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Após semana de pânico, bolsas conseguirão se recuperar?

PUBLICADO EM: 13.3.20 | 6H48
ATUALIZAÇÃO: 13.3.20 | 7H12
Bolsas europeias operam em alta na manhã desta sexta-feira, 13, com a expectativa de novos estímulos econômicos
A currency dealer sits at a dealing room of a bank in Seoul

(REUTERS)

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Da Redação

Repórter da Exame



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São Paulo — Após uma semana de caos para os mercados financeiros mundo afora, a sexta-feira, 13, vai ser dia de algum alívio, ou de mais sangue? As bolsas europeias, que caíram dois dígitos na quinta-feira e tiveram uma semana para esquecer, operam em alta nas primeiras horas desta manhã e podem ter um dia de leve recuperação.

O índice europeu Stoxx 600, que fechou em queda de 11,48% na quinta-feira, opera em alta entre 2% e 2,5% às 7h. O FTSE 100, de Londres, tem alta na casa dos 3,7% às 7h de Brasília. Embora ainda pequenas perto das perdas acumuladas de mais de 20% na semana, as altas na Europa mostram a expectativa de estímulos econômicos vindos dos governos.

Na quinta-feira, as bolsas caíram reagindo sobretudo a um pacote anti-coronavírus do presidente americano, Donald Trump, que proibiu estrangeiros vindos da Europa nos EUA. As bolsas europeias também caíram na quinta-feira em meio à decisão do Banco Central Europeu de manter suas taxas de juros. O caos tirou 1 trilhão de euros do mercado europeu.

Também nos EUA, o impacto da decisão de Trump na economia fez o Dow Jones ter o pior dia desde 1987. O S&P 500, que reúne as principais bolsas americanas, caiu 9,51%.

Nesta sexta-feira, contudo, os contratos futuros da bolsa dos EUA subiam mais de 4% antes das 7h, diante de indícios que democratas e republicanos podem concordar logo em um pacote de estímulos bilionário do governo americano contra o coronavírus.

Na mesma linha, as bolsas asiáticas caminhavam rumo a novas quedas bruscas, mas se recuperaram ao final do pregão nesta madrugada com a possibilidade dos estímulos econômicos. O japonês Nikkei chegou a cair mais de 10%, mas terminou fechando em baixa de somente 6,08%. A bolsa da Austrália encerrou em baixa de 8% (mas se recupera nas negociações após o fechamento, tendo subido mais de 4%). Os índices chineses de Shenzhen e Xangai caíram e 1% e 1,23%, respectivamente.

O índice MSCI de ações Ásia-Pacífico (menos o Japão) terminou em queda de 1%. Na semana, o índice geral asiático acumula queda acima de 11%, o pior resultado desde a crise econômica de 2008. O Japão tem um dos piores cenários, com a possibilidade de cancelamento dos Jogos Olímpicos de Tóquio — que seriam, na visão dos analistas, um grande estímulo para a economia do país, que fechou 2019 em recessão.

Países como Japão, Coreia do Sul, China e países europeus já anunciaram pacotes de estímulo e apoio dos bancos centrais para manter a liquidez. Mas o número crescente de casos de coronavírus fora da China e o aparente despreparo dos governos no Ocidente para lidar com a situação ajuda a instalar o pânico.

O número de casos chegou a mais de 128.000 na manhã desta sexta-feira, mais de 48.000 deles fora da China. Só a Itália tem mais de 12.000 casos, sendo o país mais afetado depois dos chineses.

O Ibovespa acompanhou as movimentações e caiu 14,8% na quinta-feira, a maior baixa desde 1998, na crise asiática. As perdas acumuladas chegam a 38% neste ano no Ibovespa, que voltou ao nível de junho de 2018, na casa dos 72 mil pontos. Até onde o índice pode ir?

O dólar comercial chegou a superar 5 reais no início do dia, mas desacelerou com quatro leilões de venda de moeda pelo Banco Central e terminou o dia com elevação de 1,4%, vendido a 4,786 reais. Por aqui, além da crise global, não ajuda o fato que o presidente Jair Bolsonaro esteja ele próprio com suspeita de coronavírus após uma viagem aos Estados Unidos.

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