MERCADOS

Minério de ferro e aço vão ficar mais caros? A EXAME Gavekal responde

PUBLICADO EM: 15.5.21 | 8H27
ATUALIZAÇÃO: 15.5.21 | 0H16
Analista sênior de uma das maiores casas independentes do mundo aponta como as decisões das autoridades chinesas e a dinâmica do mercado local devem impactar as cotações
Minério de ferro: os futuros do minério caíram nesta terça-feira, um dia após registrarem o maior recuo para um único dia em quase 10 meses

Os preços do minério de ferro e de outros produtos metálicos estão subindo com mais força desde meados de abril

Imagem da Editoria Exame Invest
Juliano Passaro

Repórter da Exame



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Os preços do minério de ferro e do aço na China ultrapassaram os seus picos pós-crise financeira de 2008. O minério de ferro bateu um novo recorde de 230 dólares por tonelada nesta semana que passou. O valor representa uma alta de 30% em relação ao mês anterior.

O aumento acontece por causa do desequilíbrio do mercado. De um lado, a forte demanda de siderúrgicas na China e a restrita oferta internacional; do outro, o plano do governo chinês de restringir à força a produção de aço em 2021 para ajudar a cumprir suas metas climáticas, o que pode até aliviar o minério de ferro, mas vai pressionar mais o aço.

Mas será que a alta do minério de ferro e do aço deve prosseguir? Uma especialista sênior da Gavekal Research explica em novo relatório da EXAME Gavekal Research.

Entenda como a macroeconomia global pode afetar seus investimentos

Os preços do minério de ferro na China influenciam o mercado global e isso inclui empresas siderúrgicas na bolsa brasileira. Na última quinta-feira ,13 de maio, por exemplo, Vale (VALE3), CSN (CSNA3) e a Usiminas (USIM5) fecharam o pregão em queda, em linha com uma forte baixa -- rara -- dos preços na China após altas históricas.

De acordo com Rosealea Yao, analista sênior da Gavekal Research e especialista em mercados imobiliário, de energia e infraestrutura, os principais riscos para os preços do aço são o esfriamento da demanda e as restrições à produção.

"Os principais riscos são duplos: que o governo relaxe as restrições à produção para reverter os excessivos ganhos no preço ou que a demanda final por aço diminua à medida que a atividade de construção esfrie", destaca Yao.

Um crescimento mais lento da demanda no segundo semestre deste ano tornará mais fácil para o governo limitar a produção de aço e evitar que os preços aumentem ainda mais.

Os preços do aço, do minério de ferro e de outros produtos metálicos estão subindo com maior força desde meados de abril, quando os principais formuladores de políticas da China sinalizaram por duas vezes o aumento dos preços das commodities como uma preocupação.

"Os comentários sugeriram que há um limite para os aumentos de preços tolerados pelos legisladores", afirma Yao em relatório.

Segundo a especialista, o aumento da produção de aço sugere que a demanda está forte, mas os números também podem ter sido impulsionados por usinas que tentaram produzir o máximo que puderam antes de novas restrições.

"Com vários fatores apontando na mesma direção, uma desaceleração na demanda de aço para a construção civil deve ser o caso-padrão para o segundo semestre do ano fiscal."

Para ela, à medida que isso se desenrola e os preços de mercado se ajustam, a pressão sobre o governo para afrouxar as restrições à oferta diminuirá.

"Os preços do minério de ferro quase sempre se movem em conjunto com os preços do aço – exceto no caso de choques de oferta – e as grandes margens de lucro das siderúrgicas a partir dos atuais preços recordes também ajudarão a sustentar os preços do minério de ferro", explica a especialista da Gavekal Research.

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Juliano Passaro

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