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NotreDame e Hapvida disparam até 11%, PetroRio salta quase 5% e shoppings caem 4%

PUBLICADO EM: 11.1.21 | 10H41
ATUALIZAÇÃO: 11.1.21 | 18H35
Confira os principais destaques de ações desta segunda-feira
Hapvida e Intermédica fusão maior do setor

Foto de Paula Barra da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Paula Barra

Repórter de mercados da Exame. Formada em jornalismo pelo Mackenzie e pós-graduada em Produtos Financeiros e Gestão de Risco pela FIA. Especializada na cobertura do mercado financeiro, com passagens pelo InfoMoney, Empiricus e TradersClub | paula.barra@exame.com



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Em dia de queda do Ibovespa, somente 5 das 81 ações do Ibovespa fecharam no positivo. Entre os destaques de alta, apareceram novamente as ações da NotreDame Intermédica (GNDI3) e Hapvida (HAPV3), que voltaram a subir forte após dispararem até 27% na última sexta-feira, em meio à possível fusão entre as empresas. Nesta sessão, esses papéis registraram ganhos de 11,00% e 8,46%, respectivamente, figurando como a primeira e segunda maior alta do índice.

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Em relatório, analistas do BTG Pactual ressaltam que a transação não poderia ser melhor para ambas as empresas, com potencial de grande geração de valor. Segundo eles, não havia dúvidas de que um dia essa operação ocorreria, a surpresa foi o momento, especialmente após recente oferta secundária da NotreDame, quando a Bain Capital vendeu uma participação de aproximadamente 7% da empresa. "Pensamos que esse acordo estava guardado para o futuro".

"Após intensa atividade de fusão e aquisição por ambas as empresas em 2020 (Hapvida e NotreDame, juntas, adquiriram 1,7 mil leitos de hospitais e 1,1 milhões de beneficiários, ou cerca de 2% da base de membros da indústria), esse negócio significa simplesmente um xeque-mate na indústria", comentam.

Para os analistas, a fusão "desses dois gigantes, com histórico de muito sucesso", deve garantir força suficiente para a nova companhia manter uma posição de clara liderança no mercado de seguros de saúde do Brasil.

Eles ressaltam ainda que a nova companhia teria uma participação de mercado de 18% em termos de beneficiários, atingindo um número de 8,24 milhões (pró-forma, incluindo aquisições recentes), sendo 3,96 milhões vindos da Hapvida e 4,27 milhões da NotreDame. Nas contas do banco, a receita líquida das duas empresas combinadas deve chegar a 25 bilhões de reais em 2021, enquanto o lucro líquido ajustado pode atingir 2,69 bilhões de reais. Após a disparada na última sexta-feira, o valor de mercado somado das duas companhias alcançou 118 bilhões de reais.

Do ponto de vista de trading, a potencial fusão também pode aumentar o peso da nova companhia no Ibovespa -- atualmente, NotreDame possui um peso de 1,9% no índice e Hapvida, 0,7%. Juntas, as empresas podem passar a representar 2,6% do benchmark da Bolsa brasileira.

PetroRio

As ações da PetroRio (PRIO3) dispararam 4,57%, a terceira maior alta do Ibovespa, após a companhia ter informado na noite de sexta-feira que sua produção diária média de petróleo alcançou 26.570 barris de óleo equivalente por dia (boepd) em 2020, aumento de 38% na comparação com 2019. No quarto trimestre, a produção média diária total foi de 31.734 barris de óleo equivalente, crescimento de 25% frente ao mesmo período do ano anterior. O desempenho foi impulsionado pela aquisição de 80% do campo de Tubarão Martelo, em outubro, que pertencia à Dommo Energia, antiga OGX.

Segundo o estrategista Gustavo Cruz, da RB Investimentos, os papéis reagiram aos dados divulgados pela empresa, que mostram que o setor já apresenta sinais mais fortes de recuperação. "Se somarmos esses dados com os indicadores das companhias concessionárias de rodovias e até aos dados de monitoramento de descolamento em cidades de aplicativos, como da Apple, vemos que a circulação de veículos já ultrapassou o patamar pré-pandemia -- o que, no final, são ótimos indicadores antecedentes e mostram uma demanda mais forte por petróleo". Pelos dados do Google, a circulação ainda está levemente abaixo do nível pré-pandemia, pondera.

Apesar da disparada dos papéis, os preços do petróleo registraram queda nesta sessão. Os contratos do petróleo Brent, negociado em Londres, recuaram 0,64%, com temor de que aumento de casos de covid-19 gere novas medidas de restrição, enquanto o dólar mais forte no mundo pesa sobre os preços.

Shoppings 

Do lado oposto, as ações de shoppings, com Multiplan (MULT3), Iguatemi (IGTA3) e brMalls (BRML3) recuaram 4,34%, 4,29% e 2,87%, respectivamente. No mesmo setor, fora do índice, os papéis da Aliansce Sonae (ALSO3) caíram 4,31%.

"Os shoppings são muito afetados pela segunda onda. A BR Malls, por exemplo, está com queda acumulada de 50% nos últimos doze meses. A bolsa voltou, mas o setor ainda não. Com novas medidas de isolamento em Amazonas e Belo Horizonte, passa algum pessimismo para o setor, que depende muito da imunização da sociedade e volta da atividade econômica", diz Gustavo Bertotti, economista da Messem Investimentos.

Vale e siderúrgicas

Depois de caíram mais de 2% no pior momento do dia, as ações da Vale (VALE3) da Vale fecharam praticamente estáveis (-0,02%), apesar do pregão negativo para os preços do minério, enquanto as siderúrgicas seguiram em queda mais acentuada. Os papéis de Gerdau (GGBR4), Metalúrgica Gerdau (GOAU4) e CSN (CSNA3) fecharam em baixa de 2,75%, 1,71% e 2,19%, respectivamente.

A exceção foi Usiminas (USIM5), que subiu 1,21%, após o Credit Suisse elevar sua recomendação de neutra para outperform, equivalente a compra, assim como o preço-alvo, que passou de 12,00 reais para 20,00 reais, o que implica um potencial de valorização de 21% frente ao último fechamento. Por sua vez, o banco cortou a classificação de Gerdau e Metalúrgica Gerdau para neutra, enquanto manteve a Vale e CSN como preferidas no setor.

Interrompendo seis pregões seguidos no positivo, o minério de ferro negociado no porto chinês de Qingdao fechou com baixa de 0,54%, em 172,13 dólares a tonelada.

 

Foto de Paula Barra da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Paula Barra

Repórter de mercados da Exame. Formada em jornalismo pelo Mackenzie e pós-graduada em Produtos Financeiros e Gestão de Risco pela FIA. Especializada na cobertura do mercado financeiro, com passagens pelo InfoMoney, Empiricus e TradersClub | paula.barra@exame.com


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