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Por que a Porto Seguro quer ser conhecida para além do seguro de carro

PUBLICADO EM: 3.5.21 | 14H23
ATUALIZAÇÃO: 3.5.21 | 14H48
Companhia teve balanço divulgado hoje e o presidente Roberto Santos reforça como a diversificação ajuda na crise
Roberto Santos, CEO da Porto Seguro

Roberto Santos, presidente da empresa: balanço financeiro do 1º trimestre de 2021 é o primeiro a dividir resultados por áreas de negócios (Fernando Martinho)

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Marília Almeida

Repórter da Exame



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Recentemente a Porto Seguro (PSSA3) colocou de pé uma campanha cujo intuito é mostrar que a empresa tem um ecossistema completo de soluções que protegem as finanças de seus clientes, e não se reduz à primeira opção que vem à cabeça do consumidor quando pensa em um seguro para seu carro. A estratégia faz sentido, e o balanço financeiro da empresa no primeiro trimestre do ano, divulgado nesta segunda-feira, 3, demonstra isso.

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Isso poque é a primeira vez que a companhia divide seu balanço por verticais do negócio, como parte de uma reestruturação que dará autonomia a cada vertical, diz Roberto Santos, presidente e diretor de relações com investidores da Porto Seguro, à EXAME Invest. "Colocamos de forma mais clara uma tendência que observamos nos últimos anos, nos permite sermos mais resilientes na crise e possibilitará que a gente atinja nossa meta, que é dobrar o número de clientes em cinco anos". Atualmente, a Porto Seguro tem 8,5 milhões de clientes.

Segundo o documento, houve aumento da receita em todas as verticais de negócios: seguros, serviços financeiros, saúde e serviços, o que levou a um aumento de 49% no lucro líquido recorrente da campanha, que não considera a receita obtida com a venda da carteira de alarmes monitorados no ano passado. Mas não é a vertical de seguros que puxa o crescimento, mas sim serviços, para veículos, a casa e também financeiros.

Crescimento forte em serviços

Na vertical, as receitas recorrentes cresceram 21,9%, com destaque para o serviço de assinatura de veículos da companhia, o Carro Fácil, que cresceu 25,2% e alcançou 7.400 contratos ativos (17,5% mais do que o registrado no mesmo trimestre do ano passado). No primeiro trimestre, a empresa lançou o Bllu, um seguro específico para esses carros por assinatura. "O serviço já vinha crescendo, mas a pandemia deu um empurrão. Se alguém não tem carro, mas teme andar com Uber, pode optar por usar um carro próprio, e não ter um carro próprio. É uma comodidade grande: ele só tem de se preocupar em colocar combustível e pagar a assinatura".

A expansão de 53,9% nas receitas da Porto.Pet também colaborou. O destaque é o anúncio recente do acordo com a Petlove, em que a Porto Seguro irá transferir a operação de seguros de pets para a Petlove e passará a deter 13,5% de participação acionária na empresa (a operação ainda precisa ser homologada pelo Cade). "É mais um passo para diversificarmos a atuação. Iremos agora não apenas apostar em seguros para pet, mas num grande marketplace de produtos para pet shop, que por causa das soluções que entrega para veterinários vai nos permitir acelerar o crescimento da proteção", resume Santos.

Também está incluído nesta vertical o Reppara!, lançado pela companhia recentemente e voltado para quem não quer ter seguro da empresa, mas acesso aos serviços oferecidos por meio de uma mensalidade que custa 19,90 reais ao mês.


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Outra aposta no segmento de assinatura, além do serviço de saúde, lançado no ano passado, foi o lançamento do Tech Fácil, específico para smartphones, neste trimestre, diz o executivo. "Estamos surpresos com as vendas. Já temos parceria com a Samsung. A própria fabricante não conseguiu suprir o volume de aparelhos que pedimos em um primeiro momento. O plano tem seguro embutido. Então, o consumidor assina, fica com celular protegido e vai trocando por um novo a cada ano. Queremos expandi-lo para iPads e até computadores".

A vertical de serviços ainda é deficitária. Mas isso é natural, pontua Santos, e tende a melhorar ao longo do tempo. "Muitos produtos estamos colocando no mercado agora. Então, são como startups. Mas nosso destaque, o Carro Fácil, já atingiou o break even, por exemplo. Fora que o déficit é pequeno: são 500.000 reais".

Desempenho das outras verticais

A vertical de saúde, assim como a vertical de serviços, apresentou déficit no período. Restrita à capital de São Paulo, Grande São Paulo e Rio de Janeiro, onde a empresa começou a atuar apenas recentemente, pesou sobre o resultado o aumento de sinistralidade causado pela pandemia, especialmente nesta segunda onda. "A pandemia está atingindo os mais jovens, que ficam mais tempo na UTI e aumentam as despesas dos planos".

No segmento de seguros os prêmios cresceram 6,6% em comparação ao primeiro trimestre de 2020, um avanço menor do que o obtido com receitas de serviços financeiros, que aumentaram 7,8%. "Os serviços financeiros respondem por mais de um terço do lucro da seguradora. Os financiamentos concedidos por nossa financeira aumentaram 39% no período, enquanto serviços de consórcio, que inclui veículos, máquinas pesadas e energia solar, avançaram 29%", pontua Santos.

Além disso, os resultados da vertical de seguros não foram alavancados principalmente pela proteção de veículos, que registrou aumento de 6,7% dos prêmios, mas sim por seguros patrimoniais, que cresceram 8,5%. Já o segmento de Vida cresceu 2,6%, incentivado pela pandemia. "Essa diversidade nos torna resilientes na crise. Na pandemia, a sinistralidade do seguro de vida aumentou, enquanto a de proteções para veículos caiu, o que ajuda a estabilizar a operação. Observamos um aumento de sinistralidade também no seguro residencial, pois seus serviços foram mais utilizados durante o isolamento. Então, repassamos isso para o preço do produto".

A empresa detém 30% da fatia do segmento de seguros para automóveis e enfrenta uma concorrência cada vez maior, o que exigiu a criação a Azul, que concentra a oferta de seguros mais econômicos. Portanto, nada mais natural do que diversificar.

Outros números

Também colaboram para o bom resultado demonstrado no balanço, além da diversificação de atuação, também a de aplicações financeiras.

Nos últimos 12 meses a empresa precisou ampliar a atuação, já que o CDI atingiu e agora está ainda próximo de sua mínima histórica. No período a empresa passou a investir mais em títulos indexados à inflação, ações e fundos multimercado, o que contribuiu para um bom resultado no primeiro trimestre. O retorno sobre as aplicações financeiras da companhia foi de 2,36%, equivalente a 488% do CDI do período.

A empresa também vem conseguindo melhorar a qualidade de sua carteira de seguros. No consolidado do segmento, o índice combinado atingiu 92,3%, uma alta de 1,8 ponto porcentual no trimestre frente ao mesmo período de 2020. Isso foi obtido por conta de um aperfeiçoamento na precificação e subscrição de riscos dos produtos, além do efeito benéfico da pandemia sobre a sinistralidade em alguns produtos.

O índice de despesas administrativas e operacionais, desconsiderando despesas e incentivos a programas sociais para combater os impactos da pandemia, melhorou 0,3 ponto porcentual em comparação ao mesmo período de 2020. Santos aponta que investimentos em tecnologia e aperfeiçoamento de processos contribuiram para aumentar a eficiência operacional. Um exemplo disso são os atendimentos via WhatsApp, que já respondem a 1/3 do total de assistências.

A companhia tem um super app que já inclui o acompanhamento de solicitações relacionadas ao seguro auto, residencial e cartões de crédito. A ideia é incluir todos os produtos.

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