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Minério de ferro em queda livre: a China pode mudar o jogo de novo?

PUBLICADO EM: 17.9.21 | 16H06
ATUALIZAÇÃO: 17.9.21 | 20H32
Cotação depende dos movimentos da China, cujo crescimento é vital para o preço da commodity

Resumo do investidor

1. China pode reverter aperto sobre mercado de aço por causa do arrefecimento de sua economia; 2. Se pressão continuar, especialista vê preço do minério a US$ 120 até dezembro; 3. Vale e siderúrgicas devem continuar com perspectivas positivas mesmo nesse cenário.

Minério de ferro da Vale: empresa teve que cortar oferta depois da tragédia de Brumadinho

Preço do minério de ferro perde força desde junho, quando atingiu US$ 220 a tonelada | Foto: Germano Lüders/EXAME

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Angela Bittencourt | Beatriz Quesada

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Por Angela Bittencourt e Beatriz Quesada

Boa notícia para a inflação global e péssima para acionistas de mineradoras, as perspectivas para o minério de ferro, nos próximos 12 meses, são de maior oferta e, portanto, queda adicional de preço. Desde junho, quando atingiu 220 dólares a tonelada, o preço da commodity perde força, retornando ao nível de um ano atrás. Nesta sexta-feira, dia 17, o preço do minério de ferro caiu 4,91% no Porto de Qingdao, para 101,95 dólares a tonelada.

A perspectiva, pouco animadora para os produtores, pode ser relativizada, porém, se a China levar adiante a determinação de conter o arrefecimento de sua economia. O crescimento da China é vital para a formação do preço do minério. E, por ora, revisões para o PIB chinês vão para baixo, ainda que sem exagero.

“Já existe dentro do governo chinês uma preocupação com o arrefecimento da economia e é esperado algum estímulo econômico após discussões com governos locais. Mas a perspectiva é de que os setores de infraestrutura e manufatura ganhem tração em 2022 e a produção de aço deve acelerar após a Olimpíada de Inverno de Pequim no fim de fevereiro do ano que vem”, avalia Gilberto Cardoso, diretor executivo da Tarraco Commodities Solutions, em estudo divulgado pela Ohmresearch. Confirmado esse cenário, a demanda pelo minério sobe e pode dar algum suporte aos preços.

Cardoso fala com conhecimento de causa: ele é especialista com passagem por ArcelorMittal Mining, Anglo American, Accenture Strategy, Trading & Investments, Banif Securities e Vale/Caemi, em vários países, além de engenheiro metalúrgico pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ele acrescenta que, no final de 2022, também haverá a definição sobre a sucessão presidencial na China — a escolha de um novo líder ou a recondução de Xi Jinping ao posto. Tradicionalmente, em momentos de renovação política, a China mostra crescimento econômico forte.

Essa perspectiva torna-se incerta, porém, ante o novo surto de covid-19 na segunda maior economia do mundo pela variante delta. O fechamento de locais turísticos, o cancelamento de eventos culturais e as novas restrições a viagens levaram a Nomura Holdings a reduzir sua projeção de crescimento para o terceiro trimestre de 20202 de 6,4% para 5,1% e a expansão nos últimos três meses do ano para de 4,4% em relação à estimativa anterior de 5,3%. Para o ano cheio de 2021, a Nomura cortou a previsão de expansão do PIB de 8,9% para 8,2%, informa a Bloomberg.

No relatório distribuído pela Ohmresearch, Gilberto Cardoso alerta, entretanto, para a mão pesada do governo chinês, que ordenou inicialmente às siderúrgicas que garantissem que a produção anual de aço em 2021 permanecesse em nível semelhante ao do ano passado. Contudo, avalia, caso o governo chinês restrinja a produção de aço, o preço do minério poderá ficar em 120 dólares por tonelada até dezembro para baixo teor ou cerca de 155 dólares para produtos de alto teor.

O especialista da Tarraco Commodities Solutions estima que as margens das siderúrgicas se mantêm firmes com o minério cotado em cerca de 160 dólares a tonelada. Esse nível garante a rentabilidade dos investidores apesar de uma redução na capacidade utilizada.

A mineradora Vale (VALE3), por outro lado, pode continuar com perspectivas atrativas para as suas ações mesmo que o minério permaneça cotado em torno de 100 dólares a tonelada, segundo avaliação dos analistas Leonardo Correa e Caio Greiner, do BTG Pactual (BPAC11). Em relatório divulgado nesta semana, os analistas alertam que a empresa está altamente subvalorizada mesmo diante de cenários conservadores de preços de minério de ferro. 

Nos cálculos do BTG, a Vale seria capaz de gerar um Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de 27 bilhões de dólares e terminar 2021 com caixa mesmo com o minério cotado a 100 dólares a tonelada. 

“Para nós, o mais importante é que a gestão permanece altamente disciplinada na alocação de capital e deve continuar executando um modelo de negócios asset light, o que implica a devolução de retorno aos acionistas”, afirmam em relatório. A Vale, a propósito, anunciou na noite de quinta-feira, 16, que irá pagar 40,2 bilhões de reais (8,1083 reais por ação) em dividendos no dia 30 de setembro. O valor representa um retorno sobre dividendos (dividend yield) de aproximadamente 9%, o que é considerado alto pela equipe de equity research do BTG.

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