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Jackson Hole: o que esperar do simpósio de banqueiros centrais

PUBLICADO EM: 27.8.21 | 6H10
ATUALIZAÇÃO: 27.8.21 | 6H58
Investidores aguardam sinais sobre o timing para o início da retirada gradual de estímulos pelo Federal Reserve via recompra de ativos
Esther George, presidente do Fed de Kansas City

Esther George, presidente do Fed de Kansas City, participa de painel com Jerome Powell em Jackson Hole e deve defender o início do tapering | Foto: Daniel Acker/Bloomberg (Bloomberg)

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Por Carlo Cauti

Banqueiros centrais de todo o mundo, funcionários do Federal Reserve (o Fed), professores universitários e especialistas em economia global se reúnem todos os anos de na cidade de Jackson Hole, no estado americano do Wyoming, para discutir sobre os rumos da economia global.

Neste ano, o evento vai ocorrer nesta sexta-feira, 27, mas apenas virtualmente, e terá como tema a recuperação pós-coronavírus (Covid-19).

Os olhos (e também os ouvidos) de todos os participantes, e do mundo inteiro, estarão todos voltados para Jerome Powell, presidente do Fed.

O que dirá o número um do Federal Reserve? Qual será a sua política monetária?

Os observadores que esperam uma comunicação precisa sobre a estratégia e o calendário de redução das compras de ativos muito provavelmente acabarão desapontados.

O discurso do presidente Jerome Powell em Jackson Hole provavelmente faltará em detalhes sobre a redução nas compras de ativos do Fed. Isso por causa do risco associado ao aumento de casos da Covid nos EUA e as persistentes incertezas econômicas.

Os dados macroeconômicos mais recentes se confirmaram positivos, mas o ímpeto da retomada está diminuindo e os temores sobre a inflação não aumentaram.

Além disso, a variante Delta da Covid está se espalhando rapidamente nos Estados Unidos, aumentando o risco de novos lockdowns, pelo menos parciais, em alguns dos maiores estados americanos.

Os dados sobre o emprego são um exemplo claro dessa situação. A geração de emprego em junho foi muito encorajadora. Entretanto a taxa de participação, uma das referências que o Fed usa para determinar o estado do mercado de trabalho americano, permanece moderada.

Além disso o comitê de política monetária do Fed, o FOMC, responsável pela decisão final sobre o tapering (a redução dos estímulos monetários), ainda não teve oportunidade de rever a situação.

A ata da reunião do FOMC em julho foi positiva e não indicou um cronograma para a redução gradual dos estímulos.

A próxima reunião do FOMC no dia 22 de setembro será a ocasião mais adequada para alertar o mercado sobre quando o tapering poderia ocorrer.

Isso pois também incluirá dados atualizados de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre, além de projeções sobre emprego e inflação.

O consenso do mercado prevê um anúncio formal em novembro, seguido pela implementação em dezembro. Mas isso, claro, somente se a variante Delta acabar controlada.

Embora não seja um market mover, o discurso desta sexta-feira será interessante, pois dará para Powell a oportunidade de esclarecer melhor alguns aspectos da política monetária do Fed.

Pode haver um julgamento parcial da situação econômica, ou um julgamento de como a evolução do mercado de trabalho pode ser comparada com as previsões do Fed de pleno emprego.

O mercado está esperando que o mantra da inflação transitória deve ser reafirmado.

Além disso, em linha com a ata de julho, provavelmente Powell vai refinar ainda mais a diferença entre a remoção dos estímulos por meio de redução gradual e o endurecimento genuíno das condições financeiras por meio de um aumento das taxas de juros. O que não é esperado pelo mercado antes de meados de 2023.

Isso deve ajudar a minimizar o impacto do tapering nos mercados financeiros.

No final, Jackson Hole é uma conferência acadêmica e, portanto, Powell poderia aproveitar a oportunidade para esclarecer a visão do Fed sobre o papel da compra de ativos como forma de apoio à economia, uma vez que a ferramenta se tornou parte da teoria econômica mainstream.

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