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Por que a Americanas afunda 15% em semana de estreia na Bolsa?

PUBLICADO EM: 22.7.21 | 16H41
ATUALIZAÇÃO: 23.7.21 | 7H55
Fruto da união de B2W e ativos das Lojas Americanas, as ações AMER3, que começaram a ser negociadas na B3 na segunda, tiveram seu quarto pregão seguido negativo

Centro de distribuição da Americanas (ex-B2W) | Foto: Lia Lubambo

Foto de Paula Barra da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Paula Barra

Repórter de mercados da Exame. Formada em jornalismo pelo Mackenzie e pós-graduada em Produtos Financeiros e Gestão de Risco pela FIA. Especializada na cobertura do mercado financeiro, com passagens pelo InfoMoney, Empiricus e TradersClub | paula.barra@exame.com



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Desde que começaram a ser negociadas na Bolsa na segunda-feira, dia 19, as ações da holding Americanas S.A. (AMER3) – fruto da fusão da B2W com parte das Lojas Americanas –  estão em queda livre. Os papéis tiveram nesta quinta-feira, dia 22, o quarto pregão seguido no terreno negativo, acumulando no período desvalorização de 15,4%.

A nova empresa reflete a incorporação tão esperada pelo mercado do caixa e das 1.700 lojas das Lojas Americanas e parte da Ame Digital pela Americanas S.A., antiga B2W, criando uma nova gigante do e-commerce.

Os papéis das Lojas Americanas (LAME3; LAME4) seguem negociados no mercado, mas foram reprecificados, uma vez que a companhia deixou de ter 62,5% da B2W para possuir 38,9%. Além disso, os acionistas das Lojas Americanas receberam 18 ações AMER3 para cada 100 ações que possuíam de LAME3 ou LAME4, com o crédito tendo sido efetuado no dia 21 de julho.

Por que as ações AMER3 caem?

Embora a união das duas empresas tenha sido avaliada como positiva pelos investidores, dado os ganhos de sinergias, o mercado pode não ter gostado tanto da estrutura do acordo de combinação, apontou Bruno Lima, analista-chefe de ações do BTG Pactual digital. Além disso, ele comentou que, apesar de não serem ruins as expectativas para os resultados de curto prazo, eles também não devem ser catalisadores para o papel.

Há outro fator técnico que também pode estar por trás do movimento. Com a operação, os papéis da holding Lojas Americanas (LAME3; LAME4) passaram a ser negociados com um desconto excessivo na visão de analistas, o que pode ter criado uma possível arbitragem entre AMER3 e LAME.

"É normal uma holding negociar com desconto, como vemos com Itaúsa (ITSA4) e Bradespar (BRAP4), por exemplo. No entanto, acreditamos que esse desconto está excessivo quando analisamos os números", diz Lima. De acordo com ele, os papéis LAME3 e LAME4 deveriam negociar com um desconto de holding entre 15% e 20%, mas atualmente são cotados com um desconto de cerca de 30%. "Há, portanto, uma oportunidade de arbitragem nessa redução de desconto."

Qualitativamente, o analista afirmou que vê um valor significativo do lado operacional para AMER3 com a reestruturação, uma vez que vai permitir que a companhia realmente construa uma operação de multicanalidade, com um banco de dados integrado, e tenha maior capacidade de explorar oportunidades no negócio de publicidade devido à grande base de tráfego. A operação também abre caminho para novas fusões e aquisições.

O estrategista da RB Investimentos, Gustavo Cruz, lembrou que movimento similar foi visto quando ocorreu a cisão do Pão de Açúcar (PCAR3) com o Assaí (ASAI3) no começo do ano. "Naquela ocasião, os papéis sofreram por um tempo até se estabilizarem, até o mercado começar a olhar as companhias de forma separadas. Agora, entendo que esteja acontecendo o mesmo, só que em uma operação inversa, de união de negócios", disse. Para ele, o movimento ocorre por razões técnicas, não por fundamentos. "Vejo a reestruturação como positiva para as companhias, uma vez que separadas elas não tinham muitas sinergias."

Na leitura de Cruz, a Americanas está na direção correta, tanto por causa das sinergias quanto por buscar novas fusões e aquisições. "O mercado está propício para isso, vide os últimos movimentos de suas concorrentes Magazine Luiza (MGLU3) e Via (VVAR3)". Segundo ele, a queda recente pode ser desconfortável para o acionista, mas as perspectivas são favoráveis. "E, para quem não tem a ação, olharia como um ponto interessante de entrada."

No mesmo sentido, o gerente de research da Ativa Investimentos, Pedro Serra, comentou que essa volatilidade nos primeiros pregões é normal. "O mercado pode estar também arbitrando o desconto excessivo com que passou a ser negociada a holding Lojas Americanas, de 31% sobre o valor de AMER3. Investidores institucionais podem estar operando esse fechamento de gap", avaliou.

Segundo Serra, a união das empresas tem fatores positivos, como o fim do conflito de interesses na Ame Digital e a maior facilidade para operações de fusões e aquisições. No entanto ele tem uma visão neutra para as ações AMER3. "Estamos mais otimistas com Magalu, que vemos com melhores fundamentos, e Via, que acreditamos estar muito barata", ressaltou.

 

Foto de Paula Barra da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Paula Barra

Repórter de mercados da Exame. Formada em jornalismo pelo Mackenzie e pós-graduada em Produtos Financeiros e Gestão de Risco pela FIA. Especializada na cobertura do mercado financeiro, com passagens pelo InfoMoney, Empiricus e TradersClub | paula.barra@exame.com


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