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Como ficam seus investimentos com Biden na Casa Branca

PUBLICADO EM: 5.11.20 | 6H00
ATUALIZAÇÃO: 5.11.20 | 10H24
Gestores veem alta das ações, especialmente de emergentes, e dólar mais fraco, com possibilidade de vitória democrata na presidência e Congresso dividido
Apoiadores de Biden se reúnem para uma festa de vigia no dia da eleição em Houston, Texas, EUA, 3 de novembro de 2020. REUTERS / Callaghan O'Hare

Contagem dos votos ainda não foi encerrada, mas resultado parece apontar cada vez mais para uma vitória do democrata Joe Biden (REUTERS)

Foto de Paula Barra da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Paula Barra

Repórter de mercados da Exame. Formada em jornalismo pelo Mackenzie e pós-graduada em Produtos Financeiros e Gestão de Risco pela FIA. Especializada na cobertura do mercado financeiro, com passagens pelo InfoMoney, Empiricus e TradersClub | paula.barra@exame.com



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A contagem dos votos das eleições americanas segue para mais um dia nesta quinta-feira, 5, mas parece apontar cada vez mais para uma vitória do democrata Joe Biden na corrida pela Casa Branca, enquanto o Senado deve permanecer republicano. Na visão de gestores do mercado, um cenário com Biden na presidência com o Congresso dividido deve ser positivo para ações, especialmente para mercados emergentes.

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Isso porque, embora as apostas sobre um grande pacote de estímulos sejam reduzidas, um Senado republicano pode dificultar pautas do governo democrata, como aumento de impostos, que seria negativo para os ativos de risco. Além disso, Biden na presidência traria um retorno à política externa mais previsível no país, o que apoiaria uma propensão mais ampla dos investidores ao risco. Do outro lado, a expectativa é que o dólar saía enfraquecido. Ontem, enquanto o Ibovespa subiu 1,97%, o dólar comercial recuou 1,89%, para 5,653 reais na venda.

Abaixo, confira a visão das gestoras Galapagos Capital, BlackRock e BB Investimento sobre como uma vitória de Biden pode afetar os investimentos:

Galapagos Capital

Segundo Sergio Zanini, sócio gestor da Galapagos Capital, o mercado trabalha com um cenário de Biden na presidência, apesar de ainda não ter uma definição concreta, e Senado republicano. "Se houver uma definição da eleição até o final da semana, a expectativa é que as bolsas continuem performando bem. Quando passa um evento de risco dessa magnitude, temos um rali de alívio”.

Segundo ele, embora um Congresso dividido dificulte a aprovação de um grande pacote de estímulos como se esperava até o fim do ano, com os republicanos no Senado, os democratas vão ter dificuldades em aprovar aumento de impostos, mudanças regulatórias e muitos projetos que para eles seriam importantes, mas negativos para as ações”, comenta. 

Nesse cenário, ele acredita que as bolsas emergentes devem recuperar espaço perdido frente às bolsas americanas. “Gostamos de ter posição em mercados emergentes, incluindo Brasil, com bancos e commodities ainda muito baratos”, comenta. Nos EUA, ele aponta que as bolsas também voltam a ter compradores, com o equilíbrio de poder entre Congresso e Casa Branca.

Na visão de Zanini, o cenário para ações o ano que vem é positivo, tendo em vista ainda uma expectativa pela descoberta de uma vacina contra Covid-19.

“Estamos relativamente construtivos. Tem muita liquidez no mundo, então, voltamos a comprar um pouco de Bolsa na manhã de quarta-feira, tanto Brasil quanto Estados Unidos e países emergentes de forma geral”, diz. 

Segundo ele, a Bolsa brasileira está barata. “Há desafios no Brasil, mas se esse cenário no governo americano se concretizar, vamos ver um mundo diferente nos próximos anos, com menos incertezas”, citando uma redução de ruídos na relação Estados Unidos e China. Entre as posições em Brasil que tem em carteira, ele cita ações de siderúrgicas, mineradoras e um pouco de bancos.  

Além disso, ele comenta que uma vitória de Biden deve levar o dólar para baixo. “Um dólar mais fraco ajuda os países deficitários a equilibrar suas contas. Se essa mudança ocorrer, é uma forma do mundo buscar um reequilíbrio. Para nós, está muito claro que o dólar é para baixo com Biden”. 

Entre as moedas, ele diz que gosta das divisas de países emergentes, como peso mexicano, real, entre outras de países exportadores de commodities. "Começamos a molhar um pouco o pé agora nessas moedas, mas, como o dólar é mais binário, para ‘encher o tanque’, precisaria de uma definição concreta de cenário”, pondera. Entre as desenvolvidas, ele comenta que a gestora tem um pouco de exposição em iene, que acaba sendo uma proteção para a carteira, uma vez que tem uma correlação inversa com a bolsa, costuma subir quando as ações caem. 

BlackRock

Para a gestora de ativos americana BlackRock, um resultado conclusivo da eleição pode levar alguns dias, uma vez que a contagem de votos pelo correio continua em vários estados-chave. Tal cenário, deve estimular a volatilidade dos mercados, deixando em aberto a possibilidade da eleição ser contestada, diz, em relatório. 

Com isso, a gestora aponta que prefere “olhar além de qualquer volatilidade e permanecer com posições de alta convicção em meio a quaisquer vendas de ativos de risco. Prováveis volumes baixos de negociação podem ampliar os movimentos dos mercados”. 

Caso a vitória de Biden seja confirmada, com um Congresso dividido, a BlackRock espera por um retorno limitado dos títulos públicos americanos, embora aponte que, no longo prazo, o rendimento dos títulos devam ser desafiados por um regime de inflação mais alta nos EUA. Para ações, acreditam que empresas de tecnologia, de qualidade e as large caps (companhias de grande capitalização de mercado) devem ter um “desempenho forte com um governo dividido, como fizeram no passado”.  

Para os mercados emergentes, mantendo esse cenário, a gestora acredita que as bolsas desses países terão desempenho acima da média, especialmente Ásia, excluindo Japão, citando que muitos deles conseguiram conter o vírus e estão mais adiantados na retomada econômica. 

BB Investimentos

Já os analistas Henrique Tomaz e Richardi Ferreira, da BB Investimentos, ressaltam, em relatório, que, com uma vitória de Biden, a expectativa é de que papéis de empresas que possuam boas práticas ambientais, sociais e de governança corporativa (ESG, na sigla em inglês) sejam beneficiadas. Segundo eles, a retomada de acordos multilaterais também poderia beneficiar o setor de tecnologia chinês, a Europa e ativos de mercados emergentes, com economias mais abertas, como México e Coreia do Sul. 

Por outro lado, eles dizem que, com os incentivos à economia limpa e renovável e o fim dos subsídios para combustíveis fósseis, poderia prejudicar o desempenho de papéis de empresas relacionadas ao petróleo. 

Olhando especificamente para Brasil, eles dizem que há potencial de tensão entre um possível governo democrata e o atual governo brasileiro, mas, ainda assim, a avaliação é de que as conquistas na agenda bilateral com o país continuem sendo de interesse do governo americano. 

Apesar das perspectivas positivas para Bolsa, eles lembram que a situação ainda inspira cautela, dado que é provável uma judicialização do processo, em função da pequena diferença entre os candidatos e considerando ainda as declarações de Trump. Em tal cenário, diante das incertezas, pode haver uma alta do dólar e dos juros, com queda das ações, pontuam. Nesse caso, para os investidores que queiram proteger seus investimentos, a gestora recomenda a compra de ativos atrelados ao dólar, como ações de empresas exportadoras e fundos cambiais, ou de ativos que se beneficiem de uma possível elevação das taxas de juros, como títulos públicos ou privados pré-fixados.  

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Foto de Paula Barra da Editoria Exame Invest que escreveu o artigo
Paula Barra

Repórter de mercados da Exame. Formada em jornalismo pelo Mackenzie e pós-graduada em Produtos Financeiros e Gestão de Risco pela FIA. Especializada na cobertura do mercado financeiro, com passagens pelo InfoMoney, Empiricus e TradersClub | paula.barra@exame.com


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