MERCADOS

Varejistas disparam até 8% e Embraer cai 3% com recomendação de venda

PUBLICADO EM: 20.1.21 | 10H54
ATUALIZAÇÃO: 20.1.21 | 18H42
Confira os principais destaques de ações desta quarta-feira

Foto de Paula Barra da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Paula Barra

Repórter de mercados da Exame. Formada em jornalismo pelo Mackenzie e pós-graduada em Produtos Financeiros e Gestão de Risco pela FIA. Especializada na cobertura do mercado financeiro, com passagens pelo InfoMoney, Empiricus e TradersClub | paula.barra@exame.com



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Liderando os ganhos do Ibovespa nesta quarta-feira, 20, apareceram as ações das varejistas. As cinco maiores altas ficaram por conta de B2W (BTOW3), Magazine Luiza (MGLU3), Lojas Americanas (LAME4), Cia Hering (HGTX3) e Via Varejo (VVAR3), com valorizações de 8,53%, 5,56%, 4,06%, 1,80% e 1,75%, respectivamente.

Segundo o analista Henrique Esteter, da Guide Investimentos, aparentemente não há nada de novo no radar dessas empresas, mas depois de fortes realizações nos últimos meses, o mercado começa a achar atrativo esses papéis aos preços atuais. Além disso, ele diz que conversou com executivos da Via Varejo ontem, que disseram que não faz sentido a tese que o mercado estava acreditando de que tenha tido uma antecipação da demanda no ano passado. Nas palavras deles, os números continuam fortes em 2021, comenta.

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Suzano

Dando continuidade à alta de ontem, as ações da Suzano (SUZB3) subiram 1,06%, na esteira de mais uma rodada de aumento nos preços de celulose pela companhia. No mesmo setor, Klabin (KLBN11) fechou praticamente estável (-0,07%).

A Suzano anunciou ontem outro aumento de preço da celulose em 70 dólares a tonelada para seus clientes na Europa e América do Norte, a segunda elevação consecutiva em dois meses. O reajuste passa a valer a partir de 1º de fevereiro. Em dezembro, a companhia fez um aumento semelhante de 70 dólares a tonelada para os pedidos de janeiro. Conforme consultado nos canais de verificação dos analistas do BTG Pactual, o anúncio para janeiro está sendo implementado.

Os analistas do banco comentam, em relatório divulgado hoje, que a notícia recente surpreendeu até mesmo os especialistas mais otimistas com o setor (como eles) e reforça as perspectivas positivas para a indústria. "Diante dos acontecimentos recentes e pelo fato de estarmos apenas em janeiro/fevereiro, acreditamos que nossa projeção média para os preços de celulose fibra curta de 575 dólares a tonelada para 2021 possa se mostrar um tanto conservadora", escrevem. Eles aproveitaram para reiterar recomendação de compra para as ações da Suzano e Klabin, na esteira dessa recuperação dos preços da commodity. A Suzano continua como a favorita do banco no setor, com a ação negociando a 7 vezes o Ebitda estimado para 2021 e com potencial de desalavancagem relevante à frente.

PetroRio

Do outro lado, a PetroRio (PRIO3) encabeçou as perdas, com desvalorização de 3,66%, apesar do dia positivo para os preços do petróleo no exterior. Na segunda à noite, a companhia informou que seu conselho de administração aprovou uma oferta subsequente (follow on), que pode levantar até 2,2 bilhões de reais para a companhia. A operação envolve a distribuição primária de 22 milhões de ações ordinárias, que poderá ser acrescida de mais 7,7 milhões de ações caso haja demanda. O montante que pode ser captado pela empresa considera o preço de fechamento dos papéis na última sexta-feira, em 74,28 reais. A precificação da oferta está marcada para o dia 28 de janeiro.

Ontem, as ações da PetroRio chegaram a cair 4,7% mas amenizaram as perdas e encerraram a sessão com queda de 0,91%.

Embraer

A Embraer (EMBR3) caiu 3,27%, a segunda maior queda do índice, em meio a um corte de recomendação dos American Depositary Receipts (ADRs) da companhia pelo Bradesco BBI. O banco rebaixou a classificação de neutra para underperform, equivalente a venda, com preço-alvo em 4,00 dólares, o que implica em um potencial de queda de 44% frente ao fechamento de ontem.

Em relatório, os analistas comentam que o desenvolvimento de vacinas deu impulso recente às ações ligadas ao setor de viagens, mas as entregas de aeronaves foram adiadas e novos pedidos firmes ainda podem demorar para se concretizar. Para eles, as ações da Embraer parecem estar precificando um cenário "excessivamente otimista" de entrega de 74 aeronaves para este ano, contra as estimativas do banco de 41 aeronaves.

Vale e siderúrgicas

As ações da Vale (VALE3) e siderúrgicas amargaram mais um dia no negativo, acompanhando a queda dos preços do minério de ferro. A mineradora recuou 1,85%, enquanto, no setor de siderurgia, Usiminas (USIM5), Gerdau (GGBR4) e Metalúrgica Gerdau (GOAU4) caíram 1,67%, 2,06% e 1,55%, respectivamente. A exceção foi CSN (CSNA3), que virou para o positivo e fechou em alta de 0,18%.

No radar, a Gerdau teve recomendação cortada para manutenção pelo HSBC, com preço-alvo em 26,50 reais.

Nesta sessão, o minério de ferro negociado no porto chinês de Qingdao recuou 0,46%, indo para 170,55 dólares a tonelada.

Light 

A Light (LIGT3) concluiu sua oferta de ações que levantou 2,7 bilhões de reais, conforme comunicado divulgado nesta quarta-feira. O follow-on permitiu à Cemig alienar sua participação de 22,6% na companhia de energia e captar 1,37 bilhão de reais. A Light também captou 1,37 bilhão de reais para reduzir o endividamento.

A Light precificou suas ações a 20 reais cada, com um desconto de cerca de 7% sobre o preço de fechamento na terça-feira.

Nesta sessão, os papéis de Light caíram 6,02%, em 20,29 reais, enquanto os de Cemig (CMIG4) recuaram 2,40%, para 13,84 reais.

Os analistas da Genial Investimentos comentam em nota hoje que, como já mencionado por eles em relatórios anteriores, a Light é um case de alta complexidade de turnaround e observam essa operação como um passo essencial não apenas equalizar a estrutura de capital da empresa mas também melhorar o alinhamento dos acionistas controladores e minoritários. Ainda assim, eles dizem que, apesar do potencial expressivo, acreditam que ainda é cedo para ter um posicionamento mais positivo no papel e, por enquanto, mantêm a recomendação neutra no ativo.

Oi

As ações ordinárias e preferenciais da Oi (OIBR3; OIBR4) registraram perdas de 4,22% e 3,46%, respectivamente, após notícia de potencial restrição pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para venda da rede móvel da empresa para a Tim (TIMS3), Claro e Vivo (VIVT4).

Segundo a Bloomberg, citando fontes com conhecimento sobre o assunto, o negócio é visto como complexo pelo órgão regulador porque tiraria do mercado a quarta maior operadora de telefonia móvel do país, ampliando ainda mais a participação da TIM, da Claro e da Vivo. A barreira para a entrada de outra empresa que possa fomentar a concorrência é alta, já que as telecomunicações são um setor regulado, comentam as fontes.

Segundo analistas da Genial Investimentos, uma restrição à operação já era esperada pelo mercado, entretanto, se ela for rígida demais ou se, eventualmente, o Cade bloquear a venda por completo da unidade móvel, é bem provável que haja uma queda nas ações. Eles explicam que a venda constitui um dos pilares de sucesso do plano de recuperação judicial da Oi e a empresa parece não ter um plano B caso isso venha realmente a ocorrer.

Envolvida em um processo de recuperação judicial que já dura cinco anos e com uma dívida de mais de 21 bilhões de reais, a Oi vendeu seu negócio de telefonia móvel por 16,5 bilhões de reais no fim de 2020. A unidade tem mais de 36 milhões de clientes, que seriam divididos entre as outras três empresas que são as líderes de mercado.

Foto de Paula Barra da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Paula Barra

Repórter de mercados da Exame. Formada em jornalismo pelo Mackenzie e pós-graduada em Produtos Financeiros e Gestão de Risco pela FIA. Especializada na cobertura do mercado financeiro, com passagens pelo InfoMoney, Empiricus e TradersClub | paula.barra@exame.com


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