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Dólar cai 0,4% ante o real em dia de forte atuação do BC

PUBLICADO EM: 20.8.13 | 10H56
Moeda tinha leve queda em relação ao real, apesar de já ter recuado mais de 1%, após o Banco Central endurecer seu discurso e suas atuações
Dinheiro: pilhas de notas de dólar

Dólar: para derrubar a cotação da moeda norte-americana, o BC realizou leilão de swap cambial tradicional nesta sessão, antes mesmo de fazer as ofertas anunciadas na segunda-feira

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São Paulo - O dólar tinha leve queda em relação ao real nesta terça-feira, afastando-se mas ainda do patamar de 2,40 reais apesar de já ter recuado mais de 1 por cento, após o Banco Central endurecer seu discurso e suas atuações.

Às 10h46, o dólar recuava 0,41 por cento, a 2,4061 reais na venda, depois de ter caído mais de 1 por cento, a 2,3846 reais na mínima do dia.

Para derrubar a cotação da moeda norte-americana, o BC realizou leilão de swap cambial tradicional nesta sessão, antes mesmo de fazer as ofertas anunciadas na segunda-feira. A autoridade monetária acabou vendendo todos os 20 mil contratos de swap com vencimento em 2 de janeiro do ano que vem.

Mais tarde o BC volta a fazer leilão de swap tradicional para rolagem dos papéis que vencem no início de setembro, com a oferta de 20 mil contratos com vencimento de 1º de abril de 2014. O resultado será divulgado à partir das 10h50.

Depois, a autoridade monetária realizará leilão de venda, com oferta de até 4 bilhões de dólares no mercado à vista, com compromisso de recompra.

"O dólar vai cair porque vai dar liquidez nos dois mercados", afirmou o diretor-executivo da NGO Corretora, Sidnei Nehme. "Atuar nos dois mercados é uma maneira de quebrar as pernas da especulação", acrescentou, lembrando que o sucesso do leilão de linha dependerá da taxa a ser oferecida.

Em comunicado, o BC informou que a taxa de câmbio que será utilizada para a venda de dólares será a de venda do dólar no boletim das 11h00 da coleta da Ptax. Um operador citou que a queda do dólar perdeu fôlego agora por estar mais perto do horário de fechamento da Ptax, para elevar a cotação de referência para o leilão.


O BC demonstrou na segunda-feira que está determinado na tarefa de conter o movimento de valorização do dólar em relação ao real. A divisa vem numa sequência de escalada que a fez romper o patamar 2,42 reais no intradia na véspera, quando acabou fechando com alta de 0,83 por cento, a 2,4159 reais, reforçando o maior o patamar em mais de quatro anos.

Além dos leilões, o presidente da autoridade monetária, Alexandre Tombini, sublinhou que aqueles que "apostam em movimentos unidirecionais da moeda" poderão ter perdas e reforçou que continuará ofertando proteção aos agentes econômicos e liquidez aos mercados.

"As cotações oscilam e a concentração de posições em uma única direção poderá trazer perdas aos que apostam em movimentos unidirecionais da moeda", disse Tombini por meio de nota.

Apesar da tentativa de demonstração de forças, o economista do Deutsche Bank Securities José Carlos Faria, em relatório, reforçou que a intervenção tem como objetivo suavizar a valorização, e não interrompê-la.

E lançou dúvidas sobre a autonomia do BC para conduzir a política monetária. "O Banco Central aparentemente teme os efeitos potenciais (do câmbio) na inflação... Uma das principais questões é saber se as autoridades do BC terão autonomia para apertar a política monetária para controlar a inflação caso a depreciação do real persistir", informou o banco em nota.

Para o banco japonês Nomura, as atuações do BC levam a crer que o padrão de equilíbrio da moeda, após esse movimento de "overshooting", está ao redor de 2,30 reais. "Acreditamos que o patamar está ao redor de 2,30, um nível que o BC já defendeu", afirmou a equipe do banco em relatório.

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