Exame Invest
Mercados

Ibovespa volta a subir mas reduz alta com fala de Bolsonaro sobre auxílio emergencial

PUBLICADO EM: 11.2.21 | 9H51
ATUALIZAÇÃO: 11.2.21 | 18H16
Preocupações fiscais seguem presentes mesmo com aprovação da autonomia do Banco Central; dólar avança
cvm investiga opções de petrobras: crime ou lógica?

Foto de Guilherme Guilherme da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Foto de Beatriz Quesada da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Guilherme Guilherme | Beatriz Quesada

Repórteres da Exame



Compartilhe nas redes sociais
GUIA
Em alta

INVISTA 4MIN

O Ibovespa subiu nesta quinta-feira, 11, após três sessões consecutivas de queda. O movimento de alta, no entanto, perdeu impulso com a fala do presidente Jair Bolsonaro a favor da renovação do auxílio emergencial. A medida é entendida pelo mercado como uma ameaça ao equilíbrio fiscal do país. O principal índice da bolsa brasileira avançou 0,73% no pregão e encerrou o dia aos 119.299 pontos. Na máxima do dia, o Ibovespa chegou a superar a marca dos 120.000 pontos.

Conheça o maior banco de investimentos da América Latina e invista com os melhores assessores

Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira que o governo estuda renovar o auxílio emergencial por três ou quatro meses a partir de março, e voltou a defender a necessidade de se fazer isso com "responsabilidade fiscal".

A intenção do governo é pagar mais três parcelas de 200 reais do auxílio, mas a equipe econômica ainda estuda, juntamente com o Congresso, uma alternativa que não viole a regra do teto de gastos. Outra opção é encontrar algum tipo de liberação legal para que o auxílio possa ser pago fora do teto.

Mais cedo, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), também se pronunciou sobre o assunto. Lira disse que a pandemia exige uma solução "imediata" para o auxílio emergencial e mencionou a possibilidade de criação de um programa de distribuição de renda permanente, no futuro.

Lira chegou a dizer que o governo e o ministro da Economia Paulo Guedes precisam "rapidamente encontrar uma alternativa de solução imediata do auxílio".

Além disso, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, sinalizou que a retirada do auxílio emergencial pode estar tendo um efeito maior sobre a desaceleração da atividade do que o esperado. Campos Neto deu a declaração nesta quinta-feira com base em dados recentes que ainda devem ser analisados  pela autoridade monetária.

Segundo Campos Neto, os dados mostram uma queda "considerável" no consumo nos últimos dias, mas não dos preços, que têm sofrido também o impacto da alta das commodities, a qual tem se disseminado sobre a cadeia de alimentos e de outros preços.

Divulgados na véspera, os dados do setor de serviços sofreram contração de 0,2% em dezembro ante expectativa de crescimento de 0,4%. No ano, a queda do setor foi de 3,3%. 

“O setor é o que tem mais atraso no ritmo de recuperação pela própria natureza de algumas atividades, que ainda sofrem com as medidas de isolamento. O resultado reforça a fraqueza no final de 2020, mas não a ponto de mudar o cenário para este ano – sobretudo considerando a possibilidade de um novo auxílio emergencial”, avaliam analistas da Exame Research.

Câmbio reage à incertezas

O dólar teve altos e baixos nesta quinta-feira, mas ganhou tração ao longo do dia e terminou em alta, com o real mais uma vez na lanterna nos mercados de câmbio. Dados fracos no varejo endossaram receios quanto ao risco de criação de novas despesas e de impacto sobre a já fragilizada situação fiscal do Brasil.

As incertezas estimularam fluxos para a segurança da moeda americana, que subiu 0,32% e encerrou o dia cotada a 5,388 reais. Na máxima, o dólar chegou aos 5,411 reias.

"A moeda americana registrou valorização diante das incertezas em relação ao auxílio emergencial. São muitas variáveis que ainda precisam de explicações: valor do programa, tempo de pagamento, se a medida vai ou não furar o teto de gastos. Por isso o dólar subiu até 5,41", afirma Lucas Carvalho, analista da Toro Investimentos.

Ponto positivo: autonomia do Banco Central

Apesar dos temores fiscais, o Ibovespa encerrou o dia em alta. Parte do otimismo vem da aprovação da autonomia do Banco Central pela Câmara. O projeto, no entanto, não escapou às polêmicas. Parlamentares da oposição afirmam que a medida coloca  nas mãos do mercado financeiro a condução da política monetária, enquanto essa deveria ser uma atribuição do governo. No mercado, a medida é entendida como um avanço da agenda liberal.

Para a agência de classificação de risco Moody's, a aprovação do projeto indica melhora da credibilidade da política monetária dos últimos anos e sinaliza progresso na agenda de reformas estruturais do governo.

Já a economista Zeina Latif, acredita que a aprovação não trará grandes repercussões.  “Não era um projeto urgente, é mais uma tentativa de sinalizar algo para o mercado. Não significa que tem compromisso com outras pautas econômicas”, avaliou em entrevista à EXAME

Destaques da bolsa

Entre as ações com maior peso no Ibovespa, as da Petrobras (PETR3;PETR4) avançaram 0,93% e 1,01% respectivamente e ajudaram a sustentar a alta do índice. Mas, foram as ações da Totvs que se destacaram no pregão, subindo 7,77%, após divulgar o balanço do quarto trimestre. 

Quais as ações com maior potencial de alta em fevereiro? Descubra com a ajuda da EXAME Research

No período, a empresa registrou lucro líquido de 86,8 milhões de reais, enquanto seu Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado ficou em 164,4 milhões de reais, superando em 9% as estimativas.

Outro resultado que agradou os investidores foi o da Suzano (SUZB3),que teve lucro líquido  de 5,19 bilhões de reais ante expectativa de 3,39 bilhões de reais. Na bolsa, suas ações chegaram a se valorizar 3,61%.

Em mais um dia de estreias na B3, as ações da loja virtual de móveis Westwing (WEST3) e da rede de educação Cruzeiro do Sul (CSED3)  caíram no primeiro dia de negociação na bolsa. Os papéis da Westwing (WEST3) recuaram 8,46% enquanto os da Cruzeiro do Sul (CSED3) registraram perdas de 5,21%.

Foto de Guilherme Guilherme da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Foto de Beatriz Quesada da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Guilherme Guilherme | Beatriz Quesada

Repórteres da Exame


Compartilhe nas redes sociais
Mosaico do rodapé com as cores da Exame