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Petrobras cai 4% com política de preços e corte de recomendação; Cosan dispara 8%

PUBLICADO EM: 8.2.21 | 10H46
ATUALIZAÇÃO: 8.2.21 | 18H33
Confira os principais destaques de ações desta segunda-feira
Plataforma P-52; Campo de Roncador,; Bacia de Campos; Petrobras; Petróleo

Foto de Paula Barra da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Paula Barra

Repórter de mercados da Exame. Formada em jornalismo pelo Mackenzie e pós-graduada em Produtos Financeiros e Gestão de Risco pela FIA. Especializada na cobertura do mercado financeiro, com passagens pelo InfoMoney, Empiricus e TradersClub | paula.barra@exame.com



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Apesar da alta do petróleo no mercado externo, as ações ordinárias da Petrobras (PETR3; PETR4) lideraram as perdas do Ibovespa nesta segunda-feira, 8, com queda de 4,14%. Os papéis preferenciais caíram 3,14%. Os investidores ficaram de olho nas discussões sobre a política de reajuste de preços da companhia, diante de preocupações sobre ingerência política na companhia, e corte de recomendação pelo Bradesco BBI.

Nesta manhã, o presidente Jair Bolsonaro disse que vai se reunir com a equipe econômica e que pode bater o martelo ainda hoje sobre redução de impostos federais sobre o combustível. Bolsonaro voltou a dizer que a Petrobras tem política de preços atrelada aos valores internacionais e que ele não tem influência sobre isso.

Mais cedo, a companhia disse que vai elevar os preços da gasolina, diesel e gás a partir, com validade a partir de amanhã.

No último domingo, 7, a companhia divulgou comunicado para reafirmar que não houve alteração no alinhamento de seus preços de combustíveis em relação ao praticado no mercado internacional.

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"Como prática adotada anteriormente e mantida desde 2019, a Petrobras segue a precificação de combustíveis alinhada aos preços internacionais convertidos para reais pela taxa de câmbio real/dólar norteamericano. Tal sistemática tem sido ampla e repetidamente divulgada ao mercado ao longo do tempo", disse a empresa.

Na sexta-feira, a companhia informou que, no primeiro semestre de 2020, dada a alta significativa da volatilidade de preços dos combustíveis, decidiu estender de trimestral para anual o período limite de apuração da aplicação da política de preços de combustíveis.

O comunicado dizia ainda que a empresa adota também métricas de monitoramento de preços de curto prazo. "Essa prática de acompanhamento do alinhamento de preços está em vigor desde então, mas pode ser alterada observando o melhor interesse dos seus acionistas".

Neste domingo, a companhia esclareceu que, diante de alta significativa da volatilidade dos combustíveis, decidiu, em junho de 2020, alterar de trimestral para anual o período de aferição da aderência entre o preço realizado e o preço internacional. "Tal mudança não deve ser confundida, de forma alguma, com modificação de política comercial, de fixação de periodicidade para reajustes ou de metas de desempenho", disse a petroleira no comunicado.

Mesmo com os esclarecimentos, os analistas do Bradesco BBI optaram por cortar a recomendação das ações de outperform, equivalente a compra, para neutra, assim como o preço-alvo, em meio à volta das discussões sobre a política de reajuste de preços da empresa, além dos riscos relacionados à situação dos caminhoneiros no país. O preço-alvo dos papéis passou de 37,00 reais para 34,00 reais, o que implica em um potencial de valorização de 17,2% frente ao fechamento da última sexta-feira.

"Embora a Petrobras controle o período de seus ajustes de preço do diesel, a situação com os motoristas de caminhão nos faz acreditar que esse 'timing' possa não estar alinhado com as expectativas dos acionistas", comentaram em relatório com a data de ontem. Além disso, eles apontaram que temem que essa "situação desconfortável" possa também atrasar o processo de venda das refinarias e, portanto, os dividendos futuros, que são fundamentais para os investidores, dado que não se sabe quanto será os preços do petróleo daqui a 10 anos em meio às mudanças para energias renováveis.

Ambev

As ações da Ambev (ABEV3) caíram 3,74% e figuraram como a segunda maior baixa do Ibovespa. Os analistas do BTG Pactual divulgaram um relatório com prévia do resultado do quarto trimestre da companhia, que está previsto para sair dia 25, antes da abertura do pregão.

Eles comentam que a recuperação dos volumes foi destaque da companhia no ano e estimam que os volumes no Brasil devem ser 14% maiores no quarto trimestre, quando comparado com o mesmo período do ano passado, e acima da média da indústria de 7,5%. Segundo eles, o balanço do quarto trimestre vai incorporar os efeitos de melhora de volumes em meio ao coronavoucher e boa execução da companhia.

No entanto, eles apontam que, olhando para frente, veem um cenário mais cauteloso, acreditando que parte dessa melhora no ano passado dificilmente vai conseguir se sustentar em um ambiente normalizado/pós-covid.

"Em um ambiente de consumo muito mais fraco, juntamente com aumento da inflação de alimentos (que historicamente tem afetado a cerveja), os volumes provavelmente cairão", comentam.

Além disso, eles destacam que a ação da empresa negocia com um múltiplo de Preço sobre Lucro (P/L) de 25 vezes estimado para este ano -- um dos mais altos já registrados, dizem, acrescentando que o  número representa ainda um prêmio de 45% para os papéis de AB Inbev e de 13% para seus pares globais.

Os analistas reiteraram recomendação neutra para as ações de Ambev, citando ainda que esperam por revisão para baixo do consenso do mercado e expectativa de que o resultado da companhia piore ao longo de 2021, diante da falta do auxílio emergencial e competição mais elevada.

BB Seguridade

As ações da BB Seguridade (BBSE3) viraram de alta de 1,8% na abertura para queda de 1,5%. A companhia reportou nesta manhã lucro líquido de 3,85 bilhões de reais em 2020, queda de 42,2% na comparação com 2019. Descontando efeitos extraordinários, o lucro recuou 10,0%, atingindo 3,877 bilhões de reais. No quarto trimestre, o lucro foi de 917 milhões de reais, queda de 19% frente ao mesmo período do ano anterior.

Em relatório, os analistas do BTG Pactual comentaram que o lucro veio abaixo de suas expectativas, embora os dados de outubro e novembro da Superintendência de Seguros Privados (Susep) já indicassem um ganho mais fraco. Segundo eles, isso ocorreu principalmente por conta da aceleração do IGP-M versus o IPCA, o que impactou o resultado financeiro da BrasilPrevi.

Eles apontaram também que a empresa divulgou seu guidance para 2021, estimando um resultado operacional não decorrente de juros de 6,2 bilhões de reais, ou 2% acima de suas projeções.

Ainda assim, destacaram que, no geral, consideram o papel de BB Seguridade caro. "Também não vemos muito momentum no curto prazo e resultado do quarto trimestre e guidance de 2021 não devem trazer revisões para cima de estimativas". Com isso, eles optaram por manter a recomendação neutra para as ações.

Cosan/Biosev

Fora do Ibovespa, as ações da Biosev (BSEV3) dispararam até 12,9% nos primeiros minutos de negociação mas amenizaram o movimento e subiram 3,46% neste momento. A alta ocorreu após a Raízen, líder mundial em açúcar e etanal de cana-de-açúcar, assinar nesta segunda acordo para comprar a empresa. A transação envolverá pagamento de 3,6 bilhões de reais e ações, informaram as empresas em fato relevante enviado ao mercado nesta manhã.

Com a operação, a Raízen, uma joint venture da Cosan e da Shell, passará a contar com um total de 35 unidades produtoras, totalizando capacidade instalada de 105 milhões de toneladas de cana. Os papéis da Cosan (CSAN3), que são negociados no Ibovespa, tiveram alta de 8,57%, a maior valorização do índice.

Estreias na B3

O dia foi marcado também por duas estreias na B3: enquanto as ações da Jalles Machado (JALL3) registraram ganhos de 8,91%, em 9,04 reais, os papéis da Focus Energia (POWE3) caíram 13,15%, em 15,65 reais, respectivamente, no primeiro dia de negociação na Bolsa.

A Jalles Machado, uma das principais produtoras de açúcar e etanol do país, precificou sua oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) em 8,30 reais por ação, valor abaixo da faixa indicativa que ia de 10,35 reais a 12,95 reais.

O IPO da Focus Energia saiu a 18,02 reais por ação, também bem abaixo da faixa indicativa, que ia de 21,20 reais a 28,60 reais.

Mosaico 

Os papéis da Mosaico (MOSI3), que estrearam na B3 na sexta-feira com alta de 96,97%, voltaram a subir forte e registraram alta de 5,21%.

A companhia, dona dos sites Zoom, Buscapé e Bondfaro, movimentou 1,2 bilhão de reais em seu IPO, sendo 578,6 milhões de reais com a oferta primária (quando os recursos vão para o caixa da companhia) e 636,4 milhões de reais com a oferta secundária (quando os acionistas vendem sua participação).

Segundo a empresa, os recursos captados na oferta primária serão usados para quitar um financiamento que pegou com o BTG Pactual (BPAC11) para comprar o Buscapé de volta em 2019, bem como ampliação da participação no mercado de comércio eletrônico. O BTG tem uma fatia de 3,8% na empresa. 

Foto de Paula Barra da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Paula Barra

Repórter de mercados da Exame. Formada em jornalismo pelo Mackenzie e pós-graduada em Produtos Financeiros e Gestão de Risco pela FIA. Especializada na cobertura do mercado financeiro, com passagens pelo InfoMoney, Empiricus e TradersClub | paula.barra@exame.com


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