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Verde, de Stuhlberger: governo dá 'tiro no pé' com aumento de impostos

PUBLICADO EM: 10.7.21 | 6H20
ATUALIZAÇÃO: 10.7.21 | 1H09
Gestora aponta para 'brutal aumento da carga' e diz que, mesmo se proposta de reforma tributária não for aprovada, discussão já abala sentimento econômico
Luis Stuhlberger

Luis Stulhberger, da Verde Asset: gestora diz que país deveria atravessar momento de otimismo com avanço da vacinação não fosse a reforma | Foto: Patricia Monteiro/Bloomberg (Bloomberg via Getty Images)

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A nova proposta de reforma tributária do governo de Jair Bolsonaro continua a receber críticas no mercado de capitais. Desta vez, coube a uma das principais gestoras do país, a Verde Asset, do respeitado gestor Luis Stuhlberger, apontar os efeitos nocivos causados pelas novas regras, mesmo antes de uma eventual aprovação pelo Congresso.

"O governo federal resolveu dar o proverbial tiro no pé, ao enviar para o Congresso uma proposta de reforma tributária que embute brutal aumento de carga para as empresas", aponta a carta de gestão do Verde referente ao mês de junho.

"Mesmo que tal proposta não seja aprovada, ou seja, severamente diluída (quiçá, melhorada), a discussão já abala o sentimento econômico e força retração na perspectiva de investimento de médio prazo."

Segundo o time da Verde, liderado por Stuhlberger, "o cenário de 2022 já se mostrava complexo dado o calendário eleitoral e, agora com a perspectiva de muito mais tributos, a figura tende a piorar".

A apresentação da proposta há duas semanas gerou forte reação de críticas no mercado e no setor privado, entre gestores, economistas, executivos e investidores. Um dos pontos principais é a avaliação de que as medidas devem desestimular o investimento não só financeiro como produtivo, com efeitos negativos em toda a economia.

Entre as medidas propostas pela equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes, com endosso de Bolsonaro, estão a tributação de dividendos na fonte em 20% e o fim dos Juros sobre Capital Próprio (JCP); em contrapartida, a alíquota do Imposto de Renda para empresas cairia gradualmente dos atuais 15% para 10% em 2023.

A referência ao "tiro no pé" dado pelo governo se contrapõe, segundo a carta da Verde, ao momento positivo em que o país entra do ponto de vista de combate à pandemia e de confiança com a economia.

"A vacinação no Brasil felizmente ganhou velocidade, como preconizamos em nossa última carta. Isso deveria reforçar o sentimento de otimismo com a retomada cíclica", aponta o documento divulgado nesta sexta-feira, dia 9.

Variante Delta

No front externo, a carta da Verde faz uma avaliação sobre o impacto potencial da chamada variante Delta do novo coronavírus. "Há uma preocupação com a variante Delta, mas os dados mostram que tem contaminado jovens não-vacinados e em geral as várias vacinas disponíveis conferem proteção adequada contra mais esta variante."

Nessa parte da análise, o time da Verde classifica como "surpreendente" a queda das taxas de juros de longo prazo nos mercados desenvolvidos, caso dos Estados Unidos.

"O mercado parece ser guiado por fatores técnicos nessa direção de juros globais mais baixos, mas quanto tempo esse movimento vai durar é difícil dizer. Ainda assim, essa dinâmica ajudou os mercados acionários a continuar performando bem."

Em junho, o fundo Verde -- um dos multimercados mais longevos e rentáveis do mercado brasileiro -- teve retorno negativo de 0,21%, enquanto o CDI rendeu 0,30%. No acumulado do primeiro semestre, o desempenho foi positivo em 3,51%, mais que o dobro do CDI no mesmo período, que teve alta de 1,27%.

Houve teve ganhos nos livros de ações, especialmente no Brasil. As perdas vieram da posição tomada em juros nos Estados Unidos e, e em menor medida, da posição comprada em dólar contra o real.

Desde o seu começo de operação em janeiro de 1997, o fundo Verde acumula rentabilidade de 19.258,77%, enquanto o CDI no mesmo período teve uma alta acumulada de 2.253,19%.

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