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Nova onda de commodities pode beneficiar o Brasil, aponta EXAME Gavekal

PUBLICADO EM: 14.2.21 | 8H15
ATUALIZAÇÃO: 14.2.21 | 12H23
Turbulência no fim de janeiro pode ser passageira: quando a aversão ao risco passar, há indicações de que os fluxos para mercados emergentes serão retomados
Colheita de soja no Mato Grosso (Arquivo/EXAME)

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Juliano Passaro

Repórter da Exame



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Os mercados emergentes passaram por um período de forte alta durante os últimos meses de 2020 e o início de 2021. Apesar disso, no fim de janeiro, novas oscilações tomaram conta desses mercados.

Mas, de acordo com Udith Sikand, analista sênior de mercados emergentes da Gavekal Research, quando a aversão dos investidores ao risco passar, e isso pode estar próximo de acontecer -- ou até já ter passado --, há indicações de que os fluxos para mercados emergentes serão retomados.

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"Como antes, muitos desses fluxos irão para a renda fixa chinesa com base em um diferencial favorável de rendimento real. E, de forma mais ampla, muito do fluxo irá para os ativos asiáticos, como uma jogada em relação à promissora perspectiva para os exportadores asiáticos de produtos manufaturados, à medida que a demanda entre seus clientes de países desenvolvidos se recupere", afirmou Sikand em novo relatório da EXAME Gavekal Research.

A EXAME Gavekal Research é a parceria da casa de análises da EXAME com uma das mais respeitadas casas de análise macro independente do mundo.

Mesmo que o panorama macro favoreça as moedas dos fabricantes asiáticos em mercados emergentes, outros fatores podem jogar a favor das moedas dos mercados emergentes exportadores de commodities (não asiáticos), como o Brasil (que exporta de minério de ferro e petróleo a soja, milho e outros alimentos).

Isso acontece porque, primeiramente, segundo Sikand, é seguro dizer que grandes "macro forças" não são o único fator que impulsiona as moedas de mercados emergentes.

"É possível afirmar isso com alguma confiança, porque os fluxos para os mercados emergentes continuaram nas primeiras semanas de janeiro, mesmo com o dólar se fortalecendo devido a uma reavaliação das perspectivas de crescimento relativo dos Estados Unidos frente a grande parte do resto do mundo", disse Sikand.

A avaliação também foi feita por causa da lenta implementação de programas de vacinação em muitos países e, principalmente, nos países emergentes. Os fluxos citados anteriormente mostram que os investidores têm cada vez mais apetite em investir em mercados emergentes.

"Esse apetite sugere que investidores fariam bem em considerar mercados emergentes não asiáticos e exportadores de commodities, além dos exportadores de manufaturados do Norte da Ásia", afirmou Sikand no relatório.

O especialista também destacou que outros fatores estão proporcionando potenciais ventos a favor dos exportadores de commodities. Entre os exemplos citados no cenário econômico estão:

  • O aumento recente nas interpretações da inflação global, que favorece os exportadores de commodities em relação aos exportadores de produtos manufaturados.
  • As previsões recentes que favorecem moedas emergentes não asiáticas em relação a seus pares asiáticos.

Sikand explicou que, enquanto os exportadores de manufaturados monetizam os volumes, os exportadores de commodities monetizam os preços. Assim, a recuperação nos países ricos provavelmente levará a um ambiente com maior inflação no cenário global, especialmente se as cadeias de suprimentos continuarem paradas.

Como consequência, isso irá pressionar os exportadores de manufaturados, que terão custos mais altos nos insumos, enquanto a concorrência limitará sua capacidade de repassar esses custos mais elevados aos clientes. Em contrapartida, os exportadores de commodities se beneficiarão dos preços de produção mais altos e suas condições de comércio irão melhorar ainda mais.

Riscos no cenário

Sikand reforçou, porém, que fatores individuais de cada mercado ainda podem representar riscos. O déficit fiscal do Brasil, mesmo financiado internamente, é preocupante, na visão do especialista da EXAME Gavekal Research.

No México e na África do Sul, as empresas endividadas do setor público também estão pesando nas respectivas economias. Na Turquia, a lira turca tenha sido uma das poucas moedas dos mercados emergentes a registrar ganhos acumulados frente ao dólar americano. Mesmo assim, o risco da política no país permanece alto.

Em um ambiente onde as forças estruturais seguem apontando para a fraqueza do dólar dos Estados Unidos, os investidores em mercados emergentes podem chegar um pouco mais longe no ambiente de risco e qualidade.

"Concluindo, investidores podem querer tirar vantagem da pausa atual no ciclo de depreciação do dólar americano para carregar os ativos dos mercados emergentes super vendidos e subvalorizados que podem ser encontrados principalmente fora da Ásia", finalizou Sikand.

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Juliano Passaro

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