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Mobly eleva receita em 39% no 2º tri e ganha participação de mercado

PUBLICADO EM: 10.8.21 | 6H25
ATUALIZAÇÃO: 10.8.21 | 12H50
Volume bruto de mercadorias (GMV) transacionado ficou estável, com o aumento de vendas em lojas compensando a queda no canal online
Loja da Mobly: estratégia de integrar canais digitais com físicos ajuda a alavancar as vendas

Megastore da Mobly na marginal Tietê em São Paulo: canal de vendas em lojas físicas teve crescimento com redução das restrições ao funcionamento | Foto: Mobly/Divulgação

Foto de Marcelo Sakate da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Marcelo Sakate

Editor da EXAME Invest, jornalista com MBA em Mercado de Capitais e passagens por Folha de S. Paulo, Veja, 6 Minutos (C6 Bank) e CNN Brasil | marcelo.sakate@exame.com



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Uma das perguntas que investidores adeptos da tese do crescimento do e-commerce mais se fizeram nos últimos meses é como as vendas online reagiriam com a reabertura das lojas físicas e a volta gradual das atividades presenciais, do trabalho ao passeio. A safra de resultados do segundo trimestre começa a trazer as respostas com detalhes.

Para a Mobly (MBLY3), empresa líder no segmento de home & living, de móveis e acessórios para casa, os números trimestrais divulgados nesta noite de segunda-feira, 9 de agosto, expuseram as faces da reabertura.

A receita operacional líquida cresceu 38,6% no segundo trimestre na comparação anual, para 175,7 milhões de reais. O volume foi quase o dobro -- alta de 95% -- do que o registrado no mesmo período de 2019. Ou seja, as vendas totais (online e físico) continuam a crescer e estão em patamares muito superiores ao que estavam antes da pandemia.

Mas houve estabilidade no volume bruto de mercadorias (GMV, na sigla em inglês), que mede tudo o que é vendido por meio da plataforma, inclusive de vendedores terceiros, os sellers. É uma amostra de que ao menos uma parte do consumo que estava concentrado no e-commerce migrou de volta para a loja física.

Foi um trimestre em que, por volta do dia 10 de abril, as restrições colocadas para o funcionamento do varejo físico por causa da segunda onda da pandemia foram retiradas de maneira geral. Imediatamente houve a reação das vendas das lojas, mas a demanda no online caiu, mensurada por buscas no Google e taxas de conversão.

Segundo dados da Mastercard citados no resultado, as vendas da categoria de móveis tiveram queda de 53% em junho versus o mesmo mês de 2020, muito acima do recuo de 13% nas vendas do e-commerce como um todo.

"No ano passado, as pessoas compraram muito mais não só para o home office mas para casa. Houve agora, portanto, um ajuste do e-commerce e outro do setor de móveis. E nós conseguimos ficar empatados em GMV. Ou seja, tivemos ganho de market share no período", disse Victor Noda, CEO e cofundador da Mobly, à EXAME Invest.

O executivo aponta como fatores que ajudaram a sustentar as vendas o aumento do investimento próprio em marketing, como previsto no prospecto para o IPO (oferta pública inicial, na sigla em inglês), e a ampliação da prática de antecipação de recebíveis para fornecedores, que permite a redução no preço de mercadorias dos mesmos.

Noda também apontou a redução do prazo médio de entrega no país de 17,1 dias em janeiro para 12,5 dias agora como outro fator que pesou positivamente para o resultado nos últimos meses.

Descontos no marketplace

Segundo o CEO da Mobly, a queda de vendas em abril e maio desencadeou um movimento generalizado de descontos agressivos de sellers, da ordem de 30%, para tentar compensar em junho o recuo nas vendas.

A demanda reagiu, mas ao custo de impacto na margem bruta, que, por sua vez, foi compensada por um efeito positivo nos custos com marketing, bancados em ampla medida -- 25 pontos percentuais dos 30% acima citados - pelos sellers.

Outro destaque do resultado trimestral foi a queda de quatro pontos percentuais no custo logístico na comparação anual, em razão de três fatores: a expansão da sua divisão própria para a área, a MoblyLog, tanto na cobertura em São Paulo como na região metropolitana de Belo Horizonte, onde começou a operar; a renegociação de taxas com transportadoras; e o aumento das vendas nas lojas físicas, o que reduz os gastos com transporte.

Segundo o executivo, o terceiro trimestre começou com vendas em julho acima do mesmo período do ano passado, mas a base de comparação será um desafio na medida em que foram três meses com resultado cheio em 2020. Os descontos dos sellers, por sua vez, continuam a ser praticados, mas em magnitude menor do que no segundo trimestre.

Expansão das lojas físicas

O CEO da Mobly contou também que a empresa se prepara para abrir mais duas megastores em São Paulo, uma na Marginal Pinheiros na altura do Shopping Villa-Lobos, na zona oeste, e outro na Rodovia Anchieta, para atender o público das cidades do ABC paulista. Outra novidade será a abertura de mais um outlet, em Carapicuíba.

"As lojas são não só um canal de vendas relevante mas também extremamente rentáveis. Há outros dois fatores: ajudam na construção da marca e no engajamento dos clientes, o que melhora as vendas do private label (os produtos de marca própria); e também funcionam como hubs logísticos", afirmou Noda.

Isso inclui dos modelos clique-e-retire ao ship from store, ou seja, o despacho de mercadorias adquiridas online a partir dessas unidades com prazo reduzido.

Apesar dos resultados positivos, as ações da Mobly acumulam queda de 32,5% desde o IPO, no início de fevereiro. Segundo a companhia, o recuo acontece em meio a duas tendências que afetam outras empresas do setor, a de perda de valor de ações de e-commerce e de small caps que são techs na bolsa brasileira.

Além disso, a liquidez reduzida deixa o papel mais suscetível a oscilações de valor. Para atacar este último ponto, a Mobly anunciou na última sexta a contratação do BTG Pactual (BPAC11) para atuar como formador de mercado e fomentar a liquidez.

 

Foto de Marcelo Sakate da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
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Editor da EXAME Invest, jornalista com MBA em Mercado de Capitais e passagens por Folha de S. Paulo, Veja, 6 Minutos (C6 Bank) e CNN Brasil | marcelo.sakate@exame.com


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