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Inflação nos EUA é oportunidade de compra, aponta Gavekal Research

PUBLICADO EM: 22.5.21 | 8H20
ATUALIZAÇÃO: 21.5.21 | 20H19
Em relatório, fundador da casa de análises globais compara temor atual de investidores com alta dos preços ao receio anterior com o rendimento dos títulos de 10 anos do Tesouro
NYSE; Bolsa de Nova York

EUA: atual pânico em relação à inflação se assemelha à ansiedade anterior sobre os rendimentos dos títulos, diz analista | Foto: Michael Nagle/Bloomberg

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Juliano Passaro

Repórter da Exame



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A inflação está em ritmo crescente em todo o mundo. Investidores no mercado financeiro americano temem o aumento da inflação e, por isso, têm vendido ações e títulos.

O medo dos investidores está relacionado ao que vai fazer o Federal Reserve, o Fed (o banco central dos Estados Unidos). Isso porque o Fed poderá antecipar a retirada de estímulos monetários e, com isso, impactar as ações que se beneficiam das taxas básicas de juros em níveis baixos.

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Mas, para Anatole Kaletsky, fundador e co-presidente da Gavekal Research -- uma das maiores casas de análise independentes do mundo --, os investidores não deveriam se preocupar tanto com a possibilidade de que a inflação fique mais alta nos próximos anos do que na década anterior.

“É hora de parar de entrar em pânico com a inflação, e isso se aplica aos investidores, não apenas de commodities e bitcoins, mas também os de ativos que são supostamente mais vulneráveis à inflação, incluindo ações de tecnologia e até títulos do governo”, destaca Kaletsky.

Em relatório da EXAME Gavekal Research, o especialista afirma que o atual pânico em relação à inflação se assemelha à ansiedade anterior sobre os rendimentos dos títulos de 10 anos nos Estados Unidos.

Recapitulando: em março e abril deste ano, Kaletsky escreveu dois relatórios para a EXAME Gavekal Research alertando os investidores para que não entrassem em pânico frente ao aumento dos rendimentos dos títulos de 10 anos, algo que dominou brevemente os mercados.

Os juros dos Treasuries avançaram de 0,9% para 1,65% no primeiro trimestre deste ano.

Nas semanas subsequentes, entretanto, os rendimentos dos títulos subiram um pouco mais, para cerca de 1,75%, mas a ansiedade de investidores nas bolsas diminuiu.

Como resultado, o S&P 500 atingiu novos recordes quase que diariamente e agora está em patamar 7,5% mais alto do que quando o primeiro artigo de Kaletsky foi publicado. "Mesmo a Nasdaq, mercado supostamente mais vulnerável a rendimentos mais elevados [porque reúne ações de tecnologia], subiu 2,5%", destaca o especialista.

A comparação, segundo Kaletsky, serve para mostrar que o atual pânico inflacionário é semelhante à ansiedade anterior em relação aos rendimentos dos títulos.

"Quase todo mundo acredita que a inflação e os rendimentos dos títulos serão maiores na próxima década do que na última década. Mas isso não significa que a inflação ou os rendimentos dos títulos continuarão subindo drasticamente ou rapidamente neste ano, ou mesmo nos próximos dois ou três anos", afirma.

Isso abre uma oportunidade de compra dos ativos. Quando esse momento de pânico passar, argumenta Kaletsky, os investidores voltarão a comprar ações e títulos, o que vai criar uma nova onda de valorização dos mesmos.

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