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Por que Americanas desabou 8% apesar do lucro acima do esperado?

PUBLICADO EM: 13.8.21 | 22H09
ATUALIZAÇÃO: 14.8.21 | 1H55
Ações AMER3 fecham a semana com a segunda maior baixa do Ibovespa no período
Lojas Americanas

Foto de Paula Barra da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Paula Barra

Repórter de mercados da Exame. Formada em jornalismo pelo Mackenzie e pós-graduada em Produtos Financeiros e Gestão de Risco pela FIA. Especializada na cobertura do mercado financeiro, com passagens pelo InfoMoney, Empiricus e TradersClub | paula.barra@exame.com



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As ações da Americanas (AMER3) fecharam entre as maiores perdas do Ibovespa nesta sexta-feira, 13, apesar de a companhia ter revertido um prejuízo em lucro no segundo trimestre e superado as expectativas do mercado.

A empresa reportou lucro líquido de 225 milhões de reais no período, contra um prejuízo de 36 milhões de reais no mesmo trimestre do ano anterior. O número veio também melhor do que o estimado pelo consenso, de perda de 103,5 milhões de reais.

Ainda assim, os papéis fecharam com baixa de 7,88% nesta sessão. E, na semana, acumularam queda de 11,16%, a segunda maior do índice.

Por que a ação caiu?

Segundo o estrategista Gustavo Cruz, da RB Investimentos, apesar da empresa ter mostrado um incremento de 33% nas vendas no canal online (GMV, na sigla em inglês), o número ficou abaixo dos seus pares Magazine Luiza (MGLU3) e Mercado Livre, acima apenas de Via (VVAR3).

Cruz destacou ainda que a última linha do balanço da empresa foi beneficiada por um crédito fiscal de 309 milhões de reais, ou seja, por um efeito não recorrente e não por sua operação em si. Sem isso, a Americanas teria tido um prejuízo de 85 milhões de reais.

Além disso, o desempenho das lojas físicas também vieram bem abaixo do que os concorrentes, o que acabou afetando as vendas totais da empresa, comentou Pedro Serra, gerente de research da Ativa Investimentos.

A rentabilidade foi outro fator negativo, disse Serra. "As margens vieram abaixo das nossas projeções, impactadas por um aumento das despesas com vendas e marketing e uma maior penetração do online".

"Apesar de alguns números interessantes, temos visto margens bem ajustadas, bem parecido com o que vimos em Via. O mercado começa a ficar desconfiado, buscando entender o quanto a rentabilidade vai sofrer para puxar o crescimento da empresa", ressaltou Henrique Esteter, analista da Guide Investimentos.

Sinergias e aquisições

Apesar do pé atrás do mercado com os números, Cruz apontou que a grande notícia para a empresa esta semana não foi o resultado, mas sim a aquisição do Hortifruti Natural da Terra.

"Foi uma compra bem feita, com um preço pago interessante. Além disso, sinaliza que a empresa vai focar mais em fusões e aquisições, depois de ter passado um primeiro semestre atenta às sinergias entre B2W e Americanas".

"As sinergias terão um impacto grande para a companhia, mas o que de fato pode virar o jogo para a Americanas são esses movimentos de fusões e aquisições, com a empresa mostrando como pode conquistar terreno em 2022", comentou.

Embora estejam descontadas frente aos pares, os analistas do BTG Pactual (BPAC11) acreditam que uma possível reclassificação das ações pelo mercado dependerá da entrega de resultados consistentes (de preferência acima dos pares líderes) nos próximos trimestres.

Eles pontuaram também que o recente negócio que culminou na fusão de Lojas Americanas com B2W (dando origem a Americanas SA) deve desbloquear valor para a companhia. "A AMER3 deve ser vista (e avaliada) como um player multicanal, mas atualmente vemos assimetria no desconto da holding".

"Num exercício assumindo os preços atuais das ações LAME4, LAME3 e AMER3, alcançamos descontos de detenção para LAME4 e LAME3 de 22% e 29%", disseram.

Com a queda da sexta-feira, as ações AMER3 acumulam desvalorização de 12% neste mês, contra recuo de 0,5% do Ibovespa. E, desde a fusão da Lojas Americanas com a B2W, na metade de julho, as ações AMER3 acumulam queda de 29% na Bolsa, contra baixa de 4% do índice.

Foto de Paula Barra da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Paula Barra

Repórter de mercados da Exame. Formada em jornalismo pelo Mackenzie e pós-graduada em Produtos Financeiros e Gestão de Risco pela FIA. Especializada na cobertura do mercado financeiro, com passagens pelo InfoMoney, Empiricus e TradersClub | paula.barra@exame.com


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