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Novo superciclo do petróleo é improvável, diz agência global do setor

PUBLICADO EM: 17.3.21 | 9H53
ATUALIZAÇÃO: 17.3.21 | 17H10
Agência Internacional de Energia acredita que há petróleo mais que suficiente para manter os mercados de petróleo adequadamente abastecidos
Plataforma P-52; Campo de Roncador,; Bacia de Campos; Petrobras; Petróleo

Opep+ manteve limites à produção neste mês, o que agradou o mercado e levou alguns investidores a projetarem um superciclo (GERMANO LÜDERS)

Foto de Beatriz Quesada da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Beatriz Quesada

Repórter especializada na cobertura de mercados. Formada pela ECA-USP, passou pelas redações da revista Capital Aberto e rádio BandNews FM.



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Os preços do petróleo não devem ter uma alta dramática e sustentada mesmo com vacinas que devem impulsionar a demanda mais à frente neste ano, disse a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) nesta quarta-feira, 17, ao destacar que o mundo continua inundado de petróleo.

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"O forte rali do petróleo para perto de 70 dólares o barril gerou rumores sobre um novo superciclo e uma iminente escassez de oferta. Nossos dados e análises sugerem outra coisa", disse a IEA em relatório mensal.

"Para começar, os estoques de petróleo ainda parecem amplos comparados aos níveis históricos, apesar de uma estável redução. E além desse colchão dado pelos estoques, acumulou-se um volume significativo em capacidade ociosa como resultado dos cortes de oferta da Opep+", afirmou.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e seus aliados incluindo a Rússia, grupo conhecido como Opep+, mantiveram limites à produção neste mês, o que agradou o mercado e levou alguns investidores a projetarem um superciclo -- uma longa alta dos preços, com duração de anos.

"A perspectiva de uma demanda mais forte e a continuidade das restrições de produção da Opep+ apontam para um significativo declínio de estoques no segundo semestre", disse o órgão com sede em Paris.

"Por enquanto, porém, há petróleo mais que suficiente em tanques de armazenamento e debaixo da terra para manter os mercados de petróleo adequadamente abastecidos", destaca a IEA.

A demanda global neste ano deve recuperar cerca de 60% do volume perdido durante o pior momento da pandemia de Covid-19, em 2020. Mas mudanças em padrões de viagens e no trabalho causadas pela pandemia, assim como metas de baixo carbono de governos, devem trazer implicações de longo prazo para as perspectivas de demanda, acrescentou a IEA.

"Mudanças rápidas no comportamento após a pandemia e um forte direcionamento de governos rumo a um futuro de baixo carbono causaram uma dramática mudança para baixo nas expectativas para a demanda por petróleo ao longo dos próximos seis anos", disse a IEA em relatório com perspectivas para os próximos cinco anos, publicado nesta quarta-feira.

A IEA reduziu sua projeção para a demanda por petróleo em 2025 em 2,5 milhões de bpd ante previsão do ano passado. A demanda deve retomar níveis pré-crise vistos em 2019 apenas em 2023, segundo a agência.

Foto de Beatriz Quesada da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Beatriz Quesada

Repórter especializada na cobertura de mercados. Formada pela ECA-USP, passou pelas redações da revista Capital Aberto e rádio BandNews FM.


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