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Dólar volta a fechar acima dos R$ 5,60 com falta de estímulos e 2ª onda

PUBLICADO EM: 15.10.20 | 9H21
ATUALIZAÇÃO: 15.10.20 | 17H34
Dados de pedidos de auxílio desemprego e IBC-Br saem piores do que o esperado e contribuem para aversão ao risco
Dólar

Dólar: moeda americana sobe e retoma casa dos R$ 5,60 após uma semana (REUTERS)

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Guilherme Guilherme

Repórter de mercado | guilherme.guilherme@exame.com



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O dólar subiu 0,48% nesta quinta-feira, 15, e encerrou cotado a 5,625 reais, refletindo a maior aversão aos ativos de risco no mundo, como moedas emergentes.

No mercado internacional, os investidores repercutiram negativamente os empecilhos para aprovação de mais pacote de estímulos nos Estados Unidos e novas medidas de isolamento social na Europa. Na França, o aumento do número de casos de coronavírus levou o governo a declarar estado de emergência com toque de recolher obrigatório em grandes cidades, incluindo Paris.

Em Londres, onde os casos vêm crescendo de forma exponencial, o nível de alerta mudou de médio para alto e reuniões em locais fechados foram proibidos. “Sabemos desde o primeiro pico que a infecção pode se espalhar rapidamente e colocar uma enorme pressão no Sistema Nacional de Saúde (NHS, na sigla em inglês), então devemos agir agora para evitar a necessidade de medidas mais duras no futuro”, disse o ministro da Saúde, Matt Hancock.

“O [mercado no] exterior está muito ruim devido à segunda onda de coronavírus na Europa, com países se fechando, e a indefinição sobre o pacote americano”, diz Jefferson Ruik, diretor de câmbio da Correparti.

Divulgado nesta manhã, os dados de pedidos de seguro desemprego nos Estados Unidos saíram piores do que o esperado e contribuem para o clima de pessimismo no mercado. Na semana, foram registrados 898.000 pedidos, superando as estimativas de 825.000. A quantidade foi a maior desde meados de agosto, quando o número ainda estava na casa do milhão. Os dados da semana anterior também foram revisados para cima.

Mas além dos problemas externos, o mercado local ainda foi afetado pelo IBC-Br de agosto. Conhecido como “prévia do PIB”, o dado apontou para crescimento mensal de 1,06%, contra as estimativas de 1,6%. Embora tenha sido o quarto mês de recuperação consecutivo, a alta foi menor do que a de 2,15% em julho e de 5,32%, em junho. “Ao que tudo indica a velocidade da recuperação irá desacelerar ao longo do segundo semestre”, afirma André Perfeito, economista-chefe da Necton, em nota.

“Hoje está sendo uma tempestade perfeita”, comenta Ruik. Segundo ele, a só não foi maior devido ao receio de que o Banco Central entre com leilão de dólar à vista, como fez na terça-feira, 13. “Exportadores com dólares represados já começaram a vender, com receio de que o BC volte a atuar.”


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