Exame Invest
Mercados

Rede D'Or mineira? Entenda se vale a pena entrar no IPO da Mater Dei

PUBLICADO EM: 13.4.21 | 6H08
ATUALIZAÇÃO: 13.4.21 | 6H03
Período de reserva para participar da oferta termina hoje; estreia da empresa na B3 está prevista para o dia 16 de abril

Resumo do investidor

O que está em jogo: 1. O IPO da rede de hospitais Mater Dei, de Minas Gerais, é um dos mais aguardados do ano 2. A oferta deve confirmar o interesse crescente por companhias do setor de saúde na bolsa 3. Investidores interessados têm até esta terça para fazer o pedido de reserva de ações

Hospital Vila Nova Star; RPA no Centro Cirúgico; Rede D'Or Foto: Germano Lüders 16/08/2019

Hospital da Rede D'Or: Mater Dei busca trilhar na bolsa o mesmo caminho de sucesso da concorrente

Foto de Beatriz Quesada da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Beatriz Quesada

Repórter de mercados, passou pelas redações da revista Capital Aberto e rádio BandNews FM | beatriz.quesada@exame.com



Compartilhe nas redes sociais
GUIA
Em alta

INVISTA 5MIN

A Mater Dei, maior rede de hospitais de Minas Gerais, busca trilhar na bolsa o mesmo caminho de sucesso inaugurado pela Rede D’Or (RDOR3) no ano passado. No final de 2020, a concorrente realizou o terceiro maior IPO (oferta pública inicial de ações, na sigla em inglês) da história da B3, levantando 11,39 bilhões de reais. 

Quer saber qual o setor mais quente da bolsa no meio deste vaivém? Assine a EXAME Invest Pro

Os planos da Mater Dei são bem mais modestos a captação pode movimentar em torno de 2 bilhões de reais. O objetivo, no entanto, é semelhante: se consolidar como um grande player no setor de hospitais privados por meio de aquisições.

Para isso, a Mater Dei pretende ofertar 80,6 milhões de ações a um preço estimado em 24 reais, ponto médio da faixa indicativa, que vai de 21,80 reais a 26,20 reais por papel. A oferta será 84% primária, ou seja, a maior parte dos recursos vai para o caixa da companhia. 

Segundo o prospecto, 80% desse montante será destinado a processos de fusão e aquisição (M&A) e os outros 20% à expansão orgânica, ou seja, aumentar a participação de mercado sem englobar outros negócios já existentes.

Investidores não institucionais têm até esta terça-feira, 13, para participar da oferta. A precificação dos papéis acontece no dia seguinte, e as ações estreiam na B3 na sexta-feira, 16, sob o código MATD3.

Fundada em 1973, a rede Mater Dei é líder de mercado em Minas Gerais, com 18% do total de leitos privados da região metropolitana de Belo Horizonte. São três unidades na capital mineira e uma quarta em Salvador (BA), que ainda está em construção. Ao todo, ela conta, hoje, com 541 leitos em operação e 541 já construídos, mas ainda não operacionais.

Entenda o que os analistas pensam da oferta:

Setor em alta

O setor de saúde está na mira dos investidores, com cinco operações na área apenas em abril. Além da Mater Dei, estão na lista o já realizado re-IPO da companhia de medicina diagnóstica Dasa (DASA3), e as ofertas da redes Hospital Care, da fornecedora de medicamentos Blau Farmacêutica e da CM Hospitalar (Viveo), distribuidora de produtos médicos e hospitalares.

Entre as redes hospitalares, a competição é acirrada e já conta com competidores de peso, como Rede D’Or, Dasa e a Hapvida (HAPV3). Esta última acabou de adquirir a Intermédica (GNDI3) na maior operação de fusão já realizada no mercado de capitais brasileiro.

Para a casa de análise Nord Research, a Mater Dei fica para trás na corrida pela consolidação dos hospitais privados. “O mercado de hospitais brasileiro já é um mercado de gigantes. Mater Dei, após seu IPO, deverá valer ‘apenas’ 10bi na bolsa”, afirma, em relatório, a analista Danielle Lopes.

A Rede D'Or vale 127 bilhões de reais, enquanto a Dasa é avaliada em 70 bilhões de reais. A combinação entre Hapvida e Intermédica vale 110 bilhões de reais.

A Levante Investimentos destaca ainda que a Mater Dei perde para a concorrência em Belo Horizonte, seu principal mercado de atuação. “Todos os outros players [que atuam na região] têm operação verticalizada e 60% das empresas operadoras de planos de saúde não são clientes da Mater Dei”, apontam em relatório.

A verticalização é um movimento em que as operadoras de saúde passam a ter uma rede própria de hospitais e de outras estruturas. Operações verticalizadas diminuem a necessidade de contratos com hospitais e podem ser um desafio para a Mater Dei.

Múltiplos elevados

Ainda dentro do universo das comparações, a Nord Research afirma que a Mater Dei é uma “mini Rede D’Or mineira”. O problema é que seus múltiplos – métricas de avaliação da empresa – não tem nada de “mini”.

“A ação da Mater Dei está sendo oferecida ao mercado com os mesmos múltiplos de Rede D'Or. Se, no mercado de hospitais, tamanho é documento, Rede D’Or sai na frente (é 10x maior)”, argumenta Lopes, da Nord.

O múltiplo que compara valor da empresa e Ebitda (EV/Ebitda) também foi apontado pela casa de análise Levante como um ponto negativo da oferta. Segundo o relatório, o EV/Ebitda da Mater Dei é de 25,1x considerando o meio da faixa de preço. É quase o mesmo preço do múltiplo de 26,4x para Rede D’or e de 23,7x para as empresas Hapvida e Intermédica combinadas. 

“A empresa ainda é um player local, que atua na região metropolitana de Belo Horizonte. Sem uma forte presença nacional como a Rede D’or e Hapvida/Intermédica, seus múltiplos podem ser considerados elevados no preço pretendido na oferta”, avaliam os analistas. 

M&A

A última preocupação dos analistas é com a capacidade da Mater Dei em realizar fusões e aquisições operações que a companhia nunca fez. Vale lembrar que 80% dos recursos captados na oferta serão utilizados para este fim.

Os analistas Tiago Reis e Alberto Amparo, da Suno Research, destacam que a companhia não tem histórico nesse tipo de operação, o que dificulta a avaliação de sua competência na área. É possível, por exemplo, que a inexperiência leve a companhia a realizar uma aquisição muito cara, que destrói valor ao invés de agregar. 

“Além disso, mesmo adquirindo novos negócios a um preço atrativo, há o risco de não conseguir integrar as novas aquisições às atuais operações da companhia, o que comprometeria os benefícios proporcionados pelas sinergias”, diz o relatório.

Vale participar?

As três casas de análise elogiaram a experiência da diretoria e a governança corporativa da empresa, além de destacarem o bom momento para o setor de saúde. Ainda assim, todas recomendaram ficar de fora da operação. Os motivos principais foram a alta concorrência no setor, os múltiplos muito elevados e a falta de histórico em operações de M&A. 

Os investidores que quiserem participar do IPO precisam avisar sua corretora sobre quantos papéis gostaria de comprar no IPO e por qual preço. O valor mínimo para participar é de 3.000 reais, e o máximo, de 1 milhão de reais. O período de reserva para participar da oferta termina hoje.

De 0 a 10 quanto você recomendaria Exame para um amigo ou parente?

Clicando em um dos números acima e finalizando sua avaliação você nos ajudará a melhorar ainda mais.

Foto de Beatriz Quesada da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Beatriz Quesada

Repórter de mercados, passou pelas redações da revista Capital Aberto e rádio BandNews FM | beatriz.quesada@exame.com


Compartilhe nas redes sociais
Mosaico do rodapé com as cores da Exame