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GOL é castigada no mercado com desvalorização do real

PUBLICADO EM: 24.4.12 | 10H44
A taxa dos títulos em dólar da empresa aérea para 2020 disparou 54 pontos-base na última semana para 10,48 por cento, nível mais alto em três meses
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O real caiu 8,7% cento em relação ao dólar desde o fim de fevereiro; segundo a Gol “um real fraco pode afetar negativamente as operações" da empresa

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Nova York - Os papéis da GOL Linhas Aéreas Inteligentes SA, companhia aérea que tem mais de dois terços de sua dívida denominada em dólares, estão despencando no mercado de títulos à medida que o governo desvaloriza o real para proteger a indústria local.

A taxa dos títulos em dólar da GOL para 2020 disparou 54 pontos-base na última semana para 10,48 por cento, nível mais alto em três meses, segundo dados compilados pela Bloomberg. O rendimento médio dos papéis de empresas aéreas dos Estados Unidos e Canadá caiu 12 pontos-base, ou 0,12 ponto percentual, para 7,77 por cento no mesmo período, segundo dados do Bank of America Corp.

O real caiu 8,7 por cento em relação ao dólar desde o fim de fevereiro, a maior retração entre as moedas de países emergentes. O governo triplicou impostos para empréstimos estrangeiros enquanto o Banco Central tem aumentado suas compras de dólares no mercado à vista para ajudar a impulsionar a economia do País. A Moody’s Investors Service cortou a nota de crédito da GOL em dois níveis em 19 de abril, dizendo que a companhia é a empresa brasileira mais vulnerável à desvalorização cambial uma vez que mais da metade de seus gastos operacionais são em dólar.

“Eles enfrentam enormes dificuldades com o câmbio”, disse Filippe Goossens, analista da Moody’s, em entrevista por telefone de São Paulo. “A companhia tem nível de alavancagem significativamente maior que a maioria das companhias aéreas no mundo.”

A dívida bruta da GOL disparou para 11 vezes os ganhos no ano passado, contra 4,9 vezes no fim de 2010, segundo a Moody’s. A empresa, que obteve 91 por cento de sua receita no Brasil em fevereiro, teve sua nota de crédito cortada de B1 para B3, seis níveis abaixo do grau de investimento.

‘Afetar negativamente’

Cerca de 55 por cento dos custos da GOL são em dólar, de acordo com resposta por e-mail a questões, enviada pela assessoria externa da companhia aérea.

“Um real fraco pode afetar negativamente as operações da GOL”, disse a empresa. “Um real fraco pode também afetar negativamente os resultados financeiros da GOL dado que 70 por cento de sua dívida é em dólares.”

O BC reduziu a taxa básica de juros em 350 pontos-base desde agosto para 9 por cento, como parte dos esforços para reduzir a atratividade dos ativos de renda fixa do País a fim de segurar o avanço do real. A autoridade monetária comprou dólares sete vezes na última semana.

“O mais importante em relação à taxa de câmbio não são as medidas que nós já tomamos, mas as medidas que ainda vamos tomar e podemos tomar a qualquer momento”, disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em discurso em Brasília neste mês.
O Ministério da Fazenda se recusou a fazer comentários.


‘Menos expostas’

Segundo o resultado do quarto trimestre apresentado em 27 de março, a GOL teve prejuízo ajustado de R$ 710 milhões no ano passado “em função do efeito negativo gerado nos passivos em dólar da companhia” por conta da desvalorização do real em relação à moeda americana. A moeda brasileira recuou 11 por cento no ano passado.

O negócio da GOL é menos diversificado que o da rival Tam SA, maior empresa aérea brasileira, disse Roger King, analista da Creditsights Inc. A Tam, que está em processo de fusão com a chilena Lan Airlines SA, obteve 41 por cento das vendas no exterior em 2011, de acordo com dados compilados pela Bloomberg. O rendimento dos bônus da Tam com vencimento em 2020 caiu cinco pontos-base na última semana para 7,91 por cento, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.

“Todas as companhias estão expostas à taxa de câmbio, mas as que têm contas corporativas, passageiros que pagam mais e viajantes internacionais têm estado menos expostas”, disse King em entrevista por telefone de Nova York. “Isso está ajudando a Tam e não a GOL.”

‘Parceiro interessante’

O encarecimento do combustível e maior concorrência no mercado doméstico também prejudicam a lucratividade da GOL, disse King. O custo do querosene de aviação saltou 8,3 por cento neste ano, de acordo com dados compilados pela Bloomberg. A GOL anunciou em 2 de abril a demissão de 131 tripulantes e o corte de 80 de seus 900 voos diários para diminuir custos.

A ação da empresa teve a maior queda em quatro meses no dia 18 de abril após o governo ter desmentido uma matéria afirmando que poderia desonerar a folha de pagamento para ajudar o setor aéreo.

Heiner Skaliks, que supervisiona US$ 27 milhões, incluindo dívida da GOL, como gestor do Strategic Latin America Fund, disse que a empresa pode buscar uma parceria com outra companhia aérea para fortalecer suas finanças.

“Eu não ficaria surpreso se eles forem mais agressivos nos esforços de aliança estratégica em 2012”, disse Skaliks em entrevista por telefone de La Paz, Bolívia. “Esta é uma tendência que está ocorrendo na região, e a empresa seria uma parceira interessante para qualquer companhia aérea que quisesse unir-se a ela.”

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