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Super Quarta: o que esperar das decisões monetárias de Fed e Copom

PUBLICADO EM: 22.9.21 | 6H00
ATUALIZAÇÃO: 22.9.21 | 5H20
Sinalização para o começo do tapering e Selic a 6,25% ao ano dominam as previsões de analistas; veja como o mercado deve reagir

Resumo do investidor

1. Maioria dos economistas espera que Selic seja elevada em 1 p.p., para 6,25% ao ano; 2. Nos EUA, grande questão é o início do ‘tapering’; 3. Especialistas comentam como as decisões de política monetária podem impactar os mercados.

Banco Central: Mercado espera que Copom eleve Selic para 6,25% ao ano | Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil (Marcello Casal JrAgência Brasil)

Foto de Beatriz Quesada da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Beatriz Quesada

Repórter de mercados, passou pelas redações da revista Capital Aberto e rádio BandNews FM | beatriz.quesada@exame.com



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Após a semana começar agitada nas bolsas mundiais com o caso Evergrande, investidores agora voltam seu foco para importantes decisões sobre juros. Nesta quarta-feira, 22, os bancos centrais dos Estados Unidos e do Brasil divulgam suas decisões de política monetária quando as datas coincidem, o dia é conhecido no mercado como “Super Quarta”.

Nesta 'Super Quarta', 22, o Fomc, comitê do Federal Reserve (Fed) responsável por decidir a taxa de juros nos EUA, apresenta o resultado de sua reunião às 15h (horário de Brasília). No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central comunica sua decisão após o fechamento do mercado, a partir das 18h30.

A expectativa majoritária é a de que o Copom deve elevar a Selic em 1 ponto percentual, de 5,25% para 6,25% ao ano, na quinta elevação consecutiva. Ainda assim, uma minoria mantém a previsão de que o Copom vai ser ainda mais duro: levantamento da Bloomberg mostra que, entre 32 economistas, 28 esperam alta de 1 ponto percentual (p.p.), três de 1,25 p.p. e um de 1,5 p.p.  

A maioria dos economistas está balizando suas projeções de acordo com declaração recente sobre o tema do presidente do BC, Roberto Campos Neto. No evento MacroDay, promovido pelo BTG Pactual na última semana, Campos Neto afirmou que o BC está acompanhando os componentes do processo inflacionário e as mudanças no curto prazo, mas que nem sempre ocorrerão "alterações no plano de voo", cujo foco é um "horizonte mais longo".

No mercado, a fala foi interpretada como um sinal de que a Selic seria elevada em 1 ponto percentual como já estava indicado no último comunicado mesmo com a inflação subindo acima das expectativas. 

O IPCA, índice oficial de inflação no país, surpreendeu as previsões consensuais de mercado e subiu mais do que o esperado tanto em julho quanto em agosto, levando diversos bancos e casas de análises a revisarem suas projeções. Campos Neto disse, contudo, que o BC não seria necessariamente influenciado por "dados de alta frequência".

O que acontece com a bolsa

Em um primeiro momento, a decisão de elevar a Selic em 1 p.p. favorece a bolsa, que sofreria mais se os juros fossem mais altos. Ainda assim, existe o risco de que um tom mais brando no comunicado cause a impressão que o Banco Central não está subindo a taxa de juros na medida necessária para conter a inflação. O resultado seria um estresse na curva de juros, prejudicando o câmbio e a bolsa. 

“O desafio do BC reside em adotar um tom que evite um aumento muito significativo das expectativas em torno da taxa de juros, uma vez que há muita incerteza tanto sobre a duração dos choques inflacionários quanto se as expectativas para 2023 continuam ancoradas”, afirmam os analistas do Modalmais em relatório.

A expectativa do Modalmais é que o Banco Central eleve a Selic para 8% ao final de 2021. Entre as casas consultadas pela Bloomberg, a maior parte das projeções coloca a Selic em 8,25% até o final do ano.

EUA: aquecimento para o tapering?

Nos Estados Unidos, não há dúvidas entre os analistas de que as taxas de juros devem ser mantidas próximas de zero, no intervalo entre 0% e 0,25%. A grande questão é se a autoridade monetária irá começar o processo conhecido como “tapering”, ou seja, reduzir o volume de compra de ativos. Essa política assim como os juros baixos é utilizada para estimular a economia americana.

O dilema é entender se a economia já está fortalecida para andar com as próprias pernas após passar pela fase mais aguda da pandemia. Um dos principais dados utilizados pelo Fed para entender o nível de recuperação econômica é o relatório oficial de empregos não agrícolas (payroll) o dado mais importante do mercado de trabalho americano. 

Desde a última reunião, foram divulgados dois payrolls que mandaram sinais opostos para o mercado. Primeiro, surpresa positiva na divulgação referente ao mês de julho: 1,053 milhão de postos de trabalho criados contra 870 mil esperados. Na sequência, frustração no payroll de agosto, com a criação de 235 mil postos contra expectativa de 735 mil. 

Segundo analistas do BTG Pactual digital, o resultado não tão forte em agosto reduziu a probabilidade de que o tapering fosse anunciado já na decisão de hoje. “A reunião da semana é a oportunidade para o comitê ajustar sua linguagem, sugerindo que se a economia evoluir como o previsto, é apropriado reduzir a compra de ativos ‘em breve’ (expressão corriqueiramente usada para chamar atenção para a reunião seguinte)”, afirmam em relatório.

Nesta quarta o Fed também divulgará o resumo das projeções econômicas, com suas expectativas para a economia em 2022, 2023 e, pela primeira vez, 2024. É algo que, implicitamente, revela os caminhos da política monetária.

Na sequência da divulgação do relatório, o presidente do Fed, Jerome Powell, vai conceder uma entrevista às 15h30 (como de costume), que pode dar mais pistas sobre a direção da política monetária americana.

Quais são os reflexos para o Brasil

Os analistas do BTG Pactual digital projetam que o cenário será positivo para o Brasil e para o real caso o comunicado e o discurso de Powell mostrem uma redução das preocupações com a inflação (que continua pressionada, mas em desaceleração) e apresentem uma preocupação maior com a recuperação do mercado de trabalho: seriam dois sinais de que os estímulos vão continuar por mais tempo que o esperado. 

Por outro lado, se o Fed reconhecer um avanço no mercado de trabalho, o dólar pode ficar mais forte. Para a bolsa brasileira, a situação se complica caso seja anunciado um aumento de juros para o começo de 2023 ou até ainda em 2022. Porém, o pior cenário entre todos seria o anúncio imediato do tapering, sem uma sinalização prévia.

Isso, no entanto, não deve acontecer. Pesquisa da Bloomberg com 51 economistas mostrou que 65% deles esperam o anúncio do tapering após a próxima reunião, que ocorre nos dias 2 e 3 de novembro.

A pesquisa também prevê que o banco central dos Estados Unidos deve manter as taxas de juros próximas de zero até 2022 e fazer dois aumentos de 0,25 ponto percentual até o fim de 2023.

Vale lembrar que o Fed não está condicionando o fim do tapering ao aumento da taxa de juros, ou seja, os juros não vão começar a subir imediatamente após o fim da retirada dos demais estímulos. Este é outro ponto que pode dar mais fôlego para a bolsa brasileira.

Foto de Beatriz Quesada da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Beatriz Quesada

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