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Colapso dos bônus brasileiros junk é o pior desde 2008

PUBLICADO EM: 20.12.13 | 16H41
Investidores em bônus “junk” estão abandonando o país depois que a maior moratória corporativa causaram maiores perdas desde a crise do crédito
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Navio-plataforma da OGX: companhia é responsável pelo colapso dos bônus brasileiros junk

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Nova York - Os investidores em bônus “junk” estão abandonando o Brasil depois que a maior moratória corporativa do país, a ameaça de um rebaixamento da nota soberana e o mergulho dos preços do açúcar causaram aos detentores as maiores perdas desde a crise do crédito.

As notas especulativas do Brasil perderam uma média de 6,4 por cento neste ano, contra ganhos de 5,7 por cento dos títulos globalmente, segundo dados compilados pelo Bank of America Corp. A queda é a maior desde 2008 e a terceira pior no mundo, atrás apenas do Chile e da Mongólia.

A debandada do mercado de US$ 36 bilhões de bônus junk do Brasil, o maior da América Latina, se ampliou depois que credores da OGX Petróleo Gás Participações SA, do ex-bilionário Eike Batista, e da Lupatech SA perderam quase 90 por cento neste ano e as empresas buscaram proteção contra falência. As vendas de bônus das empresas mais necessitadas, que escorregaram 5 por cento, para US$ 9,4 bilhões, podem cair mais em 2014 com a previsão de que a economia crescerá menos que a média regional pelo quarto ano consecutivo, segundo Fran Rodilosso, da Van Eck Associates Corp.

“Nós adoraríamos ver novos emissores, mas sem crescimento doméstico os investidores se afastarão”, disse Rodilosso, que ajuda a gerenciar cerca de US$ 1,5 bilhão em fundos de dívida negociados em bolsa como gerente de portfólio da Van Eck, em entrevista por telefone, de Nova York. “Você quer ver o potencial de crescimento dos lucros. De uma perspectiva de cima para baixo, não é fácil ter argumentos a favor do Brasil”.

Açúcar, bancos

A maior economia da América Latina crescerá 2,3 por cento em 2014, contra um crescimento médio de 3 por cento da região, segundo a mediana das previsões de analistas consultados pela Bloomberg. A economia do Brasil também expandirá 2,3 por cento neste ano, segundo estimativas de analistas.


Os bônus em dólar de cinco empresas brasileiras de açúcar e etanol classificadas abaixo de BBB- pela Standard Poor’s e Baa3 pelo Moody’s Investors Service perderam em média 13,2 por cento neste ano depois que um excesso de oferta no mercado do produto adoçante empurrou os preços 17 por cento para baixo. As perdas foram lideradas por quedas de 35 por cento nos títulos da Aralco SA Açúcar Álcool com vencimento em 2020 e de 22 por cento dos bônus de 2018 do Grupo Virgolino de Oliveira SA.

Os investidores liquidaram bônus emitidos neste ano pelo Banco do Brasil SA, que é estatal, devido à preocupação de que um aumento do déficit fiscal levará ao primeiro rebaixamento da classificação de crédito do Brasil em uma década.

“As moratórias tornaram os investidores mais receosos, menos confiantes na gestão do Brasil”, disse Omar Zeolla, analista de crédito corporativo em Nova York da Oppenheimer Co., em entrevista por telefone. “Os investidores estão menos tolerantes que no passado. Se começarmos o ano que vem no mesmo tom que terminamos este, vai ficar difícil para os emissores de alto rendimento no Brasil”.

Marfrig, JBS

A Cia. Siderúrgica Nacional SA entrou na lista de empresas brasileiras de grau especulativo neste ano depois que a Fitch Ratings rebaixou sua nota em julho e o Moody’s Investors Service classificou a companhia abaixo da nota de investimento. A empresa, classificada como BBB- pela S&P, tem US$ 3,35 bilhões em bônus em circulação.

A operadora de telecomunicações Oi SA e a petroquímica Braskem SA também estão enfrentando a ameaça de rebaixamento após terem as perspectivas sobre suas classificações de crédito BBB- reduzidas para “negativo” pela Fitch nos últimos 14 meses. As empresas têm um combinado de US$ 9,4 bilhões em bônus internacionais denominados em dólares, euros e reais em circulação, segundo dados compilados pela Bloomberg. Neste ano, foram reduzidas as perspectivas do Brasil sobre suas classificações de crédito BBB e Baa2, da S&P e do Moody’s, respectivamente.

“Está tudo contra os emissores de junk no momento”, disse Leonardo Kestelman, que ajuda a gerenciar US$ 920 milhões na Dinosaur Securities LLC, por telefone, de São Paulo. “O Brasil está sofrendo muito ultimamente. O apetite por ativos em geral caiu por causa do potencial rebaixamento”.


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