos Estados Unidos, os três principais índices fecharam o dia em queda. O Dow Jones recuou 0,84%, o S&P 500 caiu 0,57% e o Nasdaq fechou o pregão em baixa de 0,45%. Na Europa, o índice Stoxx 600 fechou em queda de 0,03%. O dólar comercial acompanhou o movimento negativo no exterior e se fortaleceu frente à moeda brasileira, subindo 0,65% e encerrando a sessão negociado a 5,25 reais.

Por aqui, investidores também estiveram atentos ao crescimento do setor de serviços referente a julho, que ficou em 1,1%, acima do consenso de 1% de alta. Na comparação anual, o crescimento do setor mais atingido pela pandemia foi de 17,8%.

"O setor de serviços parece ter – finalmente – rompido uma letargia que já durava anos. A melhora recente, contudo, tem a ver com a pandemia. Quando se trata de serviços de informação e comunicação, estamos nos maiores valores da série histórica, mas os serviços prestados às famílias estão ainda em patamar extremamente baixo. Esta tendência deverá continuar nos próximos trimestres", afirma em nota André Perfeito, economista-chefe da Necton.

Destaques da bolsa

Na bolsa, as ações da Petrobras (PETR3/PETR4) ajudaram a dar o tom negativo do dia. Mesmo com a alta do petróleo no exterior, as pressões para o controle de preços do combustível pesaram negativamente sobre os papéis. As ações preferenciais (PETR4) caíram 1,33%, enquanto as ordinárias recuaram 0,74%.

Nesta terça, o presidente da estatal, general Joaquim Silva e Luna, tratou sobre o tema na Câmara. Convocado pelos deputados para explicar a alta de preços dos combustíveis, afirmou que a Petrobras não repassa “volatilidade momentânea” dos preços internacionais do petróleo para o valor dos combustíveis e reforçou que “não há espaço para aventuras”. 

A declaração ajudou a segurar a queda dos papéis da petroleira, que vinham repercutindo a fala do presidente da Câmara, Arthur Lira. Na véspera, Lira disse que o combustível está caro e que a petroleira não pode se esquecer de que "os brasileiros são seus acionistas".

A Vale (VALE3) também recuou e fechou o dia em baixa de 0,71%, acompanhando a queda do minério de ferro. Os futuros do minério caíram pela quinta sessão, para a menor cotação deste ano, com o peso das restrições à produção de aço da China.

Na ponta positiva do Ibovespa, as ações da Méliuz (CAHS3) voltaram a liderar as altas, subindo 15,1%. Ação vem atraindo investidores após quedas expressivas. Outras empresas de tecnologia, beneficiadas por um aperto monetário mais lento, figuram entre as maiores valorizações, como a Locaweb (LWSA3) e Banco Inter (BIDI11), que avançam 8,21% e 3,17%, respectivamente.

Maiores altas

Maiores quedas

MéliuzCASH3

15,10%

DexcoDXCO3

-3,07%

LocawebLWSA3

8,21%

CVCCVCB3

-2,93%

CSNCSNA3

3,89%

BRFBRFS3

-2,89%

Foto de Beatriz Quesada da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Beatriz Quesada

Repórter de mercados, passou pelas redações da revista Capital Aberto e rádio BandNews FM | beatriz.quesada@exame.com


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