MERCADOS

Dólar cai mais de 1% ante real e vai a R$ 3,24

PUBLICADO EM: 27.10.17 | 17H26
Na semana, no entanto, a moeda norte-americana acumulou valorização de 1,70 por cento, maior alta semanal frente ao real desde meados de maio
Dólares

Imagem da Editoria Exame Invest
Reuters



Compartilhe nas redes sociais
GUIA
Em alta

INVISTA 3MIN

São Paulo - O dólar fechou em queda de mais de 1 por cento nesta sexta-feira, após subir e bater o patamar de 3,30 reais no início dos negócios, com movimento de correção e algum alívio nos temores de mais altas de juros nos Estados Unidos diante da sucessão no Federal Reserve, banco central do país.

No entanto, permaneceu no ar o ceticismo do mercado sobre a capacidade do governo Michel Temer de dar continuidade à agenda econômica, em especial a reforma da Previdência, no Congresso Nacional.

O dólar recuou 1,24 por cento, a 3,2438 reais na venda, depois de bater 3,3034 reais na máxima do dia e 3,2422 reais na mínima. O dólar futuro era negociado com baixa de cerca de 1,45 por cento no final da tarde.

Na semana, no entanto, a moeda norte-americana acumulou valorização de 1,70 por cento, maior alta semanal frente ao real desde meados de maio, quando veio à tona a delação de executivos da JBS, que atingiu em cheio o governo do presidente Michel Temer.

"A notícia de que Powell lidera na preferência de Trump... ameniza o humor dos investidores", afirmou o operador da Advanced Corretora, Alessandro Faganello.

A Bloomberg News noticiou, citando três fontes não identificadas, que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estaria inclinado a indicar o diretor do Fed Jerome Powell como próximo chair do Fed, no lugar de Janet Yellen, cujo mandato acaba em fevereiro.

Powell tem perfil menos conservador do que o economista da Universidade de Stanford John Taylor, que também faz parte da lista de Trump e chegou a ser apontado como seu favorito, alimentando temores de que o Fed poderia elevar os juros mais do que o esperado pelos analistas. Trump já disse que deve fazer sua escolha nos próximos dias.

Taxas mais elevadas nos EUA tendem a atrair para a maior economia do mundo recursos aplicados hoje em outros mercados ao redor do mundo, o que pode resultar em fluxo de saída de capitais do Brasil.

O dólar avançava cerca de 0,30 por cento contra uma cesta de moedas, mas passou a cair frente a algumas divisas de países emergentes, como o peso mexicano.

Segundo operadores, também houve fluxo de entrada de investidores estrangeiros no meio da manhã, aproveitando as altas cotações dos últimos dias, o que acabou ajudando no movimento de correção.

O leilão das áreas do pré-sal brasileiro realizado nesta sessão também ajudou na queda do dólar, com a expectativa de entrada de recursos de fora.

"É positivo (o leilão), significa que o mercado está com bons olhos com relação ao Brasil", afirmou o macro-estrategista da corretora BGC Liquidez, Juliano Ferreira.

Ainda assim, a cautela continuou no mercado, depois que a Câmara dos Deputados rejeitou a segunda denúncia contra Temer na quarta-feira, mas o placar abaixo do esperado pelo governo indicou que o Planalto deve encontrar dificuldades para tocar sua agenda.

Líderes ouvidos pela Reuters admitem que o governo vai ter que redimensionar o tamanho da base e renegociar a agenda a ser votada.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), defendeu enxugar a reforma previdenciária em tramitação e tentar restringi-la quanto à adoção da idade mínima para a aposentadoria.

"Não vemos melhora no cenário da reforma (da Previdência). Por isso, o lado fiscal preocupa muito", afirmou o operador do Banco Paulista, Alberto Felix.

Desde meados de julho, a moeda norte-americana vinha sendo negociada basicamente numa banda entre 3,15 e 3,20 reais. Mas, entre o último dia 19 e a véspera, ela havia saltado 3,78 por cento, já com ceticismo sobre a cena política.

(Por Thaís Freitas e Laís Martins)

Imagem da Editoria Exame Invest
Reuters


Compartilhe nas redes sociais
Mosaico do rodapé com as cores da Exame