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Itaú diz que busca crescimento agressivo após avanço em tecnologia

PUBLICADO EM: 2.6.21 | 11H04
ATUALIZAÇÃO: 2.6.21 | 18H54
Novo CEO do maior banco do país, Milton Maluhy Filho defende modelo que combina agências com canais digitais; Moreira Salles diz que banco está pronto para colher frutos de investimentos
Fachada do banco Itaú na rua Cardoso de Almeida, em Perdizes

Rede de agências do Itaú deixou de ser vantagem competitiva, segundo Roberto Setubal | Foto: Gabriel Correa/EXAME

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Da Redação

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Os co-presidentes do conselho de administração do Itaú Unibanco (ITUB4), Roberto Setubal e Pedro Moreira Salles, afirmaram nesta quarta-feira, 2 de junho, que o banco precisa melhorar seus serviços para competir com fintechs e reter clientes. As declarações foram dadas na abertura do Itaú Day, encontro virtual dos seus principais executivos com investidores.

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Em comentário sobre a competição no evento online para discutir e apresentar as novas estratégias do maior banco do país, Setubal disse que a extensa rede de agências do Itaú deixou de ser a vantagem competitiva que era para o banco, pois as fintechs conquistam clientes por meio dos canais digitais.

"Há um impacto enorme da tecnologia, muita coisa mudou nesse sentido. Aqueles diferenciais competitivos que tínhamos naquele momento [da fusão do Itaú com o Unibanco, em 2008], como rede de agências, o conhecimento muito particular que tínhamos dos nossos clientes, tudo isso mudou muito com as novas tecnologias", disse Setubal.

"A importância da rede de agências diminuiu muito", disse o banqueiro.

Isso não significa, porém, que o banco vai migrar totalmente para o modelo digital adotado por novas forças como Nubank, Banco Inter, BTG+ e C6 Bank, entre outros.

"Não seremos um banco digital sem agências, mas, sim, um banco com mindset digital. Uma empresa digital, que atende o cliente da forma como ele prefere ser atendido, inclusive presencialmente", afirmou o novo CEO do Itaú, Milton Maluhy Filho.

"A capacidade de combinar atendimento remoto com atendimento físico, o omnichannel, é uma vantagem comparativa enorme", defendeu Moreira Salles.

"Os novos entrantes buscam acesso puramente digital, estão com sucesso nisso, mas quem conseguir transformar o seu atendimento físico, tornando-o mais aderente às necessidades dos clientes, terá uma vantagem", completou.

Crescimento agressivo

"O Milton chega em um momento em que ele vai capitanear a volta do banco ao mercado com um tom muito mais agressivo, no sentido de crescimento, do que ele foi nos últimos anos. O banco está pronto para isso", disse na abertura Moreira Salles, em referência aos investimentos realizados em tecnologia e à posse do novo CEO.

A avaliação é que os investimentos permitam ao maior banco do país ser mais ágil na tomada de decisões. Aliado ao avanço em tecnologia, Moreira Salles destacou que o Itaú precisa também passar por uma transformação da cultura organizacional, com os incentivos certos, para que a necessidade de inovação e agilidade seja atendida.

As ações do Itaú Unibanco abriram em alta e encerraram com ganho de 3,33%, sendo um dos destaques do Ibovespa. No mesmo evento, executivos do banco afirmaram que a margem financeira com clientes deve acelerar o crescimento nos próximos trimestres. O setor financeiro como um todo teve uma sessão positiva, com as ações do Bradesco (BBDC4) subiram 3,90%.

No último ano, porém, grandes bancos com foco no varejo estão patinando na bolsa, enquanto bancos digitais e de investimento estão se valorizando rapidamente.

Moreira Salles fez uma ressalva ao tratar da concorrência com bancos digitais e fintechs.

"São competidores sem as amarras que nós temos. Precisamos mudar coisas que nos trouxeram até aqui e que são muito valiosas, mas que começam a se tornar entraves. Quem está no setor há menos tempo consegue se financiar no mercado sem exigência de retorno", afirmou.

"Existe aí um desequilíbrio das regras que são aplicadas a nós, incumbentes, e aos novos entrantes. Falta uma isonomia regulatória", apontou.

Setubal concordou, dizendo acreditar que essa situação não deve perdurar por muito mais tempo. "Na medida em que as novas instituições cresçam, elas vão trazer riscos sistêmicos. E se há risco sistêmico, os reguladores têm que atuar."

Segundo ele, que comandou o Itaú por mais de 20 anos, até 2016, quando houver uma isonomia de regras entre os competidores, o mercado deve precificar o valor dos bancos incumbentes de maneira mais adequada.

O evento inédito, que contou com a presença dos 12 membros do comitê executivo do maior banco do país, teve o objetivo contar as novas estratégias digitais diante do aumento da competição.

"A agenda de open banking é uma das prioridades do banco", disse Maluhy Filho, que tomou posse em fevereiro passado em substituição a Candido Bracher.

O banco já está mobilizado para fazer valer a possibilidade de acesso dos dados de clientes potenciais para oferecer serviços e produtos em melhores condições, ao mesmo tempo em que vai buscar "blindar" os seus melhores clientes, disse André Sapoznik, que comanda as áreas de Pagamentos, Operações e Marketing.

(Com Reuters)

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