MERCADOS

IPO às escuras: SPACs explodem nos EUA e prometem crescer no Brasil

PUBLICADO EM: 28.1.21 | 6H00
ATUALIZAÇÃO: 28.1.21 | 9H04
Carlos Piani, ex-CEO da Equatorial, lidera primeira empresa do ramo voltada ao mercado brasileiro, junto com Bernardo Hees e Rodrigo Xavier
Foto de dois empresários apertando as mãos em um escritório

As SPACs levantaram 80 bilhões de dólares nos EUA em 2020 (Getty Images)

Foto de Beatriz Quesada da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Beatriz Quesada

Repórter de mercados, passou pelas redações da revista Capital Aberto e rádio BandNews FM | beatriz.quesada@exame.com



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Quase metade das ofertas públicas iniciais de ações (IPOs) nos Estados Unidos foi realizada às cegas em 2020. Isso porque 46% dos dólares captados no mercado vieram por meio das SPACs, sigla para Special Purpose Acquisition Company. 

Essas companhias funcionam como uma espécie de “cheque em branco” em que os investidores confiam na expertise dos gestores para encontrar, adquirir e realizar o IPO de uma boa empresa -- geralmente de pequeno ou médio porte. Ou seja, o dinheiro é captado antes que o investidor saiba o que está comprando. 

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O modelo levantou 80 bilhões de dólares nos EUA no último ano -- montante maior do que o volume combinado de todos os anos desde o surgimento das SPACs em 2003. Por aqui, esse mercado se resume, por enquanto, a uma única empresa: a HPX. Listada na Bolsa de Nova York, a SPAC formada por brasileiros captou 220 milhões de dólares para investir em um negócio no Brasil.

“As SPACs são uma classe de ativos que veio para ficar, logo veremos mais players no mercado nacional”, projeta Carlos Piani, fundador da HPX e ex-CEO da Equatorial Energia, em evento do Credit Suisse realizado nesta quarta-feira, 27.

Na visão de Piani, os ganhos valem os riscos. Para a companhia adquirida, é uma chance de acelerar seu crescimento e gerar valor. Já para os investidores, a SPAC seria uma oportunidade de ter parceiros de investimento profissionais e reconhecidos no mercado. 

Junto a Piani, encabeçam o projeto outros dois brasileiros: Bernardo Hees, que esteve à frente da Kraft Heinz, e Rodrigo Xavier, ex-CEO da Merrill Lynch no Brasil. Os três usaram suas conexões e credibilidade para introduzir esse investimento alternativo no cenário local. 

O momento também foi propício. Embora a HPX tenha captado no meio da pandemia (a listagem ocorreu em julho de 2020), as taxas de juros estão em suas mínimas históricas e os investidores brasileiros estão em busca de operações mais rentáveis.  

“Nós explicamos o mercado de SPACs aos brasileiros e apresentamos o cenário local para os estrangeiros que já apostam em SPACs. Alguns dos maiores investidores do Brasil nos deram seu voto de confiança”, afirma Piani.

Essas empresas normalmente contam com uma janela de dois anos para encontrar um negócio para investir. Quando a operação é concluída, a SPAC é dissolvida e seus investidores se tornam acionistas da empresa selecionada. 

Piani afirma que o objetivo é buscar setores com os quais os gestores da HPX tenham familiaridade, como consumo e infraestrutura, além de outros como healthtech e tecnologia, que tem grandes oportunidades de crescimento. O candidato ideal para aquisição é um negócio que já esteja maduro o suficiente para passar por um processo de IPO, com valuation em torno de 3,5 bilhões de reais.

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Ainda é cedo para dizer se as SPACs vão se popularizar no Brasil, mas a procura por elas nos Estados Unidos continua forte. Já são mais de 20 bilhões de dólares levantados apenas em 2021, o que representa mais do que todo o volume captado em 2019 (13,6 bilhões de dólares), segundo dados da consultoria Spac Analytics.

A rápida escalada dessas operações nos últimos meses reacende as discussões sobe o poder especulativo das SPACs, que são consideradas sinais de bolha por alguns analistas. No entanto, para Stefanie Gallagher, diretora da área de mercado de capitais e consultora do Credit Suisse, elas são uma opção de investimento sustentável que tem mostrado seu valor em tempos de crise.</p> <p>“SPACs são um veículo para acessar o mercado de forma mais rápida com um preço fixo [acordado antes da aquisição e da oferta], o que minimiza a volatilidade do papel. Isso traz segurança, muito procurada por investidores nesse momento de incerteza causado pela Covid-19”, afirma Gallagher. O Credit Suisse atuou como underwritter da captação realizada pela HPX.

Foto de Beatriz Quesada da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Beatriz Quesada

Repórter de mercados, passou pelas redações da revista Capital Aberto e rádio BandNews FM | beatriz.quesada@exame.com


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