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Economia

Petróleo poderia custar o dobro sem Opep+, diz ministro árabe

PUBLICADO EM: 8.11.21 | 10H14
O petróleo Brent acumula alta de 62% este ano, negociado em torno de US$ 84 o barril, impulsionado pela recuperação econômica global
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A Opep+ está desacelerando esses cortes a um ritmo de 400 mil barris por dia a cada mês

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Os Emirados Árabes Unidos disseram que os preços do petróleo estariam ainda mais altos atualmente se não fosse pela Opep+, sinalizando que o grupo continuará resistindo à pressão dos Estados Unidos para acelerar a produção.

“Felizmente, temos a Opep+”, disse o ministro de Energia dos Emirados Árabes Unidos, Suhail Al-Mazrouei, durante a conferência Africa Oil Week em Dubai na segunda-feira. A aliança de 23 países dos principais exportadores de petróleo evitou que tivéssemos “o dobro ou o triplo dos preços, e isso é algo que precisamos valorizar”.

O petróleo Brent acumula alta de 62% este ano, negociado em torno de US$ 84 o barril, impulsionado pela recuperação econômica global da pandemia de coronavírus e redução da produção da Opep+, implementada a partir do início do ano passado.

A Opep+ está desacelerando esses cortes a um ritmo de 400 mil barris por dia a cada mês. Os EUA e outros consumidores, como Japão e Índia, pediram aos Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Rússia e outros membros do grupo que acelerem o aumento da produção.

Mazrouei compartilhou a visão do ministro de Energia da Arábia Saudita, Abdulaziz bin Salman, dizendo que o mercado de petróleo está bem mais calmo do que os de gás natural e carvão. Os preços do gás mais do que dobraram na Europa e na Ásia este ano em meio à forte escassez, o que elevou os custos da eletricidade e atingiu economias da China à Índia.

“Se a Opep+ não estivesse lá, veríamos algo semelhante ao que aconteceu com o gás e o carvão”, disse Mazrouei. “Estamos trabalhando juntos para equilibrar o mercado.”

Cautela

A Opep+ deve permanecer cautelosa porque o mercado de petróleo vai registrar superávit no primeiro trimestre do ano que vem, disse.
Isso é “devido ao desaquecimento da demanda”, destacou. Ainda há surtos de Covid “em certos países, então temos que ter cuidado. Temos que equilibrar e ter certeza de que estamos trazendo os volumes necessários”.

Ainda assim, os membros do cartel podem se reunir em questão de dias se a situação mudar e a Opep+ precisar ajustar sua política.

“Estamos a um telefonema de distância um do outro”, disse. Os países trabalharão para garantir que não haja “um grande aumento dos preços que possa pesar sobre a economia mundial”.
Mazrouei disse que a decisão da Opep+ na semana passada foi unânime e nenhum membro propôs elevar a produção diária em mais de 400 mil barris.

Mais investimento em petróleo

Ele atribuiu o aumento dos preços do gás e do carvão a governos que desincentivam o investimento em combustíveis fósseis e tentam fazer a transição para a energia renovável muito rapidamente.

Os Emirados Árabes Unidos se comprometeram a neutralizar emissões de gases que aquecem o planeta até 2050, embora continue com um projeto de bilhões de dólares para aumentar a capacidade de produção de petróleo de 4 milhões para 5 milhões de barris por dia.

“O petróleo e o gás são necessários para que possamos avançar mais rapidamente para os compromissos líquidos de 2050 e 2060”, disse. Os picos dos preços da energia se tornarão mais frequentes “se não investirmos o suficiente”.

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