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IPO da Oncoclínicas: prazo para participar termina hoje. Vale a pena?

PUBLICADO EM: 5.8.21 | 6H15
ATUALIZAÇÃO: 4.8.21 | 22H48
Estreia da rede líder no tratamento de câncer na América Latina na B3 está prevista para o dia 10 de agosto com o ticker ONCO3

Resumo do investidor

1. Esta quinta-feira, 5, é o último dia para entrar no IPO da Oncoclínicas; 2. Empresa é líder no setor oncológico, um mercado em crescimento; 3. Plano ambicioso de consolidação é o maior risco para o sucesso da companhia.

atestado médico

A Oncoclínicas atua em um dos segmentos de maior visibilidade e potencial de crescimento do setor de saúde | Foto: Getty Images (Getty Images/EyeEm)

Foto de Beatriz Quesada da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Beatriz Quesada

Repórter de mercados, passou pelas redações da revista Capital Aberto e rádio BandNews FM | beatriz.quesada@exame.com



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Termina nesta quinta-feira, 5, o prazo para que o pequeno investidor participe da oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), da Oncoclínicas. A rede líder no tratamento de câncer na América Latina estreia na bolsa -- se tudo correr conforme o planejado -- na próxima terça, dia 10 de agosto, com o ticker ONCO3.

O IPO pretende captar 3,5 bilhões de reais considerando o ponto médio da faixa indicativa na oferta base, em que cada ação seria negociada a 26,25 reais. Cerca de 66% do montante irá para o caixa da companhia em oferta primária, enquanto o restante fica com o acionista vendedor, o Goldman Sachs, gestor dos fundos que controlam a Oncoclínicas.

A companhia fundada em 2015 pretende usar os recursos captados no IPO para impulsionar seus planos de expansão e consolidação. Na visão da Eleven Research, a  trajetória da empresa é comparável à da Rede D’Or (RDOR3), destaque da bolsa no setor de saúde. 

“Ambas as companhias são consolidadoras de um mercado ainda muito fragmentado, prezam pela qualidade do serviço prestado, têm sua marca reconhecida, integram bem as operações adquiridas e se beneficiam do ganho de escala”, afirma a analista Mariana Ferraz, da Eleven Research, em seu relatório sobre a oferta da Oncoclínicas.

Segundo o prospecto da oferta, 40% do capital levantado será utilizado para dar sequência a aquisições que já estão em andamento e outros 30% serão reservados para novas operações de M&A. Outros 15% serão usados para expansão orgânica, em que o negócio cresce sem a necessidade de incorporar concorrentes.

Os investidores que quiserem participar do IPO precisam avisar sua corretora sobre quantos papéis gostaria de comprar no IPO e por qual preço. O valor mínimo para participar é de 3.000 reais, e o máximo, de 1 milhão de reais. 

Entenda abaixo o que os analistas pensam da oferta:

Ponto positivo: mercado em alta

A Oncoclínicas atua em um dos segmentos de maior visibilidade e potencial de crescimento do setor de saúde: o oncológico.

Em 2020, o Brasil registrou 113 novos casos de câncer a cada 100 mil habitantes, enquanto países como Estados Unidos, Nova Zelândia e França registraram mais de 200 nas mesmas condições, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS).

A companhia estima que esse quadro pode levar a um aumento de 25% na incidência de câncer entre beneficiários de planos de saúde no Brasil, público atendido pela empresa. Outro ponto que pode beneficiar a Oncoclínicas é a perspectiva de envelhecimento da população brasileira, que terá 2,6 vezes mais idosos em 2050 do que contava em 2017. A expectativa é que a condição aumente o gasto per capita com saúde. 

Pontos negativos: competição e risco

Analistas concordam que o maior risco para a Oncoclínicas é colocar em prática seu plano de consolidação em um mercado cada vez mais competitivo.

“Enxergamos um aumento de concorrência pelos ativos em que a companhia tem interesse, dado que mais empresas do setor se encontram capitalizadas, também em estratégia de consolidação. Esse fator torna improvável comprar novos ativos pelos mesmos preços atrativos de outrora”, avaliam João Daronco, Lincon Broedel e Tiago Reis, da Suno Research.

Outro ponto de atenção é a dependência em relação às operadoras de saúde. Muitas estão se tornando concorrentes à medida que começam a atuar também na prestação de serviços hospitalares. Segundo a Suno, 36% da receita da companhia está associada a três operadoras de saúde, que são as maiores clientes da Oncoclínicas. “A concentração a expõe a possíveis variações negativas nos resultados”, dizem os analistas.

Vale investir?

A Suno avalia que o preço-justo para as ações da Oncoclínicas seria muito abaixo do preço-médio da oferta, que é de 26,25 reais. A recomendação da casa de análise é para que o investidor não participe da oferta.

“Apesar de gostarmos da empresa, o preço não nos confere margem de segurança suficiente, mesmo utilizando premissas que podem se provar demasiadamente otimistas no futuro. Afinal, há um risco de execução relevante, ao passo que o modelo de negócio requer investimentos vultosos. Em meio a toda essa expansão, não parece sobrar muito caixa ao acionista”, afirmam os analistas.

A Eleven, por outro lado, entende que o preço se justifica por um maior potencial de crescimento e a menor competição em um mercado em expansão. A recomendação é para que o investidor participe da oferta “independentemente do preço da faixa indicativa de 22,21 reais a 30,29 reais”. 

O preço-alvo da Eleven para a Oncoclínicas é de 40 reais, o que representa um potencial de valorização (upside) de 80% em relação ao piso da faixa indicativa e um upside de 32% em relação ao teto.

Foto de Beatriz Quesada da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Beatriz Quesada

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