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Dólar fecha acima de R$ 4,81 e bate recorde de fechamento

PUBLICADO EM: 13.3.20 | 9H12
ATUALIZAÇÃO: 13.3.20 | 17H15
A moeda americana chegou a ser negociada a R$ 4,69, após intervenções do BC e anúncio de estímulos econômicos por parte do FED

(Marcello Casal JrAgência Brasil)

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Natália Flach



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São Paulo - O dólar comercial ganhou força no começo da tarde desta sexta-feira (13) e encerrou em alta de 0,566%, cotado a 4,8128 reais. Com isso, a moeda americana voltou a bater recorde de fechamento frente ao real. Na máxima da sessão, o dólar comercial chegou a ser negociado por 4,857 reais. Já o dólar turismo subiu 0,4% e encerrou sendo vendido a 5,01 reais.

Pela manhã, o dólar comercial chegou a ser negociado a 4,64 reais na mínima do dia, depois que o Banco Central ofertado até 2 bilhões de dólares por meio de leilões de linhas, que é uma venda com compromisso de recompra. É a primeira vez que o BC fez oferta líquida de moeda nessa modalidade desde 18 de dezembro do ano passado.

Mesmo com a reversão do cenário, para Rafael Panonko, analista-chefe da Toro Investimentos, o mercado de câmbio está mais calmo do que nos dias anteriores. Isso porque os bancos centrais têm feito intervenções para prover liquidez e assim tentar conter os impactos econômicos provocados pelo coronavírus. "Essa disposição a intervir é algo que não víamos no passado", diz ele. 

Vanei Nagem, analista de câmbio da Terra Investimentos, demanda por dólares impulsionada, principalmente, pela fuga de investidores estrangeiros. "Tem gente que está levando o dinheiro para um país com menos risco ou tirando para cobrir perdas de outros investimentos", comenta.

Segundo Nagem, a atual cotação da moeda americana está "supervalorizada" e só está comprando dólar "quem realmente precisa". "Ninguém está comprando porque acha que vai subir. Tanto que ninguém mais comprou em cinco [reais por dólar]. Essa cotação é irreal."

Ontem, o banco central dos Estados Unidos (Federal Reserve, mais conhecido pela sigla FED) anunciou que vai injetar ao todo o equivalente a 5,4 trilhões de dólares no sistema financeiro. É um sinal de que as autoridades monetárias farão o que for necessário para controlar a aversão a risco.

"O FED vai arrumar essa situação. Ontem, já injetou 500 bilhões de dólares, hoje vai injetar outros 500 bilhões de dólares. Faltam quatro em menos de um mês. É mais dinheiro do que o que foi injetado na crise hipotecária de 2008 e em menos tempo", afirmou Pablo Spyer, diretor da Mirae Asset, em vídeo mais cedo.

 

O banco central japonês (BoJ) também anunciou que vai comprar o equivalente a 500 bilhões de ienes em bônus. "Bancos centrais continuam improvisando medidas para amortecer impactos econômicos do vírus", escreve equipe da Guide, em relatório.

No radar dos investidores, o resultado do Comitê de Política Monetária, que se reunirá na próxima semana, segue sendo uma incógnita. A única opinião que chega próxima de ser um consenso no mercado é a de que, se reduzirem novamente a Selic, o dólar tende a subir mais ainda.

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