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SPAC de US$ 230 milhões da Alpha Capital busca próxima tech brasileira

PUBLICADO EM: 24.2.21 | 14H42
ATUALIZAÇÃO: 24.2.21 | 17H26
IPO do 'cheque em branco' tem demanda superior à oferta na Nasdaq para investir em uma empresa de tecnologia com foco na América Latina
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Foto de Marcelo Sakate da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Marcelo Sakate

Editor da EXAME Invest, jornalista com MBA em Mercado de Capitais e passagens por Folha de S. Paulo, Veja, 6 Minutos (C6 Bank) e CNN Brasil | marcelo.sakate@exame.com



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A febre do SPAC, o chamado IPO do "cheque em branco", começa a se espalhar no Brasil e a impactar o mercado. A Alpha Capital concluiu nesta terça-feira, 23, a sua oferta pública inicial na Nasdaq, levantando 230 milhões de dólares (cerca de 1,250 bilhão de reais, ao câmbio do dia). É o primeiro SPAC voltado para a setor de tecnologia no país.

A empresa de aquisição de propósito específico (SPAC na sigla em inglês) que levou os recursos vai utilizá-los em um prazo de até 24 meses para investir em uma companhia de tecnologia do Brasil ou de outros países da América Latina. Com a fusão ou aquisição da fatia, essa companhia se tornará pública, com capital aberto na Nasdaq.

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No modelo de IPO dos SPACs, investidores que decidem entrar na oferta confiam na expertise dos gestores para encontrar, adquirir e realizar o IPO de uma boa empresa, geralmente de pequeno ou médio porte. Ou seja, o dinheiro é captado antes que o investidor saiba o que está comprando, e daí o nome "IPO do cheque em branco". 

"Existe uma classe empreendedora no Brasil, que nasceu nos últimos seis, sete anos, incrível. Fora do Vale do Silício, um dos clusters de tecnologia mais importantes para os próximos dez anos estará no Brasil", disse Alec Oxenford, CEO e chairman da Alpha Capital, à EXAME Invest. "É algo que já estamos vendo nos IPOs dos últimos meses."

"É um momento único para o setor de tecnologia no país. Os planetas estão se alinhando para que haja uma revolução, mas ainda falta 'late-stage financing' para algumas companhias", completa o experiente empreendedor. Essa lacuna é preenchida, segundo ele, com os SPACs, que representam a tecnologia financeira para as companhias.

Rafael Steinhauser, presidente e diretor da Alpha, explica que o 'late-stage capital' é abundante no mercado americano, mas escasso no Brasil e na América Latina.

Isso acontece, segundo ele, porque as ofertas públicas iniciais tradicionais de empresas de tecnologia estão concentradas no Brasil e alcançam no máximo, em geral, a ordem de 100 milhões a 200 milhões de dólares (550 milhões a 1,1 bilhão de reais). Ele afirma que investidores institucionais na região ainda não estão acostumados a investir em grandes empresas de tecnologia, com múltiplos de até 20 ou 30 vezes o Ebitda.

A Alpha Capital foi cofundada por Oxenford e Steinhauser em dezembro do ano passado: são dois profissionais com ampla experiência na indústria de tecnologia e com perfis complementares -- e ambos argentinos que moram no Brasil.

Oxenford, com mais de 20 anos de experiência como empreendedor serial, foi cofundador dos sites Arremate.com, nos primórdios da internet no país -- adqurido em 2005 pelo Mercado Livre -- e depois da OLX. Seu mais recente negócio como cofundador e CEO foi o letgo, um site de produtos de segunda mão nos Estados Unidos.

Steinhauser, por sua vez, foi presidente da Qualcomm para a América Latina ao longo da última década, até julho do ano passado. Tem mais de 35 anos de experiência no mundo corporativo na área de tecnologia, tendo sido também presidente da Nortel Networks e da Cisco Systems no Brasil.

A empresa conta com copatrocinadores experientes, como a Innova Capital, a FJ Labs e o Dr. Irwin Jacobs. O Innova é um fundo de private equity e growth capital lançado por Veronica Allende Serra, uma das mais experientes investidoras em startups do país.

Oxenford e Steinhauser contam que selecionaram uma pré-lista com 50 companhias de tecnologia no Brasil e em outros países da região, como Argentina, Colômbia e México.

E, a partir de uma nova avaliação, devem chegar a algo em torno de seis empresas que serão estudadas de maneira mais detalhada, até que que se chegue a uma escolhida, que, por sua vez, deverá atender a algumas exigências da própria SEC (Securities and Exchange Comission), que regula o mercado de capitais nos EUA.

"São companhias com valuation provavelmente entre 750 milhões de reais e 1,25 bilhão de dólares, fundadores com 'track record' incrível, taxas de crescimento importantes, ótima rentabilidade, produtos idem etc.", afirma Oxenford.

Os SPACs responderam por cerca da metade dos IPOs realizados no mercado americano no ano passado: foram perto de 250 ofertas que levantaram mais de 80 bilhões de dólares somados. Oxenford e Steinhauser dizem enxergar potencial para um forte crescimento das SPACs para investimento no Brasil e se preparam para novas ofertas em tecnologia.

Foto de Marcelo Sakate da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Marcelo Sakate

Editor da EXAME Invest, jornalista com MBA em Mercado de Capitais e passagens por Folha de S. Paulo, Veja, 6 Minutos (C6 Bank) e CNN Brasil | marcelo.sakate@exame.com


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