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No radar: reforma ministerial, inflação nos EUA e o que move os mercados

PUBLICADO EM: 30.3.21 | 7H10
ATUALIZAÇÃO: 30.3.21 | 7H43
Mercados globais mostram recuperação após episódio do Archegos Capital mas inflação volta a preocupar
Bolsa de valores em Nova York (NYSE)

Bolsa de NY (NYSE): Rendimento dos títulos de 10 anos do Tesouro americano atingiu um novo recorde no início da manhã

Foto de Beatriz Quesada da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Beatriz Quesada

Repórter especializada na cobertura de mercados. Formada pela ECA-USP, passou pelas redações da revista Capital Aberto e rádio BandNews FM.



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Quadro geral do dia às 7h15:

  • EUA: Dow Jones futuro sobe 0,23%, S&P 500 futuro tem leve variação positiva de 0,01% e Nasdaq futuro recua 0,42%
  • Rendimento dos títulos de 10 anos do Tesouro americano sobe 0,044% para 1,765%
  • Europa: índice pan-europeu STOXX600 sobe 0,44%

Cenário misto nas bolsas globais neste início de terça-feira, 30. Os índices futuros americanos operam sem direção definida, à medida que os grandes planos de estímulos do presidente Joe Biden e o ritmo de vacinação reacendem os temores de inflação no país.

O rendimento dos títulos de 10 anos do Tesouro americano -- usado como termômetro da inflação nos Estados Unidos -- atingiu um novo recorde, ultrapassando a marca de 1,76% no início da manhã. 

A taxa sobe à medida que os investidores aguardam atualizações sobre o plano de infraestrutura de Biden, que pode custar cerca de 3 trilhões de dólares. Detalhes do estímulo devem ser divulgados nesta quarta-feira, 31. 

O sentimento misto também reflete o episódio de instabilidade da véspera em que bancos expostos ao fundo hedge Archegos Capital sofreram perdas após o fundo ser obrigado a liquidar 20 bilhões de dólares em posições. O Dow Jones se recuperou e encerrou o dia em alta, mas os índices S&P500 e Nasdaq fecharam o pregão de ontem no vermelho.

Seguindo a recuperação no mercado americano, as bolsas europeias também avançam nesta manhã. O banco suíço Credit Suisse registra alta em torno de 0,8% após a queda de quase 14% na sessão anterior, uma vez que alertou para perdas "altamente significativas e materiais" com as liquidações do Archegos Capital.

Já os preços dos contratos futuros de petróleo recuam cerca de 1% nesta manhã após o navio Ever Given ser retirado do Canal de Suez na véspera. Analistas apontam, no entanto, que o petróleo deve continuar a trajetória de alta a médio prazo.

Veja abaixo os principais fatos desta terça-feira:

Reforma ministerial

Por aqui, investidores ficam atentos a uma espécie de reforma ministerial conduzida nesta segunda-feira, 29, quando o presidente Jair Bolsonaro trocou os titulares de seis pastas do governo. Com a demissão do chanceler Ernesto Araújo, do ministro da Defesa, o general Fernando Azevedo e Silva, e do advogado-geral da União, João Levi, houve uma troca de cadeiras no primeiro escalão.

Cientistas políticos ouvidos pela EXAME apontam que, apesar do Centrão sair fortalecido com a mudança, existe uma tentativa do governo de radicalizar e ter pessoas mais alinhadas ao que ele pensa no seu entorno.

Veja quem são os novos titulares de seis ministérios:

  • Ministério da Defesa: General Walter Souza Braga Netto (antes, na Casa Civil)
  • Casa Civil da Presidência da República: General Luiz Eduardo Ramos Baptista Pereira (antes, na Secretaria de Governo)
  • Secretaria de Governo da Presidência da República: Deputada Federal Flávia Arruda;
  • Advocacia-Geral da União: André Luiz de Almeida Mendonça (antes à frente do Ministério da Justiça)
  • Ministério da Justiça e Segurança Púbica: Delegado da Polícia Federal Anderson Gustavo Torres;
  • Ministério das Relações Exteriores: Embaixador Carlos Alberto Franco França (antes, chefe da Assessoria especial da Presidência).

Na véspera, o noticiário político também impactou o mercado com as discussões sobre o Orçamento para 2021, visto por analistas como um possível crime de responsabilidade fiscal.

Funcionário da Petrobras é demitido por insider trading

Homem de confiança do presidente da Petrobras (PETR3; PETR4), Roberto Castello Branco, o gerente executivo de Recursos Humanos da empresa, Claudio Costa, foi demitido ontem por negociar ações da estatal em bolsa poucos dias antes do anúncio do lucro recorde do quarto trimestre do ano passado. Em nota, a Petrobras diz que esse foi um episódio pontual de insider trading, uso de informação privilegiada. O executivo negou as acusações.


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SulAmérica tem novo CEO

A SulAmérica (SULA11) aprovou na noite de ontem Ricardo Bottas Dourado como novo CEO da seguradora. Bottas, que assume o lugar de Gabriel Portella Fagundes Filho, atua há 5 anos na companhia e é vice-presidente de controle e relações com investidores desde 2017. Bottas irá acumular seu cargo atual com o posto de CEO até que a empresa termine o processo seletivo para escolha do novo diretor de relações com investidores.

Linx tem prejuízo incomum e adia balanço

A empresa de tecnologia para o varejo Linx (LINX3) adiou a divulgação de seu balanço, prevista para esta terça-feira, e informou que detectou uma perda extraordinária de cerca de 41 milhões de reais em seu braço de pagamentos.

Em fato relevante, a empresa mencionou "perdas operacionais incomuns" na Linx Pay, "como consequência do cancelamento de transações atípicas por parte de terceiros na utilização de máquinas comercializadas por um parceiro comercial" cujo nome não foi revelado.

Disse apenas que a perda não foi oriunda de clientes Linx Core e Linx Digital e que o valor estimado será divulgado no resultado do quarto trimestre, cuja divulgação foi adiada de 30 de março para 19 de abril.

Balanços

O Grupo de alimentação IMC (MEAL3) divulga seu resultado do 4º trimestre de 2020 antes da abertura do mercado, com teleconferência com investidores às 10h. Já a corretora de seguros Qualicorp (QUAL3) apresenta seu balanço após o fechamento do mercado. A teleconferência será na quarta-feira, 31, às 11h.

Inflação

Às 8h, a FGV divulga a inflação medida pelo Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M). A expectativa do mercado é de que o IGP-M tenha avançado 3,10% em março na comparação mês a mês, após subir 2,53% na medição anterior. O índice de inflação é usado para reajuste de contratos, como aluguéis.


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Repórter especializada na cobertura de mercados. Formada pela ECA-USP, passou pelas redações da revista Capital Aberto e rádio BandNews FM.


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