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Small caps: as oportunidades para bater o Ibovespa em 2021

PUBLICADO EM: 8.2.21 | 9H35
ATUALIZAÇÃO: 9.2.21 | 12H43
Mais dependentes da economia local, empresas de menor porte reservam grande potencial de alta com avanço de agenda econômica

(Getty Images/iStockphoto)

Foto de Guilherme Guilherme da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Guilherme Guilherme

Repórter de mercado | guilherme.guilherme@exame.com



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Sem conseguir se recuperar das quedas do início da pandemia, o Índice Small Caps (SMLL)  ficou para trás do Ibovespa, que fechou 2020 em alta e vem quebrando recordes, puxado pelo setor de commodities. Mas a melhora do ambiente interno, com perspectivas de aprovação de reformas, pode reservar um futuro ainda mais promissor para as small caps.

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“As small caps tendem a se beneficiar mais quando o ambiente interno está mais seguro, com crescimento mais forte e juros baixos por mais tempo”, afirma Thomás Gibertoni, gestor de portfólio da Portofino.

Com a vitória de candidatos do governo na disputa pela presidência da Câmara e do Senado, o maior otimismo dos investidores sobre a economia interna tem se refletido nas taxas de juros futuras, que expressam a expectativa do mercado para a Selic nos próximos anos. 

Em menos de duas semanas, as perspectivas de Selic para 2027 caíram em 50 pontos base, de 7,48% para 6,98%. Nesse mesmo período, o Ibovespa subiu 2,44%, enquanto o SMLL, 5,44%. Na última semana, o SMLL subiu 5,59% e o Ibovespa, 4,5%.

“As small caps têm maior foco na economia doméstica. Agora que passou o momento de otimismo com as vacinas, os holofotes vão se voltar para o problema fiscal do país, com necessidade de maior estabilidade política e avanço de reformas. Essa situação vai ditar a performance e o aumento de exposição em small caps”, diz Ricardo Cavalieri, estrategista de ações do BTG Pactual Digital.

Efeito semelhante ocorreu em 2019, quando a tão esperada reforma da previdência foi aprovada. Naquele ano, o Índice Small Caps conseguiu quase o dobro do retorno do Ibovespa, subindo 58,2% contra 31,58%. 

Em 2016, quando o impeachment da Dilma Rousseff elevou o otimismo sobre a economia local, o SMLL avançou 49,35%, enquanto o Ibovespa, 26,86%. 

Potencial de alta

Por serem muito menores que gigantes, como Vale (VALE3) e Itaú (ITUB4), as small caps são bastante conhecidas por guardarem um grande potencial de alta. E as ações da PetroRio (PRIO3), que se valorizaram 6.300% em cinco anos, são um exemplo disso. Com o aumento do volume de negociação e valor de mercado durante o período, os papéis da petroleira entraram no Ibovespa no fim do ano passado. No mesmo período, as ações ordinárias da Petrobras (PETR3) subiram 259%.

A própria Magazine Luiza (MGLU3), que tem a melhor performance do Ibovespa nos últimos três anos, também já foi uma small cap. Desde 2018, quando entrou no principal índice da bolsa, seus papéis subiram 940%. Quem comprou ações da empresa antes, no início de 2016, conseguiu 36.800% de rentabilidade.

Entre as ações que atualmente compõem o SMLL, as da Locaweb (LWSA3) são as que se mostram mais perto de se tornarem a próxima Magazine Luiza. Desde sua oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) no ano passado, as ações da companhia já subiram 594%. “A Locaweb cresceu muito na pandemia e tende a continuar crescendo”, afirma Cavalieri.

Focada em serviços de internet, os papéis da companhia se beneficiaram do agressivo plano de expansão por meio de aquisições e com a maior busca por ações de tecnologia durante as fases mais agudas da pandemia. Com a forte alta de seus papéis, a empresa já realizou desdobramentos e pretende fazer uma nova oferta de ações em menos de um ano de seu IPO

Maior diversificação, menor liquidez

A maior quantidade de ações e menor concentração do SMLL também é uma das vantagens em relação ao Ibovespa, em que cinco empresas concentram 40% do índice. No caso do SMLL, as cinco empresas com maior participação representam apenas 19% do índice.  

Por outro lado, as ações do Ibovespa, por terem maior liquidez, são a principal porta de entrada de investidores estrangeiros, que precisam estar preparados para desinvestir de maneira rápida do país em caso de uma virada de cenário.

Essa menor liquidez também influencia a performance de small caps. ”Por serem menos cobertas, há maior assimetria de informação nessas empresas. Então suas ações tendem a subir ou cair rapidamente, conforme o mercado passa a olhar para elas”, diz Gibertoni. 

Mas o oposto, conta o gestor, também ocorre. “Às vezes, elas são deixadas de lado até que o mercado perceba que o valor das ações está incorreto. Então, ocorre um fluxo muito grande.”

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Guilherme Guilherme

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