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Os fundos de ações que mais ganharam investidores durante a pandemia

PUBLICADO EM: 27.5.21 | 7H14
ATUALIZAÇÃO: 27.5.21 | 11H53
Produtos temáticos e com exposição ao mercado internacional estiveram entre os mais buscados do período

Resumo do investidor

- Fundos de ações brasileiros captam 168 bilhões de reais durante a pandemia - Western Asset lidera ranking, com fundo que cresceu mais de 1.400% em número de cotistas

Home brokers, falhas nas operações e fundos motivam a maioria das reclamações

Fundos de ações estiveram entre Nilton Fukuda / Agência Brasil

Foto de Guilherme Guilherme da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Guilherme Guilherme

Repórter de mercado | guilherme.guilherme@exame.com



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A baixa rentabilidade da renda fixarenda fixa durante a pandemia levou investidores a trocar a segurança de produtos conservadores pela possível rentabilidade e o risco do mercado acionário. Desde março de 2020, quando o mercado brasileiro começou a sentir os primeiros efeitos do coronavírus, segundo dados da Anbima, os fundos de ações captaram 168 bilhões de reais, com o patrimônio total da indústria crescendo 34,3% para 657 bilhões de reais até o fim de abril. 

A evolução dos fundos de ações, no entanto, não foi uniforme e o momento atípico exigiu soluções nada convencionais. Com o dólar nas alturas e alguns setores se recuperando de forma mais rápida - e até se beneficiando - das medidas de restrição, fundos setoriais e ligados ao mercado internacional estiveram entre os mais procurados por investidores. Isso é o que revela o levantamento realizado pela plataforma de informações financeiras SmartBrain a pedido  da Exame Invest.

Dos dez fundos de ações que captaram mais investidores entre março de 2020 e abril deste ano, seis investem de forma preponderante em empresas listadas fora do país e quatro seguem parâmetros temáticos. Outra característica comum entre a maioria deles é o baixo valor de aplicação inicial, além de períodos de resgate relativamente curtos. 

Entre eles, o fundo que mais aumentou sua base de investidores foi, disparado, o Western Asset BDR, que passou de 9.215 para 139.424. O crescimento do número de cotistas foi 400% superior ao do segundo fundo que mais angariou investidores no período, o IP Participações IPG, que também investe em BDRs. 

Gestor do fundo da Western, Maurício Lima atribui a busca por fundos de BDRs à necessidade de diversificação regional. “Os investidores perceberam que investir no Brasil tende a ser mais arriscado do que em economias desenvolvidas. Como a estratégia tem 100% de exposição ao dólar, o fundo também serviu de contrapeso para os demais investimentos alocados em ativos brasileiros”, afirma. 

Com os novos investidores, o patrimônio líquido do fundo da Western saltou de 461,8 milhões de reais para 3,5 bilhões de reais, se tornando um dos maiores de ações do Brasil. Mas tamanho não é problema, diz Lima. Como opera ativos ligados ao mercado americano, não falta liquidez para manter um período de resgate de menos de 15 dias. 

Entre os fundos que investem em ativos brasileiros, o da Forpus liderou a captação de investidores, chegando a triplicar sua base para 27.492 cotistas. Porém, com os novos entrantes e o desempenho acumulado no período (23,95%), o fundo foi fechado para novas aplicações para que a gestão mantivesse a estratégia. No período, o patrimônio líquido do fundo cresceu 372%, chegando próximo de 1 bilhão de reais no início do ano. 

“O mercado brasileiro costuma abordar mais o lado empresa, já a nossa casa é especialista em cenário político e macroeconômico. Levamos mais em consideração o que o acontece da porta para fora da empresa”, diz Luiz Nunes, sócio-fundador da Forpus. Desde o início da criação do fundo, a estratégia deu 516% de retorno contra 146,19% do Ibovespa.

Plano BB 

Nenhuma gestora, contudo, teve mais fundos entre os dez que as que captaram mais investidores do que a do Banco do Brasil, com cinco. O resultado foi fruto da estratégia de oferecer aos clientes do banco carteiras recomendadas de fundos.

“Somos um banco com o histórico de carteira de clientes mais concentrada em fundos de renda fixa e nos últimos anos temos trabalhado na diversificação e levando para os investidores outras alternativas de composição de carteira, buscando equilibrar retornos e riscos”, comenta Eduardo Villela, gerente executivo da unidade de captação e investimentos do BB.

Aplicação mínima de R$ 1 centavo

Do lado da BB DTVM, a aplicação inicial mínima e o curto o período de resgate foram os diferenciais. Dos cinco fundos da BB DTVM com a maior entrada de cotistas, o valor mínimo de entrada é 1 centavo de real e, em quatro dos fundos, o período de resgate é de quatro dias, contando o dia do pedido. 

“Pela estratégia que estamos atuando, os ativos têm uma liquidez que nos proporciona bastante segurança. Então, não vemos razão para retirar liquidez do cotista”, diz Isaac Marcovistz, gerente executivo de produtos, comunicação e marketing da BB DTVM.

 Entre os fundos da BB DTVM, o BB Ações Siderurgia registrou a maior entrada líquida de cotistas no período, com 18.405. Na bolsa, as ações do setor estiveram entre as primeiras a reagir a recuperação da economia global, puxado pela valorização do minério de ferro.

“Essa é uma carteira que trabalhamos com uma visão de carteira temática. As principais alocações dele são Usiminas (USIM5), Gerdau (GGBR4) e CSN (CSNA3). Em Vale (VALE3)  entramos via Bradespar (BRAP4). E temos algumas correlatas, como Tupy (TUPY3), Marcopolo (POMO4), que são alocações menores, mas que tem a siderurgia como um insumo principal de sua cadeia produtiva”, diz Marcovistz.

Foto de Guilherme Guilherme da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Guilherme Guilherme

Repórter de mercado | guilherme.guilherme@exame.com


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