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Vale a pena investir em ETF? Retornos chegaram a 50% em 2020

PUBLICADO EM: 25.1.21 | 6H30
ATUALIZAÇÃO: 25.1.21 | 8H24
Mercado de US$ 5 trilhões nos EUA, os ETFs somam só R$ 37,5 bilhões no Brasil. Entenda por que são populares lá fora e quais as vantagens, segundo especialistas
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Guilherme Guilherme

Repórter de mercado | guilherme.guilherme@exame.com



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Fundos negociados em bolsa, os ETFs (sigla em inglês para Exchange Traded Funds) replicam a carteira de um determinado índice de ações ou ativo. Por essa razão, também são conhecidos como fundos passivos ou fundos de índice. Na prática, podem ser ferramentas eficazes para quem deseja ao menos acompanhar o benchmark de mercado ou pegar carona em tendências setoriais, como a alta das ações de empresas de tecnologia.

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É um mercado de mais de 5 trilhões de dólares em mais de 2.000 ETFs nos Estados Unidos, mas que, no Brasil, só agora começa a ganhar escala. São 29 ETFs listados na B3, que totalizam 37,5 bilhões de reais sob gestão. Desse total, 87% estão concentrados em 22 ETFs de renda variável.

Com os ETFs ganhando popularidade, o volume de negociação cresceu 143,8% em 2020, com uma média diária de 1,463 bilhão de reais, segundo a B3. Em relação a 2016, o volume já é 682% maior.

A maior parte das negociações envolve o BOVA11, um ETF sob gestão da BlackRock que acompanha o Ibovespa. Ele teve média diária de volume de negociação (ADTV, na sigla em inglês) de 880,3 milhões de reais em dezembro passado. É o maior patrimônio líquido da indústria brasileira de ETFs, com 14,5 bilhões de reais.

Além do BOVA11, outros quatro ETFs seguem o Ibovespa: BOVV11, BOVB11, BBOV11e XBOV11. De forma geral, as diferenças entre eles residem nas taxas de administração (que variam 0,18% a 0,50% ao ano) e na liquidez. 

Para João Pádua, diretor da Terra Investimentos, os ETFs atrelados ao Ibovespa são uma boa forma de rentabilizar o portfólio, com resultados até mesmo superiores aos de fundos de ações tradicionais. “No médio e no longo prazo, o gestor ativo normalmente perde para o benchmark de que está operando em cima. Ou seja, os ETFs podem gerar um retorno melhor que a gestão ativa com um custo mais baixo de execução e administração”, diz.

Nos últimos anos, essa relação tem se mostrado verdadeira. O Ibovespa superou a performance de 50% dos 592 fundos de ações existentes desde 2016, segundo levantamento realizado pela EXAME Invest. No caso das small caps, as ações de empresa com menor valor de mercado, o fenômeno é ainda mais acentuado.

Somente 15,54% dos fundos dedicados a essas ações tiveram desempenhos superiores ao do Índice Small Caps (SMLL B3) da B3 no mesmo período de análise. Por outro lado, existem índices que acompanham o índice, como os ETFs SMLL11 ou SMAC11.

Não acho que seja uma alternativa para o investidor não ter ETF na carteira

Juliana Machado, especialista de fundos da EXAME Research

“Não acho que seja uma alternativa para o investidor não ter ETF na carteira”, afirma Juliana Machado, analista de fundos da EXAME Research. Segundo a especialista, a melhor forma é encontrar um equilíbrio entre fundos e ETFs, sempre avaliando o percentual da alocação de acordo com os objetivos pessoais. "Nem tanto ao céu nem tanto à Terra."

Machado diz que ETFs que seguem o índice americano S&P 500 e estão disponíveis no Brasil devem ser considerados como uma opção pelos investidores. “O pequeno investidor não tem acesso ao mercado internacional tão facilmente via fundos quanto os (investidores) qualificados (que possuem ao menos 1 milhão de reais em investimentos). Mas nada impede que, para fins de diversificação, o investidor tenha ETF com exposição ao S&P 500.”


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Em 2020, os ETFs atrelados ao S&P 500 tiveram os melhores desempenhos entre os que estão disponíveis na B3. O IVVB11, o mais negociado na B3 entre os que seguem o mais abrangente índice de ações dos Estados Unidos, fechou o ano com alta de 51,4%.

O desempenho superou o do próprio S&P 500, que avançou 19%, uma vez que esse ETF, por replicar um índice estrangeiro, também sofre variações cambiais. A alta rentabilidade e o fácil acesso levaram o IVVB11 a se tornar o ETF com o maior número de pessoas físicas no país, com 116.652 até dezembro, superando o BOVA11, com 101.313. 

“Os ETFs ligados ao S&P 500 promovem diversificação duas vezes, com ações dos Estados Unidos e o dólar. Se houver um problema que leve as ações americanas a cair e o dólar a subir no Brasil, o ETF não vai sofrer uma queda tão grande, porque o dólar vai amortecer o impacto”, afirma Yuri Cavalcante, sócio da Aplix Investimentos.

Quem negocia 

Apesar do crescente interesse por ETFs no mercado brasileiro, apenas 242.710 pessoas físicas investiam em ETFs até o fim de 2020. A quantia representa menos de 8% do total de CPFs cadastrados na B3. 

A participação de pessoas físicas também é proporcionalmente menor na compra e venda de ETFs do que no mercado de ações. O investidor de varejo foi responsável por 21,3% de todo o volume de negociação do mercado à vista em dezembro de 2020, enquanto sua participação no mercado de ETFs foi de 12,4%. A maior fatia coube aos investidores institucionais, que representaram 38% das negociações.

“O mercado brasileiro está em expansão e as pessoas físicas que estão entrando na bolsa dão preferência a fundos com gestores ‘personagens’, que estão na moda. O ETF não tem esse sex appel todo. Ainda não caiu no gosto da pessoa física”, afirma Pádua. “Os novos investidores querem mais risco, operar day trade, derivativos. O ETF é mais conservador. É matemática e disciplina."

Se os ETFs atrelados aos principais índices de mercado ainda não decolaram entre os pequenos investidores, os temáticos e os setoriais são ainda menos negociados. Dos 15 ETFs de renda variável que não seguem o Ibovespa ou o S&P 500, somente o SMAL11, de small caps, supera o equivalente a 1% dos CPFs da bolsa em cotistas. 

Não que os ETFs temáticos sejam menos rentáveis, pelo contrário. Em 2020, o MATB11, que segue o Índice de Materiais Básicos, subiu 50,8%, contando com uma base de apenas 1.859 pessoas físicas entre os cotistas.

“Esses ETF setoriais são menos conhecidos do investidor em geral. Às vezes, ele gosta muito de um setor e acaba conhecendo as empresas também. Faz mais sentido para ele comprar ações diretamente”, diz Cavalcante.

ETFs no mundo

Em mercados desenvolvidos, no entanto, é comum utilizar ETFs para tentar obter ganhos de maneira diversificada, com aquilo que o investidor acredita ser uma tendência.

Um exemplo são os ETFs que acompanham índices com empresas de energia solar, que chegaram a disparar mais de 200% em 2020 na expectativa de que o setor acelere o crescimento. Foi algo reforçado com a vitória de Joe Biden -- o democrata é assumidamente um defensor de energias renováveis, diferentemente de Donald Trump.

De acordo com a plataforma de análise americana TrackInsight, são 6.518 ETFs espalhados pelo mundo, que, juntos, somam 7,6 trilhões de dólares de patrimônio líquido.

O maior e mais negociado ETF do mundo é o SPDR (também conhecido como “Spyder”), que replica o índice americano S&P 500. Segundo a plataforma ETF Database, sozinho, o SPDR possui 334,7 bilhões de dólares sob gestão, com volume médio diário de negociação de 70,4 bilhões de dólares.


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