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Ibovespa cai na contramão de NY com ruídos políticos; dólar sobe

PUBLICADO EM: 1.7.21 | 10H52
ATUALIZAÇÃO: 1.7.21 | 16H21
CPI ouve representante da Davati Medical Supply que denunciou suposto esquema de corrupção envolvendo compra de vacinas

Resumo do investidor

Às 16h20: - Ibovespa opera em queda de 1,28%, aos 125.180 pontos - Dólar comercial avança 1,26% e é negociado a 5,036 reais - EUA: Dow Jones sobe 0,32%, S&P 500 tem alta de 0,48% e Nasdaq avança 0,05%

Ibovespa, Bolsa

Painel de cotações da B3 | Foto: NurPhoto/Getty Images

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Foto de Beatriz Quesada da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Guilherme Guilherme | Beatriz Quesada

Repórteres da Exame



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O Ibovespa cai no primeiro pregão do semestre nesta quinta-feira, 1, na contramão do cenário internacional de alta, conforme os temores com o cenário interno se sobrepõem ao otimismo com a recuperação da economia global. 

Por aqui, reforma tributária, possível crise hídrica e CPI da Covid-19 ditam o tom do mercado, prejudicando a bolsa e o real. Às 16h20, o principal índice da B3 recuava 1,28% para 125.180 pontos, enquanto o dólar subia 1,26%, sendo negociado a 5,036 reais.

No Senado, a CPI da Covid ouve Luiz Paulo Dominguetti Pereira, o representante da Davati Medical Supply que denunciou à Folha de S. Paulo supostos esquemas de corrupção envolvendo a compra de vacinas da AstraZeneca por parte do Ministério da Saúde.

Na CPI, Pereira confirmou o pedido de propina e disse que o deputado Luís Miranda intermediou as negociações sobre a compra de vacinas. Contudo, senadores da oposição acreditam que Dominguetti seria uma testemunha plantada na CPI.

Apesar das declarações e desdobramentos, investidores seguem céticos de que as denúncias fortalecerão os pedidos de impeachment do presidente Jair Bolsonaro. "É mais um ruído", comenta Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset.

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), afirmou que irá esperar o fim da CPI para analisar os mais de 120 requerimentos de abertura de impeachment -- o que inclui o  “superpedido” protocolado pela oposição na véspera.

No exterior, o clima de recuperação impulsiona as bolsas após a divulgação de dados macroeconômicos nos Estados Unidos. Os pedidos semanais de seguro desemprego caíram de 415.000 para 364.000, atingindo o menor número desde os primeiros impactos da pandemia no mercado de trabalho americano, em março do ano passado. Os pedidos também ficaram abaixo das expectativas de 390.000.

Índices de gerente de compras (PMI, na sigla em inglês) divulgados na Europa também reforçam a perspectiva de uma forte recuperação econômica. Na Zona do Euro, o PMI industrial ficou em 63,4 pontos, bem acima da linha dos 50 pontos que divide a contração da expansão da atividade.

O índice pan-europeu STOXX 600 fechou em alta de 0,76%. Já no mercado americano, as altas são mais modestas, com o Dow Jones avançando 0,32%, o S&P 500 apresentando alta de 0,48% e o Nasdaq em leve alta de 0,05%. 

"Pelos dados que saíram, era para as bolsas internacionais estarem com altas mais sólidas. O mercado está meio confuso. Amanhã ocorre a divulgação dos dados do payroll [relatório oficial de empregos não agrícolas dos Estados Unidos] e não dá para saber se um dado positivo vai aumentar o otimismo sobre a retomada econômica ou irá reforçar a percepção de queda de estímulos por parte do Federal Reserve", diz Vieira.

Destaques de ações

Na bolsa, as principais ações do Ibovespa operam em queda. O setor bancário recua em bloco ainda acompanhando a leitura de que os bancos devem ter algumas das ações mais penalizadas pela reforma tributária. Isso porque o texto propõe o fim do benefício fiscal sobre o pagamento de juros sobre capital próprio, instrumento largamente utilizado no setor. 

Em reação aos temores, as ações do Bradesco (BBDC4) caem 2,06%, seguidas pelos papéis do Itaú (ITUB4), que caem 1,24%. As ações do Banco do Brasil (BBAS3) tem queda de 1%, enquanto as units do Santander (SANB11) recuam 0,74%.

Já as ações da Vale (VALE3), que têm o maior peso no índice, recuam 1,83%, mesmo com a alta de 2,5% do minério de ferro no exterior. Isso porque crescem as pressões da China para controlar o preço do aço no país e cumprir suas metas de carbono, o que pode eventualmente enfraquecer a demanda e os lucros da mineradora. 

As ações da Petrobras (PETR3/PETR4) também se descolam da alta do petróleo, e são negociadas em queda de 2,08% e 1,56%, respectivamente, enquanto a commodity avança quase 2% no mercado internacional. O petróleo Brent é negociado em alta de 1,15%, enquanto o WTI avança 1,89% na expectativa da reunião da Opep+.

A petroleira chegou a subir no início do dia acompanhando a alta do petróleo e impactada, principalmente, pela operação na qual se desfez de fatia remanescente de 37% da BR Distribuidora (BRDT3), mas os papéis perderam o fôlego ao longo do pregão.  

O mesmo não pode ser dito das ações da BR Distribuidora que lideram as altas do Ibovespa, subindo 8,17% após a oferta subsequente (follow-on, em inglês) que marcou a venda da fatia da Petrobras na companhia. Para analistas, a operação é positiva para a BR, uma vez que tira o risco de interferência estatal. Para analistas do Credit Suisse, a ação pode subir 46% em relação ao preço do último fechamento.

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