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Inflação pode deixar carteiras de investidores expostas, alerta JPMorgan

PUBLICADO EM: 8.5.21 | 8H05
ATUALIZAÇÃO: 7.5.21 | 22H28
Estrategista-chefe do banco americano diz que busca por hedge contra aumento de preços será caminho natural para gestores não acostumados com fenômeno inflacionário
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Tempestade pela frente com a alta dos preços? Pedestre caminha em frente à Bolsa de Valores de Nova York (REUTERS)

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Gestores que passaram a maior parte da carreira lucrando com tendências deflacionárias precisam mudar rapidamente a estratégia ou correm risco de um “choque de inflação” nos portfólios, alerta o estrategista-chefe de mercados globais do JPMorgan Chase, Marko Kolanovic.

“Muitos dos gestores de investimentos de hoje nunca passaram por um aumento dos rendimentos, commodities, ações de valor ou inflação de forma significativa”, escreveu Kolanovic em relatório nesta semana.

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“Uma transição significativa das alocações para crescimento, ESG e estilos de baixa volatilidade na última década, todos de correlação negativa com a inflação, deixou a maioria das carteiras vulneráveis.”

Depois de puxarem um forte rali desde novembro em meio às vacinações e aos estímulos de governos, apostas atreladas à inflação -- aumento dos rendimentos dos Treasuries, ações cíclicas e de baixa capitalização, para citar alguns fatores -- deram uma pausa nas últimas semanas.

Embora isso tenha gerado um debate sobre por quanto tempo a tendência vai persistir, Kolanovic pediu aos clientes que se ajustem ao novo regime em meio à reabertura da economia global.

“Dado o desemprego ainda alto e uma década de inflação abaixo da meta, os bancos centrais provavelmente vão tolerar uma inflação mais alta e considerá-la como temporária”, escreveu. “A questão que mais importa é se os gestores de ativos farão uma mudança significativa nas alocações para expressar uma maior probabilidade de inflação mais persistente.”

Na visão de Kolanovic, à medida que os dados continuam apontando para preços mais altos de bens e serviços, investidores serão obrigados a migrar de apostas de baixa volatilidade para ações de valor, enquanto aumentam alocações para hedges diretos contra a inflação, como commodities. Essa tendência deve persistir no segundo semestre, escreveu.

Com base nos dados do JPMorgan, investidores profissionais ainda precisam adotar de forma mais ampla a aposta de reflação. No caso da renda variável, por exemplo, tanto operadores guiados por computador quanto fundos de hedge mantêm ações em níveis abaixo das médias históricas.

“Os gestores provavelmente não se arriscarão e reposicionarão os portfólios”, escreveu Kolanovic. “Com a interação de baixa liquidez de mercado, fluxos sistemáticos e macro/fundamentos, o tamanho dos ativos financeiros que precisam de rotação ou hedges de inflação pode causar impacto desproporcional sobre temas inflacionários e reflacionários ao longo do próximo ano.”

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