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IPCA, retomada local e o que mais move o mercado

PUBLICADO EM: 25.8.21 | 7H11
ATUALIZAÇÃO: 25.8.21 | 7H17
Ibovespa e real vêm de fortes altas, após declarações de Lira apaziguarem temores fiscais
Arthur Lira no Congresso

Arthur Lira: presidente da Câmara | Foto: Adriano Machado/Reuters (REUTERS)

Foto de Guilherme Guilherme da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Guilherme Guilherme

Repórter de mercado | guilherme.guilherme@exame.com



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Os mercados internacionais oscilam próximos da estabilidade na manhã desta quarta-feira, 25, após novos recordes nas bolsas americanas no último pregão. No radar, investidores aguardam novas sinalizações sobre a redução de estímulos por parte do Federal Reserve (Fed) para tomarem posições mais contundentes.

A expectativa é de que novos detalhes sejam dados nesta sexta-feira, 27, para quando está previsto o discurso do presidente do Fed, Jerome Powell, no Simpósio de Jackson Hole. Em sua última ata, divulgada na semana passada, o Fed demonstrou maior apoio por parte de seus membros ao início da retirada dos estímulos mensais de 120 bilhões de dólares em compras de ativos. 

Nos Estados Unidos, os três principais índices operam em leves altas de 0,1% no mercado de futuros. O pan-europeu Stoxx 600 segue o mesmo ritmo, com destaque para ações ligadas ao turismo, que seguem se beneficiando da aprovação completa da vacina da Pfizer pela agência reguladora americana FDA. Por outro lado, a bolsa de Frankfurt cai 0,2%, após dados de expectativa de negócios saírem abaixo das expectativas na Alemanha.

No mercado internacional, o principal indicador econômico será o de pedidos de bens duráveis dos Estados Unidos. Referente ao mês de julho, economistas aguardam por uma queda mensal de 0,3% e uma alta de 0,5% do núcleo de bens duráveis. 

No Brasil, investidores reavaliaram os riscos fiscais, após o presidente da Câmara, Arthur Lira, afirmar que manterá as despesas com precatórios dentro do teto de gastos, afastar a possibilidade de taxação de dividendos e adiar a votação da reforma do imposto de renda. 

A retomada

As declarações tiveram grandes efeitos sobre os ativos locais, com o Ibovespa e o real registrando um dos melhores desempenhos do mundo na terça-feira, 24. Na véspera, ambos fecharam próximos das máximas do dia, com o Ibovespa encerrando a 120.210 pontos e o dólar a 5,26 reais, depois de cair mais de 2%. Já a curva de juros com vencimento em cinco anos saiu da marca de dois dígitos e fechou precificada a 9,80% para 2026. 

A abertura da curva de juros, motivada por maior percepção de risco fiscal, foi uma das principais razões para o momento negativo que o Ibovespa vinha passando desde o fim de julho. Para especialistas, uma reação positiva contínua nesse mercado tende a beneficiar, principalmente, ações ligadas à economia doméstica, como varejistas, construtoras e shoppings centers. 

No último pregão, as ações da Lojas Americanas (LAME4), que vinham com a pior performance do ano, fechou em alta de 11,81%. Já a Cyrela (CYRE3) disparou 12,33% com o ambiente positivo e recomendação de compra. Outra incorporadora, a EzTec (EZTC3) subiu 10,41%. A dúvida é se o movimento terá continuidade neste pregão.

IPCA

Parte da resposta pode depender do IPCA-15, que será divulgado nesta manhã. Referente aos primeiros 15 dias do mês, o índice de inflação deve apontar para uma alta mensal de 0,83%, segundo estimativas de mercado, chegando a 9,24% no acumulado de 12 meses. Caso se confirme, o número representará uma aceleração da inflação, que está em 8,99% na comparação anual

O resultado da inflação tende a mexer com as expectativas de juros para o curto prazo, com o mercado aumentando suas apostas para mais uma alta da Selic de 1 ponto percentual na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), no fim do próximo mês. Segundo o boletim Focus, a expectativa do mercado é de que a Selic passe dos atuais 5,25% para 7,5% até o final do ano. 

 

 

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Guilherme Guilherme

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